quarta-feira, 27 de maio de 2015

Romario protocola requerimento para criação da CPI da CBF no Senado

Romário protocola requerimento para criação da CPI da CBF no Senado

Senador diz que vai ficar mais feliz quando Ricardo Teixeira também for preso

POR 

Romário em audiência da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado na manhã desta quarta-feira - Andre Coelho / Agência O Globo
BRASÍLIA - Nesta quarta-feira, o senador Romário (PSB-RJ) recolheu 52 assinaturas e protocolou o requerimento para a instalação no Senado de uma CPI para investigar as denúncias de corrupção na Confederação Brasileira de Futebol desde a presidência de Ricardo Teixeira, passando por José Maria Marin, preso nesta quarta-feira na Suíça, até a atual gestão de Marco Polo del Nero. Ele disse estar muito feliz com as prisões, mas falta ainda mais gente para ser presa.
— Eu vou ficar mais feliz ainda quando o Ricardo Teixeira for preso, o que deve acontecer em breve. Todos se achavam intocáveis na CBF , diziam que era uma entidade privada e não tinham que ser investigados. Mas como dizem meus amigos, a casa vai cair para eles — comemorou Romário.
O ex-craque da seleção de futebol disse que há anos vem batendo na mesma tecla, da necessidade de abrir a caixa preta da CBF, envolvendo dirigentes desde a gestão de Ricardo Teixeira.
— Até que enfim! O FBI e a polícia suíça fizeram as prisões mais rápido do que eu pensava. Se dependesse da nossa polícia essas prisões não aconteceriam. Com a CPI a caixa preta da CBF vai ser aberta para moralizar definitivamente nosso futebol — disse Romário.
O senador fluminense disse já ter indícios de que o esquema de corrupção que está sendo investigado pelo FBI vai respingar na Copa de 2014 no Brasil.
— Tenho certeza que vai ter. O FBI já declarou que alguma coisa vai resvalar nos acontecimentos da Copa aqui — disse.
O requerimento de Romário pede que sejam investigados todos os fatos denunciados e que levaram as prisões dos dirigentes hoje, tudo que aconteceu na CBF nos últimos anos, vinculação de convocações de jogadores a contratos comerciais, negócios em jogos amistosos da seleção e outras denúncias relacionadas a corrupção no órgão.
— Nosso futebol precisa dessa chacoalhada. Tem que investigar também outras pessoas da CBF e algumas empresas que participaram dessas sacanagens — disse Romário, que mais cedo declarou que lugar de ladrão é na cadeia.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/romario-protocola-requerimento-para-criacao-da-cpi-da-cbf-no-senado-16279629#ixzz3bO4YipZV 
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Detran não aceita aumento dividido e inicia greve sexta-feira

Geral
Folha Max
27/05/2015 11:02:00 - 39 exibições
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Detran não aceita aumento dividido e inicia greve sexta-feira

Categoria ainda denuncia que órgão está "a míngua"

