segunda-feira, 25 de maio de 2015

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População de Massarosa cumprimenta soldados brasileiros após libertação da cidade
SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Itália cultua ‘libertadores’ brasileiros

Combatentes da Força Expedicionária Brasileira são tidos como heróis em cidades italianas, que todos os anos comemoram a libertação

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Texto publicado na edição impressa de 28 de setembro de 2014
Relato




Nomes como Montese, Cama-iora e Massarosa soam desconhecidos para muitos brasileiros. Para parte dos italianos que vivem nessas localidades, porém, o Brasil tem um significado especial. Não se trata de turismo, samba ou futebol, mas de uma parte importante da história daquela região. Há 70 anos, durante a Segunda Guerra Mundial, foi a ação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que libertou a população dessas cidades dos nazifascistas. O episódio é lembrado até os dias atuais, em conversas com os moradores e em celebrações realizadas anualmente.
Foi em 2 de julho de 1944 que as tropas brasileiras desembarcaram em solo italiano. O primeiro combate aconteceu em setembro no Vale do Rio Serchio, na Toscana, norte do país. A partir daí teve início uma ofensiva que tomou várias cidades da região, tendo o momento mais crítico em Monte Castelo, numa batalha que durou quase três meses. A conquista da cidade é tida como fundamental para que os Aliados derrotassem as forças do Eixo na Itália.
Homenagens
Mario Pereira nasceu na Itália, mas é filho de brasileiro. Mais precisamente do subtenente Miguel Pereira, integrante da FEB que optou por fixar moradia na região após os combates. Até a morte dele, em 2003, era o ex-combatente quem cuidava do Monumento Votivo de Pistoia, erguido no local onde até a década de 1960 estava o cemitério em que foram enterrados os brasileiros mortos em combate (depois os restos foram transferidos para o Brasil). “No dia 2 de novembro de todos os anos é realizada uma grande solenidade para homenagear os soldados da FEB mortos em solo italiano”, conta Mario, que assumiu o posto do pai na administração do monumento.
De acordo com ele, homenagens desse tipo são realizadas em grande parte dos municípios da região, que também contam com monumentos para lembrar a ação brasileira. “A comunidade italiana vê os brasileiros como verdadeiros libertadores. Muitos são os testemunhos de acontecimentos, pessoas que contam para as novas gerações aqueles momentos de sofrimento e a grande ajuda que receberam”, relata Mario, lembrando que não se encontram monumentos semelhantes dedicados a outros países aliados.
Memória
Solidariedade dos pracinhas é lembrada em cidades libertadas
Solidariedade. Essa foi a palavra que Sirio Sebastião Frölich, militar e pesquisador do Exército, mais ouviu dos italianos quando eles se referiam à atuação dos brasileiros na Segunda Guerra Mundial. Na Itália, ele percorreu boa parte do roteiro feito pela FEB durante o conflito. “Sem exceções, os italianos que conviveram com os pracinhas confirmaram que eles eram mais solidários do que qualquer outro”, revela.
Sirio é autor do livro Longa Jornada – Com a FEB na Itália, no qual descreve a trajetória e o cotidiano de alguns dos soldados que saíram do Rio Grande do Sul para combater em solo italiano. Para ele, o reconhecimento dos pracinhas é maior fora do que dentro do Brasil. “Isso se deve principalmente ao conhecimento da conduta do pracinha em combate e no convívio com a população italiana”, afirma.
Esse sentimento é compartilhado pelo advogado Zafer Pires Ferreira Filho, cujo pai lutou pela FEB. Em 2012, ele visitou com a família algumas das cidades libertadas pelas tropas brasileiras. “Ficamos emocionados, mas ao mesmo tempo tristes, por lembrarmos do sentimento oposto do brasileiro de uma forma geral e das autoridades, de desconhecimento e indiferença por um período tão importante na história do Brasil”, lamenta.



 

FEB Lourival Clementino dos Santos - YouTube


Lourival Clementino dos Santos: o herói Rio-Verdense ...


Marcus Pedrosa – Pesquisador da Segunda Guerra Mundial.

