Documento foi aprovado pelo CNE nesta sexta e segue para a homologação do MEC. Para especialistas, processo de implementação exigirá apoio para as redes de ensino com mais dificuldades.
Por Ana Carolina Moreno, G1
Os conselheiros Joaquim José Soares Neto e Francisco Soares, relatores da BNCC no CNE, e o presidente do CNE, Eduardo Deschamps (Foto: Divulgação/MEC/Mariana Leal)
Destaques
- Ensino religioso ganha diretrizes sobre o que deve ser ensinado do 1º ao 9º ano
- Alfabetização foi antecipada e deve ser concluída até o segundo ano
- Orientações sobre identidade de gênero devem ser discutidas por comissão especial do CNE
- Aprovação por 20 votos a 3 teve polêmicas por regime de urgência e críticas por falta de transparência
- Homologação será na quarta (20) e escolas devem adotar até início da 2020
- Base não apaga as desigualdades, dizem especialistas
Para especialistas ouvidos pelo G1,
a Base representa um avanço para a melhoria da qualidade do ensino no
Brasil, mas tirá-la do papel vai exigir grandes esforços, principalmente
para as escolas e redes que já enfrentam mais dificuldades.
"A escola brasileira é um reflexo da sociedade brasileira. Ela é
marcada por profundas desigualdades", afirmou Alessio Costa Lima,
presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação
(Undime).
"A
gente tem que ter clareza de que a Base por si só não vem resolver
todos os problemas da educação, ela é apenas um elemento que regulamenta
o que tem que ser aprendido." - Alessio Costa
Para Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann, que integra o
Movimento pela Base, afirma que o Brasil está inaugurando uma nova fase
para a educação brasileira, onde o sistema educacional, pela primeira
vez, vai estar pautado por aquilo que é esperado que o aluno aprenda.
"Agora você tem um sistema que vai ser coerente, onde a gente não
começa pela avaliação, onde o livro apoia o professor para ensinar o que
o aluno tem que aprender", disse ele. Mizne afirma, porém, que a Base
não é mágica. "Essa leitura de que a Base tenha uma aplicação automática
nas escolas, sem uma discussão do que vai acontecer nas redes, está
errada", diz ele.
- Ensino religioso ganha diretrizes sobre o que deve ser ensinado do 1º ao 9º ano
- Alfabetização foi antecipada e deve ser concluída até o segundo ano
- Orientações sobre identidade de gênero devem ser discutidas por comissão especial do CNE
- Aprovação por 20 votos a 3 teve polêmicas por regime de urgência e críticas por falta de transparência
- Homologação será na quarta (20) e escolas devem adotar até início da 2020
- Base não apaga as desigualdades, dizem especialistas
Para especialistas ouvidos pelo G1,
a Base representa um avanço para a melhoria da qualidade do ensino no
Brasil, mas tirá-la do papel vai exigir grandes esforços, principalmente
para as escolas e redes que já enfrentam mais dificuldades.
"A escola brasileira é um reflexo da sociedade brasileira. Ela é
marcada por profundas desigualdades", afirmou Alessio Costa Lima,
presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação
(Undime).
"A gente tem que ter clareza de que a Base por si só não vem resolver todos os problemas da educação, ela é apenas um elemento que regulamenta o que tem que ser aprendido." - Alessio Costa
Para Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann, que integra o
Movimento pela Base, afirma que o Brasil está inaugurando uma nova fase
para a educação brasileira, onde o sistema educacional, pela primeira
vez, vai estar pautado por aquilo que é esperado que o aluno aprenda.
"Agora você tem um sistema que vai ser coerente, onde a gente não
começa pela avaliação, onde o livro apoia o professor para ensinar o que
o aluno tem que aprender", disse ele. Mizne afirma, porém, que a Base
não é mágica. "Essa leitura de que a Base tenha uma aplicação automática
nas escolas, sem uma discussão do que vai acontecer nas redes, está
errada", diz ele.
"Não é mágica. Não é porque foi criada a Base que as desigualdades vão acabar. Mas alguns indícios vão ajudar. Hoje já tem um percentual muito grande de estados que já montaram os seus comitês para a implementação da Base." - Denis Mizne (Fundação Lemann)
Alguns estados já avançaram mais
Mizne afirmou que, na sexta, pelo menos em São Paulo, Goiás e Mato
Grosso haviam reuniões agendadas entre os gestores de educação para
discutir a implementação do documento nas escolas públicas estaduais e
municipais. O prazo para a implementação é até 2020.