MidiaNews
Os servidores do Detran decidiram em assembléia geral no final dessa terça-feira(26) que não aceitam a proposta de apenas 3,11% da reposição do INPC para maio e os outros 3,11% apenas para novembro. Eles querem ainda que o Governo do Estado abra o diálogo com a categoria, com uma agenda para negociação. 
O presidente do Detran, Rogers Jarbas, pediu uma fala no início da Assembleia, reforçando a proposta apresentada pelo Secretário de Gestão, Julio Modesto, na reunião de segunda. 
“Sabemos que há arrecadação suficiente, aliás de 1,5 milhão por dia. O impacto mensal para recompor integralmente as perdas inflacionárias do servidores do Detran será de apenas 300 mil. Isso sem contar que o Detran aumentou em 14% todas as suas taxas no mês passado e tem contido gastos  até nos materiais de consumo e expediente mais básicos. Os servidores sofrem impacto de todas essas medidas diariamente.
O sindicato luta há anos para que o Detran tenha garantida a sua autonomia financeira prevista em lei, já que é uma autarquia. Até o café e o açúcar o Detran doou para a Secretaria de Segurança. E a nossa Entidade  está a míngua, sem estrutura, sem material. Nossa categoria tem se empenhado  em busca de melhorias para oferecer um atendimento mais técnico, eficiente e de qualidade para a população e não pode ser penalizada em um direito tão básico. Não temos aumento salarial, reivindicamos nosso direito à recomposição da inflação”, afirmou Daiane Renner, presidente do Sinetran.
O Sinetran reclama que aceitar o parcelamento do INPC em 3,11% para maio e 3,11% em novembro com o pagamento dos meses perdidos apenas em janeiro fere a Constituição Federal e a Constituição do Estado, que prevê a reposição anual em parcela única. A Assembleia Legislativa seguiu o índice de 8,34% e o poder judiciário não abre mão do 6,23% integral, a Constituição do Estado não permite diferenciação entre os poderes”, reclama Daiane.
Como segunda pauta, os servidores decidiram que irão paralisar as atividades em protesto à falta de diálogo e negociação por parte do Governo no dia 29 de maio, aderindo também à Paralisação Nacional contra as terceirizações marcada para a data mesma. A paralisação será geral em todas as unidades do Estado.
Também ficou acordada uma nova assembléia para avaliações. 

Rússia suspende importação de carne de frigoríficos brasileiros

Reuters
27/05/2015 11h17 - Atualizado em 27/05/2015 11h45

Rússia suspende importação de carne de frigoríficos brasileiros

Rússia foi o segundo maior importador de carne bovina do Brasil em 2014.
Carne será embargada de 10 unidades a partir de 9 de junho.

Da Reuters
Preço médio da arroba do boi pago pelos frigoríficos em MS foi de R$ 138,87 entre 10 e 24 de março (Foto: Reprodução/TV Morena)Após inspeção, embargo foi decidido
(Foto: Reprodução)
O serviço veterinário russo Rosselkhoznadzor vai embargar a importação de produtores de carne de 10 unidades de frigoríficos brasileiros a partir de 9 de junho, informou nesta quarta-feira (27) a agência russa Interfax.
O serviço disse que sua decisão foi tomada depois de um inspeção em unidades brasileiras em março por inspetores russos, segundo a Interfax.
As violações descobertas apresentam um significativo grau de risco, disse o Rosselkhoznadzor em comunicado.
Além disso, a proibição de importação de produtos de duas unidades verificadas foi mantida.
"Com respeito aos produtos de sete unidades, onde foram reveladas irregularidades durante as inspeções, que tinham grau de risco pequeno, o direito de exportar para a Rússia foi mantido com a condição de que as violações seja corrigidas", disse o Rosselkhoznadzor.
O serviço russo enviou às autoridades brasileiras um relato sobre os resultados das inspeções e está aguardando comentários no prazo de dois meses.
Não havia informações disponíveis imediatamente sobre os tipos de carnes afetados e sobre o nome dos frigoríficos brasileiros afetados.
A Rússia foi o segundo maior importador de carne bovina do Brasil em 2014. O país que mais importa carne do Brasil é Hong Kong.

Polícia da Suíça prende 7 dirigentes da Fifa, incluindo José Maria Marin

27/05/2015 14h05 - Atualizado em 27/05/2015 14h58

Polícia da Suíça prende 7 dirigentes da Fifa, incluindo José Maria Marin

Eles são acusados de corrupção em investigação americana.
Detidos devem ser extraditados para os Estados Unidos.

Do Jornal Hoje
A polícia da Suíça prendeu nesta quarta-feira (27), em Zurique, na sede da Fifa, sete dirigentes da entidade acusados de corrupção. Entre eles está José Maria Marin, ex-presidente da CBF e membro do comitê executivo da Fifa. Os sete detidos são membros da Conmebol ou da Concacaf, as confederações de futebol das Américas.
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, não está entre os investigados.
Quatorze pessoas - nove dirigentes da Fifa e cinco executivos de marketing esportivo - são acusados de crimes como extorsão e lavagem de dinheiro.