Fui convidado a escrever sobre o Seu Lourival, ex-pracinha que combateu na
Força Expedicionária Brasileira - FEB no teatro italiano da Segunda Grande
Guerra, na condição de seu amigo, e não de jornalista, como acontecera
naqueles idos de agosto alguns anos atrás.
Aqui devo falar um pouco sobre eu mesmo e meu interesse por assuntos
relacionados à Grande Guerra, o que me levou por fim a encontrar o Seu
Lourival: Desde quando eu ingressara no impresso “Jornal Dinâmico” como
repórter e jornalista, eu tinha fixo o ideal de fazer uma matéria sobre a Segunda
Guerra Mundial.
Por que exatamente uma matéria sobre a Segunda Guerra? Não sei explicar o
fascínio, se é que dá para usar esse termo em um acontecimento que matou
pelo menos 70 milhões de pessoas, pela Grande Guerra, o qual me
acompanha desde a infância. Tenho mantido coleção de revistas, recortes de
jornais, filmes e outros registros ao longo dos anos. Já tive inclusive sonhos
estranhos relacionados à guerra em que, obviamente, nunca lutei, não com
este corpo. Não obstante, a Grande Guerra é tão familiar para mim que, ao
lado do Seu Lourival, nas periódicas visitas que lhe faço, às vezes sinto-me
estranhamente como se fosse um de seus ex-companheiros de front ...
Assim, tão logo obtive a permissão do editor do jornal para fazer a matéria,
para minha satisfação, de página inteira, fui ao Tiro de Guerra 11-006 em Rio
Verde-GO e encontrei o Seu Lourival nos registros dos veteranos da referida
cidade. Eu tinha em mente uma matéria não baseada em páginas frias com
conteúdo repetitivo, eu queria uma fonte viva de onde eu pudesse extrair fatos
da guerra com a máxima originalidade e fidelidade.
Enfim, graças a essas circunstâncias, cheguei ao convívio com Seu Lourival,
sobre quem discorrerei a seguir do ponto de vista do amigo que me tornei, das
tardes preenchidas com um bom bate-papo regado com um bom cafezinho.
Não há como deixar de admirar e se afeiçoar ao Seu Lourival desde o início.
Um homem com sua vitalidade, clareza de raciocínio, boa memória e
cordialidade, faz-nos esquecer que ele é uma pessoa que encarou a morte
bem de perto incontáveis vezes, em dias que para muitos só existem nos livros
de História.
Mas nada disso, nem os riscos da guerra, nem o tempo, parecem ter alterado o
homem generoso que eu conheci. Nunca, nos três anos que frequento sua
casa, ouvi Seu Lourival se queixar de qualquer coisa, fosse dos dias da guerra,
fosse dos dias atuais. Talvez o mais próximo disso foi sua resistência em falar
sobre sua experiência na guerra; e depois, quando tudo já se tornara familiar
entre nós, ele certa vez disse, vagamente, que era sadio, mas a guerra o
deixara doente.
Podemos ter uma noção vaga do que o Seu Lourival passou, se prestarmos
atenção nos seguintes versos da música “1916”:
“Mas eu soube na hora
Que um ano no front
Era uma vida longa o bastante
Para um soldado.”
Seja como for, ele seguiu em frente, nem o frio de 18 graus abaixo de zero do
inverno europeu, nem os bombardeios e minas alemães, nem o tiro que ele
levou de algum combatente do Eixo perto da cidade de Pizza, foram suficientes
para mudar a essência desse homem quem subitamente foi surpreendido junto
do pai numa roça de algodão para ser convocado a ir à guerra.
Com efeito, a determinação e resignação de Seu Lourival também são
cativantes. Ele se tornara uma referência para mim quando contou a reação de
sua família à convocação – mesmo com a advertência de todos, inclusive do
pai, de que morreria caso fosse à guerra, mesmo com o mal-estar da mãe, ele
não hesitou em seguir para Natal em 1943, e de lá para a Itália. Suas palavras
me acompanham onde quer que eu vá, especialmente nas situações difíceis:
“Se morrer, morreu. Todo mundo está sujeito a qualquer coisa.” Felizmente,
não foi o que aconteceu.
Seu Lourival já havia sido lapidado na dura labuta da roça aos 20 anos, e
novamente seria lapidado no rigor da vida militar para se tornar um combatente
– mas o polimento final somente aconteceria na Itália, com suas ruínas, suas
explosões, suas florestas escondendo incontáveis inimigos – Seu Lourival se
