Dilma "pedalou", mas Temer não, diz ministro do TCU
- Agência BrasilAugusto Nardes foi o relator das contas de 2014 de Dilma no TCU
O ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Augusto Nardes refutou em entrevista ao UOL nesta quarta-feira (1º), em Aracaju, a tese de que o presidente interino, Michel Temer (PMDB), praticou "pedaladas fiscais" ao assinar decretos de autorização de créditos suplementares.
Nardes foi o relator das contas de 2014 da agora presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), no TCU, que foram reprovadas pela corte. O ministro fez o parecer denunciando as pedaladas, que serviram de fundamento para o processo de impeachment que está em curso no Senado.
"Ele [Temer] assinou decretos antes da mudança da meta [fiscal]. O último decreto que foi assinado por ele estava dentro da meta, e a Dilma assinou posterior à meta, por isso que ela foi responsabilizada na representação do Ministério Público do TCU. E o Temer, não. Porque assinou dentro da meta estabelecida. Ele não chegou a pedalar", disse.
Temer é alvo de um pedido de processo de impeachment na Câmara que pede sua responsabilização por conta da assinatura dos decretos.
Em entrevista antes de proferir palestra a legisladores do país que realizam encontro na capital sergipana, Nardes também citou que há diferenças entre as "pedaladas" praticadas pelo governo federal e pelos Estados -o argumento é citado por aliados de Dilma em defesa da legalidade dos atos praticados pela presidente afastada.
"São situações diferentes. O que ocorreu: a União usou, em 2014, R$ 40 bilhões da Caixa e do Banco do Brasil; R$ 6 bilhões do FGTS, dinheiro do trabalhador; e depois abriu crédito sem autorização do Congresso. É como se um governador abrisse crédito sem aprovação da Assembleia, ou um prefeito da Câmara", afirmou.
"E aí chegamos a R$ 106 bilhões [de pedaladas], e deu nesse deficit de R$ 175 bilhões desse ano, já projetado [pelo governo Temer]. E o ano que vem a situação vai ser ainda pior, pois a situação da Previdência é muito grave. Ano que vem a previsão de deficit é de R$ 250 bilhões", completou.
Nardes afirmou que provar uma "pedalada fiscal" é algo complicado para quem julga contas. "Conceituar pedalada é difícil, porque pedalar é jogar para frente, empurrar com a barriga, é não pagar a dívida naquele momento e tentar fazer com que ela seja paga a posteriori. Só que chega um momento em que a bicicleta para, quebra, e o país estava indo nessa situação. Aliás, muitos Estados estão quebrados, literalmente", explicou.
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Luismar Coutinho
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Luismar Lacerda Coutinho Presidente da Associação dos Corretores de Imóveis do Município de Rio Verde Goiás e Distritos ASCIRVD seja um associado