As três principais linhas de investigação são:
- o pagamento de propina dos organizadores das copas da Rússia, em 2018, e no Catar, em 2022, a dirigentes da Fifa para garantir que os países fossem escolhidos como sedes.
- o superfaturamente do contrato da CBF com uma empresa de fornecimento de material
esportivo.
- a compra de direitos de transmissão por agências de marketing esportivo dos seguintes campeonatos: Copa América Centenária, edições da Copa América, Libertadores da América e Copa do Brasil (torneio de clubes brasileiros).
A investigação acusa empresas de marketing esportivo de pagamento de propina a confederações donas originais desses direitos. Não pesam acusações ou suspeitas sobre as empresas de mídia de todo o mundo que compraram desses intermediários os direitos de transmissão das partidas e dos campeonatos.
A investigação americana é conduzida há três anos pelo FBI e abrange casos de corrupção na Fifa durante os últimos vinte anos. O esquema de corrupção teria movimentado mais de US$ 150 milhões. Todos os presos serão extraditados para os Estados Unidos.
O Departamento de Justiça americano afirma que seis acusados já se declararam culpados, entre eles José Hawilla, que já está condenado no processo e é dono da empresa de marketing esportivo Traffic, que negocia direitos de competições com a Conmebol, Concacaf e a CBF. Hawilla é também acionista da TV Tem, uma das afiliadas da TV Globo.
Está mantida para esta sexta (29), a eleição para presidente da Fifa. Joseph Blatter está à frente da entidade desde 1998 e deve ser reconduzido para o quinto mandato.

O único adversário na eleição, o príncipe da Jordânia, Ali bin al Hussein, afirmou que hoje é um dia triste para o futebol.
CBF
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), publicou nota comentando o caso. "Diante dos graves acontecimentos ocorridos nesta manhã em Zurique, envolvendo dirigentes e empresários ligados ao futebol, a CBF vem a público declarar que apoia integralmente toda e qualquer investigação", diz o comunicado da entidade.
"A entidade aguardará, de forma responsável, sua conclusão, sem qualquer julgamento que previamente condene ou inocente. A nova gestão da CBF, iniciada no dia 16 de abril de 2015, reafirma seu compromisso com a verdade e a transparência", conclui.
Dilma
A presidente Dilma Rousseff defendeu a investigação das autoridades americanas, e disse que não vê como ela poderia atrapalhar o futebol brasileiro. A presidente acredita que a investigação vai permitir maior profissionalização do futebol. disse ainda que se a Justiça americana pedir ajuda, o Brasil vai colaborar.
Emissoras internacionais noticiam as prisões desde cedo. Muitos jornais europeus estão atualizando cada desdobramento do caso ao vivo nas páginas na internet. O italiano "Corriere della Sera" cita um terremoto na Fifa e fala na quebra do "Sistema Blatter". Mesmo não estando entre os detidos, o presidente da Fifa é um dos principais alvos. "Não olhem para mim", diz a manchete do diário esportivo espanhol "Olé". O "Marca", também da Espanha, igualmente destacou a crise na principal entidade do futebol internacional.
Muitos atletas se manifestaram nas redes sociais. O ex-jogador da seleção inglesa, Gary Lineker, escreveu que Blatter tem que sair.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Aniversário da 7° CSM que completa os 107 anos de






População de Massarosa cumprimenta soldados brasileiros após libertação da cidade
SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Itália cultua ‘libertadores’ brasileiros

Combatentes da Força Expedicionária Brasileira são tidos como heróis em cidades italianas, que todos os anos comemoram a libertação

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Texto publicado na edição impressa de 28 de setembro de 2014
Relato




