Agente prisional revela ameaças de morte e desvio de funções: ‘Babá de preso’
Servidor
avalia que a população carcerária está quatro vezes mais violenta do
que há 30 anos. Para ele, facções criminosas agem em 90% das cadeias
goianas.
Agente prisional revela ameaças de morte e desvio de funções em Goiás
Ameaças de morte, desvio de funções e medo fazem parte da rotina de um
agente prisional goiano, segundo o relato de um deles ao G1.
Há quase 30 anos na profissão, o servidor conta que a população
carcerária está cada vez mais violenta e organizada em facções
criminosas. Em contrapartida, as unidades prisionais estão desprovidas
de profissionais.
“O mais difícil no trabalho hoje é manter a integridade do próprio
agente. A gente não tem segurança dentro do presídio e, muito menos, na
rua. Já fui ameaçado de morte muitas vezes. Vários amigos meus foram
mortos nesses 30 anos. Temo pela minha vida, pela minha família”, conta.
O agente conta que a rotina é intensa e, além de se preocupar com a
segurança, é preciso lidar com uma série de funções que ele não se
considera capacitado. Segundo o profissional, em unidades do interior,
raramente, há equipe médica, por exemplo.
“O
agente é carcereiro, psicólogo, enfermeiro, carteiro, motorista, não
sei o que não é. Até babá de preso tem que ser porque tem de levar no
hospital e não tem uma pessoa pra ficar lá com ele”, detalhou.
O Ministério da Justiça recomenda que a proporção de presos por agente
deveria ser de 5 presos para cada profissional. No entanto, 19 estados
do país estão acima desta recomendação, entre eles Goiás, que possui,
segundo levantamento feito pelo G1, 11 presos por agente.
Apesar disso, o agente entrevistado pelo G1 acredita que o número é maior. Para ele, a média é de 40 detentos para cada vigilante.
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Agente penitenciário revela que vários colegas de trabalho morreram por causa da profissão em Goiás (Foto: Paula Resende/ G1)
Comando de facções
O agente avalia que a baixa quantidade de servidores dificulta o
controle dos detentos. Em contrapartida, ele calcula que a população
carcerária é quatro vezes mais perigosa do que no início dos anos 90.
Além disso, o profissional afirma que facções criminosas agem em 90% dos
presídios goianos.
“As
facções ditam as regras lá dentro, e os presos obedecem. Quem não
obedece, você vê nas televisões [ o resultado], cabeça cortada. O
comando é imposto pela violência”, revela o agente.
Falta de estrutura
O servidor também critica a falta de estrutura das unidades prisionais
do estado. Ele explica que a maioria das cadeias do interior são casas
adaptadas e localizadas nas regiões centrais das cidades. Para o agente,
é “caótica” a situação de boa parte delas.
“Penso que não vai conseguir barrar nunca a entrada de celular e armas,
pessoal passa do lado do muro e joga arma, não tem perímetro de
segurança, a gente está numa residência dentro da cidade, não tem como
colocar um bloqueador de celular”, pondera.
Grupo explode fundos de presídio e destrói casa para resgatar presos em Guapó (Foto: Vitor Santana/G1 )
O agente ressalta que a falta de estrutura também facilita as fugas.
“As fugas são comuns em cadeias porque têm estrutura fraca. Eles abrem
buracos com facilidade. A gente fica 24 horas por dia tentando vigiar o
presídio e os presos, e os presos tentando ludibriar nossas seguranças”,
explica o agente.
Fugas
Durante as quase três décadas de profissão, o goiano conta que já presenciou inúmeras tentativas de fuga “inusitadas”.
“Já teve caso de preso tentar fugir vestido de mulher, foi pego no
último portão, já houve caso de preso tentar fugir dentro de lata de
lavagem, cortaram tambor de 200 litros no meio, colocaram lavagem lá
dentro. O preso ficou submerso respirando com canudinho. Também já
entraram dentro do motor de caminhão, já tentaram de tudo”, conta.
Já a fuga mais audaciosa, para ele, ocorreu no presídio de Guapó, na região sul de Goiás, quando criminosos estalaram dinamite na parede do lado de fora da unidade. A explosão abriu um buraco na parede e possibilitou a saída de 11 detentos.
Intervenção do governo
Quando entrou na corporação, o servidor acreditava que haveria um
aumento considerável no número de profissionais concursados. Porém, a
realização de concursos não ocorreu na mesma proporção do que a
ampliação da quantidade de presos.
“Quando entrei, metade do efetivo dos agentes era concursada, metade,
temporária. A gente pensava que eliminaria o temporário e ficaria só o
concursado. Aí a gente lutaria por uma classe melhor, que desilusão. O
governador não faz concurso, só contrato. Isso é frustrante”, avalia.
O agente cobra uma intervenção efetiva do governo de Goiás no sistema
prisional. Para ele, em cinco anos, se não houver investimentos, o crime
organizado tomará conta dos presídios goianos.
“Falta investimento. O governo não está muito preocupado com o agente
prisional, primeiro, não vota, depois, não tem retorno. Ao longo dos 30
anos, governo pouco investiu, toma medidas paliativas que durem os
quatro anos de mandato”, critica o servidor.
Governo rebate
Após as declarações do agente, a Diretoria-Geral de Administração
Penitenciária (DGAP) nega o desvio de funções e afirma ainda que os
serviços da área de saúde são prestados por meio de convênios com a
Secretaria Estadual de Saúde e cos municípios. "Cabe aos agentes, apenas
tarefas inerentes à sua função que é de custodiar os reeducandos", diz a
nota.
Quanto à falta de agentes, a pasta informa que contratou recentemente
cerca de 800 agentes de segurança prisional. Além disso, o governo
autorizou, na semana passada, novo concurso público para contratação de
1.093 agentes.
Em relação à falta de estrutura das unidades, a diretoria ponderou que
foram inaugurados dois presídios estaduais somente em fevereiro, em
Formosa e Anápolis, cada um com capacidade para 300 presos, e que outros
três ficarão prontos ainda em 2018.
Por fim, a DGAP ressalta que o governo "está viabilizando recursos com o
intuito de construir novas unidades regionais, com o objetivo de
substituir presídios antigos e sem estruturas" e que "está sendo
implementado novo modelo de gestão, onde os presos serão separados de
acordo com características como, por exemplo, grau de periculosidade".
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Luismar Coutinho
CORRETOR CRECI-28984 AVALIADOR DE IMÓVEIS CNAI - 31962
Zap 64 - 99206 2029 ou 64 - 999418577
Luismar Lacerda Coutinho Presidente da Associação dos Corretores de Imóveis do Município de Rio Verde Goiás e Distritos ASCIRVD seja um associado