De acordo com dados do Movimento pela Base, cerca de 15 estados já
criaram ou estão em processo de criação das comissões, que trabalharam
no regime de colaboração, ou seja, com as redes estaduais atuando em
conjunto com as municipais para a revisão ou criação dos currículos em
adequação com a nova norma.
"O município poderá fazer em regime de colaboração com outros
municípios vizinhos com realidades sociais e econômicas semelhantes",
explicou Alessio, da Undime.
"Temos 5.568 municípios brasileiros, 27 estados. Não precisamos ter esse mesmo número de currículos. Podemos ter currículos sendo elaborados de forma colaborativa entre um, dois, três municípios, ou mesmo um conjunto de municípios, e uma colaboração de municípios e redes estaduais." - Alessio Costa Lima (Undime)
Ele explica que enquanto algumas redes têm quadro altamente graduado de professores, há escolas que sequer conseguiram ter todos os seus professores habilitados nas áreas que lecionam.
Em entrevista ao G1,
Rossieli Soares da Silva, secretário de Educação Básica do MEC, afirmou
que um dos princípios da Base é o regime de colaboração. "O currículo
não é nosso, é das escolas. O MEC apoiará as redes para fazer essa
construção, o apoio técnico especialmente é fundamental para os
municípios brasileiros." Veja os próximos passos da BNCC
Críticas ao processo de elaboração
Apesar de aprovada por 20 votos a favor e apenas três contrários, a
versão da BNCC discutida na fase final do processo de aprovação no CNE
foi criticada por diversos segmentos da sociedade. As conselheiras
Aurina Oliveira Santa, Márcia Ângela Aguiar e Malvina Tuttman, que na
semana passada pediram vista na votação por considerarem que não houve
tempo de analisar o documento, votaram contra a sua aprovação.
Entre os pontos que levantaram mais questionamentos estão a antecipação
do processo de alfabetização, que apareceu apenas em abril, quase dois
anos após o início de elaboração do documento, e o retorno do ensino
religioso ao texto, que já havia sido retirado, mas foi reincluído pelo
MEC de última hora e acabou ganhando status de "área do conhecimento",
ao lado de linguagens, matemática, ciências humanas e ciências da
natureza.
Por causa das mudanças depois do processo de escuta pública e
seminários com professores e especialistas nos 26 estados e no Distrito
Federal, Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo
Direito à Educação (CNDE), afirmou que um dos desafios que pode fazer
com a Base não saia do papel é a resistência dos professores em
aplicá-la na sala de aula.
"A Base de Temer tende a não ser implementada", disse ele ao G1.
Cara considera o documento final "ilegítimo", e diz que a Base é
"falsamente participativa, obscurantista e submissa à lógica das
avaliações de larga escala". Por isso, ela pode não ter adesão dos
professores.
"É uma base que nasce de um processo de participação inflado e fantasioso, que se submeteu ao obscurantismo religioso e que terá a resistência dos professores e dos formadores de professores. No começo vai parecer que será implementada. Depois, ficará reduzida ao PNLD [Plano Nacional do Livro Didático] e às avaliações de larga escala." - Daniel Cara (CNDE)
Em nota divulgada nesta sexta-feira, o Centro de Estudos e Pesquisas em
Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) avalia que "o texto
aprovado traz muitos avanços em relação às versões anteriores, contudo
há pontos preocupantes, como a indicação da oferta do ensino religioso e
a supressão das questões de gênero e de orientação sexual".
Mônica Gardelli Franco, superintendente do Cenpec, afirmou, na nota,
que a Base precisa garantir que todos os estudantes, independente de
renda, raça ou orientação sexual, tenham acesso ao mesmo "conjunto de
conhecimentos e de práticas culturais" necessárias para o pleno
desenvolvimento e o exercício da cidadania, garantidos pela
Constituição.
“O reconhecimento das diferentes formas de gênero e sexualidade existentes é fundamental para uma educação cidadã, pois essa realidade está presente no cotidiano dos professores, que necessitam de orientações precisas que os apoiem para conduzir de maneira não discriminatória o seu trabalho sobre essas questões." - Mônica Gardelli Franco (Cenpec)
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Luismar Coutinho
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Luismar Lacerda Coutinho Presidente da Associação dos Corretores de Imóveis do Município de Rio Verde Goiás e Distritos ASCIRVD seja um associado