Nomes como Montese, Cama-iora e Massarosa soam desconhecidos para muitos brasileiros. Para parte dos italianos que vivem nessas localidades, porém, o Brasil tem um significado especial. Não se trata de turismo, samba ou futebol, mas de uma parte importante da história daquela região. Há 70 anos, durante a Segunda Guerra Mundial, foi a ação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que libertou a população dessas cidades dos nazifascistas. O episódio é lembrado até os dias atuais, em conversas com os moradores e em celebrações realizadas anualmente.
Foi em 2 de julho de 1944 que as tropas brasileiras desembarcaram em solo italiano. O primeiro combate aconteceu em setembro no Vale do Rio Serchio, na Toscana, norte do país. A partir daí teve início uma ofensiva que tomou várias cidades da região, tendo o momento mais crítico em Monte Castelo, numa batalha que durou quase três meses. A conquista da cidade é tida como fundamental para que os Aliados derrotassem as forças do Eixo na Itália.
Homenagens
Mario Pereira nasceu na Itália, mas é filho de brasileiro. Mais precisamente do subtenente Miguel Pereira, integrante da FEB que optou por fixar moradia na região após os combates. Até a morte dele, em 2003, era o ex-combatente quem cuidava do Monumento Votivo de Pistoia, erguido no local onde até a década de 1960 estava o cemitério em que foram enterrados os brasileiros mortos em combate (depois os restos foram transferidos para o Brasil). “No dia 2 de novembro de todos os anos é realizada uma grande solenidade para homenagear os soldados da FEB mortos em solo italiano”, conta Mario, que assumiu o posto do pai na administração do monumento.
De acordo com ele, homenagens desse tipo são realizadas em grande parte dos municípios da região, que também contam com monumentos para lembrar a ação brasileira. “A comunidade italiana vê os brasileiros como verdadeiros libertadores. Muitos são os testemunhos de acontecimentos, pessoas que contam para as novas gerações aqueles momentos de sofrimento e a grande ajuda que receberam”, relata Mario, lembrando que não se encontram monumentos semelhantes dedicados a outros países aliados.
Memória
Solidariedade dos pracinhas é lembrada em cidades libertadas
Solidariedade. Essa foi a palavra que Sirio Sebastião Frölich, militar e pesquisador do Exército, mais ouviu dos italianos quando eles se referiam à atuação dos brasileiros na Segunda Guerra Mundial. Na Itália, ele percorreu boa parte do roteiro feito pela FEB durante o conflito. “Sem exceções, os italianos que conviveram com os pracinhas confirmaram que eles eram mais solidários do que qualquer outro”, revela.
Sirio é autor do livro Longa Jornada – Com a FEB na Itália, no qual descreve a trajetória e o cotidiano de alguns dos soldados que saíram do Rio Grande do Sul para combater em solo italiano. Para ele, o reconhecimento dos pracinhas é maior fora do que dentro do Brasil. “Isso se deve principalmente ao conhecimento da conduta do pracinha em combate e no convívio com a população italiana”, afirma.
Esse sentimento é compartilhado pelo advogado Zafer Pires Ferreira Filho, cujo pai lutou pela FEB. Em 2012, ele visitou com a família algumas das cidades libertadas pelas tropas brasileiras. “Ficamos emocionados, mas ao mesmo tempo tristes, por lembrarmos do sentimento oposto do brasileiro de uma forma geral e das autoridades, de desconhecimento e indiferença por um período tão importante na história do Brasil”, lamenta.



 

FEB Lourival Clementino dos Santos - YouTube


Lourival Clementino dos Santos: o herói Rio-Verdense ...


Marcus Pedrosa – Pesquisador da Segunda Guerra Mundial.