tornaria um diamante perfeito. E tal foi a preciosidade de homem que encontrei.
Nossas conversas variam, falamos sobre rios, peixes, sobre a maravilha de se
achar mel em uma árvore quando se está fazendo lenha e outros trabalhos na
fazenda (algo que também temos em comum), sobre guerras – ora fico
prestando atenção enquanto ele me explica o funcionamento de diversos
materiais bélicos e armas, ora ele me fala do efeito devastador das minas
alemãs, muitas das quais ainda estão na Itália, perdidas e ativas, e também
dos arsenais que são mantidos mundo afora, à espera de novos embates
(como a questão da Síria, que ele usou como exemplo e não sem uma certa
indignação).
Mas não falamos em guerra com tanta frequência, como já foi comentado, não
é um tema confortável para o Seu Lourival. Em geral, simplesmente acontece
de comentarmos um ou outro evento, mas a conversa invariavelmente termina
rápido com uma desaprovação sua sobre o que ele considera “a vergonha do
mundo”.
Eu costumo dizer que, após ter vestido uma farda, eu nunca deixei de ser um
soldado. Para mim a ordem e a disciplina são diretrizes finais, é um modo de
vida, sobretudo nos últimos anos, que para mim têm sido um verdadeiro front
sem armas expostas. Portanto, sempre que encontro Seu Lourival, penso que
a vida de armas se infiltrou de tal modo nele também que ele não é apenas
aquele respeitável senhor em trajes civis que encontramos na varanda de sua
casa: de certa forma, ele ainda é o Tenente Lourival, e com a mesma diligência
e dureza de um oficial sob fogo inimigo ele conduz sua vida e seus problemas,
ciente de que precisa ser “o último homem de pé”, a quintessência de um
soldado.
Napoleão Bonaparte dizia que a coragem civil não é a mesma que a coragem
militar, mas às vezes eu me pergunto se é possível separar os dois num exsoldado,
especialmente aquele que lutou numa guerra.
Por tudo isso, ter sido acolhido como seu amigo, para mim, é uma glória maior
do que qualquer honra militar ou civil. O que haveria de mais honroso do que
ser aceito ao lado de um homem que sobreviveu a uma situação em que a
morte era regra e não exceção, que vivenciou os extremos da engenhosidade a
serviço da perversidade humana, e nem por isso se tornou altivo e insensível,
ao contrário, tornou-se acolhedor e cordial? Não foi por menos que, no dia em
que ele me presenteou com um chapéu de “caubói”, senti-me tão lisonjeado
quanto o generalíssimo soviético Stálin ao receber do premiê inglês Churchill
uma espada pela vitória em Stalingrado, Rússia.
Dizem que o nome que uma pessoa recebe ao nascer de certo modo define
seu destino. No caso de Seu Lourival, creio que isso faça sentido: Lourival vem
de “louros”, as folhas que os romanos usavam para ornamentar a cabeça de
seus césares e outras personalidades que conquistavam o reconhecimento e a
glória. É o que vejo, portanto, em Seu Lourival: um vitorioso, um vencedor em
todas as batalhas – fossem elas nos campos do Rio Grande do Norte, de
Goiás, ou da Itália devastada.
E dado o valor de Seu Lourival e vários outros ex-pracinhas desta terra,
encerro esta crônica fazendo um apelo à Municipalidade rio-verdense. Mais de
70 anos se passaram, e tudo o que a cidade fez para prestar-lhes homenagem
foi uma pequena pirâmide de brita na praça São Sebastião, em 1947.
Depois disso, nada mais apropriado e à altura de seus méritos foi construído
para servir de memória aos ex-combatentes da FEB, um total descaso para
com aqueles que contribuíram para sermos o que somos hoje – alguém já
parou para pensar como seriam nossas vidas se eles não tivessem ido à
guerra para vencê-la junto dos Aliados? Fica, portanto, o convite à reflexão e
ação.
https://www.youtube.com/watch?v=S3SDkRCovdI

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Luismar Coutinho
CORRETOR CRECI-28984 AVALIADOR DE IMÓVEIS CNAI - 31962
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Luismar Lacerda Coutinho Presidente da Associação dos Corretores de Imóveis do Município de Rio Verde Goiás e Distritos ASCIRVD seja um associado