segunda-feira, 27 de junho de 2016

Após 50 mortes em 2916,candidatos dizem por que querem ser PMs no RJ

Após 50 mortes em 2016, candidatos dizem por que querem ser PMs no RJ Concursados citam estabilidade, vocação e influência familiar como motivos. Policial que fazia segurança de Paes será enterrado nesta segunda-feira. 27/06/2016 06h34 - Atualizado em 27/06/2016 06h34 Por Alessandro Ferreira Do G1 Rio  Grupo de candidatos aprovados no concurso da PM acompanha audiência sobre o tema na Alerj (Foto: Alessandro Ferreira/G1) Salários baixos e, ultimamente, pagos com atraso ou em parcelas. Más condições de trabalho, casos de corrupção e imagem da corporação desgastada. E, principalmente, o risco inerente à profissão potencializado pela violência no Rio: foram 50 mortes só em 2016 – já contando o óbito do tenente que atuava na segurança do prefeito Eduardo Paes, no domingo (26). Diante de tantos indícios desanimadores, o que ainda leva alguém a optar pela carreira de policial militar no Rio de Janeiro? O G1 conversou com candidatos aprovados no último concurso para a PM, realizado em 2014. Embora se mantenham firmes na intenção de ingressar na corporação, é fácil perceber que a precaução já é regra antes mesmo de vestir a farda: praticamente todos só concordaram em falar sob a condição de não serem identificados, por temerem represálias. Os entrevistados estiveram em uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na quarta-feira (22), na qual foi discutida justamente a lentidão na incorporação dos aprovados – cerca de 4,5 mil ainda esperam pela convocação. Sou formada em administração de empresas, mas fui mãe e precisei cuidar da minha filha. Estou há cinco anos fora do mercado e só consigo empregos de baixa qualificação, como telemarketing. Então optei por ao menos ter alguma estabilidade no serviço público, embora meu marido tenha tentado me fazer desistir" candidata a policial militar Para uma candidata, de 32 anos e casada com um PM lotado numa Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), a corporação foi a oportunidade mais palpável de se recolocar no mercado de trabalho, mesmo contra a opinião do marido. "Sou formada em administração de empresas, mas fui mãe e precisei cuidar da minha filha. Estou há cinco anos fora do mercado e só consigo empregos de baixa qualificação, como telemarketing. Então optei por ao menos ter alguma estabilidade no serviço público, embora meu marido tenha tentado me fazer desistir", conta ela. Chance de melhorar de vida Único dos entrevistados que aceitou se identificar, Nilton Monteiro, 30 anos, vê o ingresso na polícia como uma tentativa de melhorar de vida que, para ele, atrai principalmente quem não tem muitas opções. "Um sujeito cuja família tenha recursos não escolhe ser praça da PM, é claro, mas para muitos é a única chance de ter um salário e poder até bancar os estudos. E ainda há a possibilidade de fazer carreira na PM", explica, acrescentando que o medo de ser identificado por um criminoso e acabar baleado também deve ser considerado. "Quando você escolhe ser policial, tem que abdicar de pelo menos parte da sua vida social, mas há os que preferem manter a rotina e acabam se expondo a riscos." No meu caso, a escolha da profissão tem a ver com a vocação mesmo: eu sempre quis ser policial, desde que me entendo por gente"" candidata a PM A vocação para a carreira de policial e a influência familiar também têm peso na escolha de muitos, como uma jovem loura também presente à audiência. "No meu caso, a escolha da profissão tem a ver com a vocação mesmo: eu sempre quis ser policial, desde que me entendo por gente", disse. Opinião idêntica à de dois amigos, que são colegas do nono período de Direito e disseram trazer a vontade de trabalhar na segurança pública desde garotos. Outro candidato ressalta que para ser policial é preciso ter bom preparo psicológico para enfrentar as ameaças do cotidiano, mas cita o ambiente no qual foi criado como impulso para escolher a PM. "A influência familiar conta, pois tenho vários parentes policiais. Acho que posso cumprir uma função muito importante para sociedade, mas vejo as dificuldades de perto: meu pai e meu irmão, ambos PMs, não recebem o RAS desde novembro", diz o rapaz, referindo-se à gratificação do Regime Adicional de Serviço, que é paga aos agentes que fazem horas extras para a própria Polícia Militar.  Candidatos aprovados no concurso para a PM não conseguiram acompanhar audiência sobre o tema na Alerj (Foto: Alessandro Ferreira/G1)

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Luismar Coutinho
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