Fui convidado a escrever sobre o Seu Lourival, ex-pracinha que combateu na
Força Expedicionária Brasileira - FEB no teatro italiano da Segunda Grande
Guerra, na condição de seu amigo, e não de jornalista, como acontecera
naqueles idos de agosto alguns anos atrás.
Aqui devo falar um pouco sobre eu mesmo e meu interesse por assuntos
relacionados à Grande Guerra, o que me levou por fim a encontrar o Seu
Lourival: Desde quando eu ingressara no impresso “Jornal Dinâmico” como
repórter e jornalista, eu tinha fixo o ideal de fazer uma matéria sobre a Segunda
Guerra Mundial.
Por que exatamente uma matéria sobre a Segunda Guerra? Não sei explicar o
fascínio, se é que dá para usar esse termo em um acontecimento que matou
pelo menos 70 milhões de pessoas, pela Grande Guerra, o qual me
acompanha desde a infância. Tenho mantido coleção de revistas, recortes de
jornais, filmes e outros registros ao longo dos anos. Já tive inclusive sonhos
estranhos relacionados à guerra em que, obviamente, nunca lutei, não com
este corpo. Não obstante, a Grande Guerra é tão familiar para mim que, ao
lado do Seu Lourival, nas periódicas visitas que lhe faço, às vezes sinto-me
estranhamente como se fosse um de seus ex-companheiros de front ...
Assim, tão logo obtive a permissão do editor do jornal para fazer a matéria,
para minha satisfação, de página inteira, fui ao Tiro de Guerra 11-006 em Rio
Verde-GO e encontrei o Seu Lourival nos registros dos veteranos da referida
cidade. Eu tinha em mente uma matéria não baseada em páginas frias com
conteúdo repetitivo, eu queria uma fonte viva de onde eu pudesse extrair fatos
da guerra com a máxima originalidade e fidelidade.
Enfim, graças a essas circunstâncias, cheguei ao convívio com Seu Lourival,
sobre quem discorrerei a seguir do ponto de vista do amigo que me tornei, das
tardes preenchidas com um bom bate-papo regado com um bom cafezinho.
Não há como deixar de admirar e se afeiçoar ao Seu Lourival desde o início.
Um homem com sua vitalidade, clareza de raciocínio, boa memória e
cordialidade, faz-nos esquecer que ele é uma pessoa que encarou a morte
bem de perto incontáveis vezes, em dias que para muitos só existem nos livros
de História.
Mas nada disso, nem os riscos da guerra, nem o tempo, parecem ter alterado o
homem generoso que eu conheci. Nunca, nos três anos que frequento sua
casa, ouvi Seu Lourival se queixar de qualquer coisa, fosse dos dias da guerra,
fosse dos dias atuais. Talvez o mais próximo disso foi sua resistência em falar
sobre sua experiência na guerra; e depois, quando tudo já se tornara familiar
entre nós, ele certa vez disse, vagamente, que era sadio, mas a guerra o
deixara doente.
Podemos ter uma noção vaga do que o Seu Lourival passou, se prestarmos
atenção nos seguintes versos da música “1916”:
“Mas eu soube na hora
Que um ano no front
Era uma vida longa o bastante
Para um soldado.”
Seja como for, ele seguiu em frente, nem o frio de 18 graus abaixo de zero do
inverno europeu, nem os bombardeios e minas alemães, nem o tiro que ele
levou de algum combatente do Eixo perto da cidade de Pizza, foram suficientes
para mudar a essência desse homem quem subitamente foi surpreendido junto
do pai numa roça de algodão para ser convocado a ir à guerra.
Com efeito, a determinação e resignação de Seu Lourival também são
cativantes. Ele se tornara uma referência para mim quando contou a reação de
sua família à convocação – mesmo com a advertência de todos, inclusive do
pai, de que morreria caso fosse à guerra, mesmo com o mal-estar da mãe, ele
não hesitou em seguir para Natal em 1943, e de lá para a Itália. Suas palavras
me acompanham onde quer que eu vá, especialmente nas situações difíceis:
“Se morrer, morreu. Todo mundo está sujeito a qualquer coisa.” Felizmente,
não foi o que aconteceu.
Seu Lourival já havia sido lapidado na dura labuta da roça aos 20 anos, e
novamente seria lapidado no rigor da vida militar para se tornar um combatente
– mas o polimento final somente aconteceria na Itália, com suas ruínas, suas
explosões, suas florestas escondendo incontáveis inimigos – Seu Lourival se
tornaria um diamante perfeito. E tal foi a preciosidade de homem que encontrei.
Nossas conversas variam, falamos sobre rios, peixes, sobre a maravilha de se
achar mel em uma árvore quando se está fazendo lenha e outros trabalhos na
fazenda (algo que também temos em comum), sobre guerras – ora fico
prestando atenção enquanto ele me explica o funcionamento de diversos
materiais bélicos e armas, ora ele me fala do efeito devastador das minas
alemãs, muitas das quais ainda estão na Itália, perdidas e ativas, e também
dos arsenais que são mantidos mundo afora, à espera de novos embates
(como a questão da Síria, que ele usou como exemplo e não sem uma certa
indignação).
Mas não falamos em guerra com tanta frequência, como já foi comentado, não
é um tema confortável para o Seu Lourival. Em geral, simplesmente acontece
de comentarmos um ou outro evento, mas a conversa invariavelmente termina
rápido com uma desaprovação sua sobre o que ele considera “a vergonha do
mundo”.
Eu costumo dizer que, após ter vestido uma farda, eu nunca deixei de ser um
soldado. Para mim a ordem e a disciplina são diretrizes finais, é um modo de
vida, sobretudo nos últimos anos, que para mim têm sido um verdadeiro front
sem armas expostas. Portanto, sempre que encontro Seu Lourival, penso que
a vida de armas se infiltrou de tal modo nele também que ele não é apenas
aquele respeitável senhor em trajes civis que encontramos na varanda de sua
casa: de certa forma, ele ainda é o Tenente Lourival, e com a mesma diligência
e dureza de um oficial sob fogo inimigo ele conduz sua vida e seus problemas,
ciente de que precisa ser “o último homem de pé”, a quintessência de um
soldado.
Napoleão Bonaparte dizia que a coragem civil não é a mesma que a coragem
militar, mas às vezes eu me pergunto se é possível separar os dois num exsoldado,
especialmente aquele que lutou numa guerra.
Por tudo isso, ter sido acolhido como seu amigo, para mim, é uma glória maior
do que qualquer honra militar ou civil. O que haveria de mais honroso do que
ser aceito ao lado de um homem que sobreviveu a uma situação em que a
morte era regra e não exceção, que vivenciou os extremos da engenhosidade a
serviço da perversidade humana, e nem por isso se tornou altivo e insensível,
ao contrário, tornou-se acolhedor e cordial? Não foi por menos que, no dia em
que ele me presenteou com um chapéu de “caubói”, senti-me tão lisonjeado
quanto o generalíssimo soviético Stálin ao receber do premiê inglês Churchill
uma espada pela vitória em Stalingrado, Rússia.
Dizem que o nome que uma pessoa recebe ao nascer de certo modo define
seu destino. No caso de Seu Lourival, creio que isso faça sentido: Lourival vem
de “louros”, as folhas que os romanos usavam para ornamentar a cabeça de
seus césares e outras personalidades que conquistavam o reconhecimento e a
glória. É o que vejo, portanto, em Seu Lourival: um vitorioso, um vencedor em
todas as batalhas – fossem elas nos campos do Rio Grande do Norte, de
Goiás, ou da Itália devastada.
E dado o valor de Seu Lourival e vários outros ex-pracinhas desta terra,
encerro esta crônica fazendo um apelo à Municipalidade rio-verdense. Mais de
70 anos se passaram, e tudo o que a cidade fez para prestar-lhes homenagem
foi uma pequena pirâmide de brita na praça São Sebastião, em 1947.
Depois disso, nada mais apropriado e à altura de seus méritos foi construído
para servir de memória aos ex-combatentes da FEB, um total descaso para
com aqueles que contribuíram para sermos o que somos hoje – alguém já
parou para pensar como seriam nossas vidas se eles não tivessem ido à
guerra para vencê-la junto dos Aliados? Fica, portanto, o convite à reflexão e
ação.
https://www.youtube.com/watch?v=S3SDkRCovdI