domingo, 22 de abril de 2018

Alertas por salmonella em produtos brasileiros sobem 1.400% na Europa

Ausência de fiscais agropecuários nas inspeções sanitárias do SIF é um dos problemas apontados por europeus em auditoria feita desde 2017

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Europa retirou a permissão para exportação de carne de 20 frigoríficos

Europa retirou a permissão para exportação de carne de 20 frigoríficos

CRIS FAGA/FOX PRESS PHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO - 19.04.2018
A quantidade de produtos alimentícios brasileiros testados positivamente para a bactéria salmonella na Europa aumentou 1.400% entre 2016 e 2017. Carregamentos de aves congeladas, principalmente de frango e peru, são os mais afetados, mas a lista também inclui produtos à base de soja, farinha de soja transgênica, pimenta-preta e os “ossinhos” para cães, que são feitos de couro bovino.
As notificações foram emitidas pelo Sistema de Alerta Rápido para Alimentos e Rações (Rasff, na sigla em inglês), vinculado à Direção-Geral de Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia.
Em 2017, o Rasff emitiu 371 notificações para produtos brasileiros de origem animal, sendo 330 relacionadas à salmonella. Em 2016, foram 56 alertas, dos quais 22 para a bactéria (veja os números no gráfico mais abaixo).
Falhas na fiscalização sanitária do Ministério da Agricultura foi o motivo alegado pela Comissão Europeia para barrar na quinta-feira (20) a exportação de carne de 20 frigoríficos brasileiros que estavam autorizados para vender ao continente. O veto afeta principalmente a exportação de frango. Para o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, a medida não se deve a problemas na fiscalização, mas a uma guerra comercial, com objetivo de criar barreiras aos produtos brasileiros e proteger os produtores europeus.
O bloqueio europeu foi anunciado um mês após a Polícia Federal deflagrar a terceira fase da operação Carne Fraca, quando investigações apontaram que frigoríficos brasileiros fraudavam testes em laboratório para esconder a presença de salmonella em produtos de exportação. As fraudes se concentraram na BRF (dona das marcas Sadia e Perdigão) e contaram, inclusive, com a vista grossa de executivos da empresa, como revelou o R7 no mês passado.
O Rasff é um sistema que, após identificar irregularidades em alimentos para humanos ou rações para animais, impede a entrada do lote no continente e envia um alerta para todos os postos fronteiriços do bloco europeu.
Existem mais de 2.000 tipos diferentes de salmonella. A bactéria não causa danos à saúde desde que preparada de forma adequada, em altas temperaturas, por cozimento ou fritura. O Brasil tolera até 20% de sua produção com a bactéria, mas há importadores que só compram produtos livres da bactéria, entre eles a Europa. Veja abaixo a quantidade de alertas nos últimos anos:
Explicações
O aumento de notificações está relacionado à primeira fase da Carne Fraca, deflagrada em março de 2017, quando se revelaram fraudes na comercialização de carnes para o mercado interno e externo, como adulteração de produtos e pagamento de propina a fiscais para afrouxar a fiscalização e autorizar a venda das mercadorias. Após a operação, a Comissão Europeia deixou de comprar dos frigoríficos envolvidos e tornou a fiscalização dos produtos brasileiros mais rígida.
Desde então, 100% dos lotes de alimentos e rações são testados “fisicamente” e 20% passam por teste microbiológico, em laboratório, explica Anca Paduraru, porta-voz da Comissão Europeia para Saúde, Segurança Alimentar e União da Energia, em entrevista por e-mail  ao R7. Anteriormente, os testes eram feitos de forma aleatória. O ritmo de alertas já reduziu em 2018.
Questionada sobre a alta nas notificações em 2017, Paduraru diz que "as autoridades brasileiras são as mais indicadas para explicar".
R7 entrou em contato com o Ministério da Agricultura pela primeira vez em 9 de março para tratar do tema e solicitar entrevistas, repetindo o contato em 12 de março, 16 de março e 20 de abril.
“Se trata de um programa que visa a redução da Salmonella. A prevalência no Brasil é mais alta que na Europa, portanto temos uma meta mais alta. Com o tempo, esta meta tende a diminuir e chegaremos a patamares como da UE”, informou o Dipoa (Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal), vinculado ao minstério, na única resposta oficial recebida pela reportagem.
A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) afirma que o aumento das notificações por salmonella se deve à maior fiscalização e que a bactéria não apresenta riscos ao consumidor europeu.
"Houve uma intensificação na fiscalização dos embarques, o que aumentou o número de notificações. Vale ressaltar, entretanto, que o total notificado equivale a menos de 2% do total exportado — anualmente, embarcamos quase 15 mil contêineres para a Comunidade Europeia. As notificações se referem em sua maioria absoluta (mais de 95%) à Salmonella spp, que não representa qualquer risco para o consumidor europeu", diz a associação (leia a nota completa ao final).
A ABPA também "lamenta a suspensão da habilitação de 20 plantas exportadoras de carne de frango pela União Europeia" e, assim como o governo federal, classifica a medida como "protecionista".
Má higiene e falhas na fiscalização do SIF
Ao tornar mais rígida a fiscalização, a Comissão Europeia identificou irregularidades em frigoríficos que já tinham apresentado problemas anteriormente em relação à salmonella. Além de notificar os membros do bloco europeu, o Rasff envia os alertas para os países exportadores tomarem providências. Ao identificar essa reincidência, a Europa decidiu enviar uma equipe de inspetores ao Brasil, em maio do ano passado, que acabou encontrando outras irregularidades.
Na avaliação dos inspetores, o governo federal, por meio do SIF (Serviço de Inspeção Federal), tem dificuldades em realizar as fiscalizações, o que “compromete a confiabilidade do certificado de exportação”, segundo relatório da Direção-Geral de Saúde e Segurança Alimentar publicado em setembro.
Os auditores visitaram abatedouros que tinham recebido várias notificações da Rasff e encontraram irregularidades como "proximidade entre carcaças recém-abatidas e carcaças [já] abatidas, separadas e lavadas", "contato de carcaças com a superfície do equipamento" e "más práticas de higiene”.
"Essas questões não foram detectadas pelas inspeções do SIF ou na supervisão anual do Sipoa", afirmaram os auditores.
"As autoridades [brasileiras] falharam em garantir que todos os abatedouros de aves certificados para exportação à Europa estejam sob supervisão de fiscais agropecuários e/ou que obrigações oficiais sejam cumpridas de acordo com as regras da União Europeia"
Auditoria da Comissão Europeia sobre firgoríficos brasileiros (setembro de 2017)
Uma das exigências da União Europeia para comprar os produtos brasileiros é a inspeção sanitária antes e após o abate das aves de criação. Em 16 estabelecimentos visitados, 2 não contavam com o fiscal agropecuário. Os europeus não informam o nome da empresa, mas dizem se tratar de um dos maiores exportadores de proteína animal para a Europa. Esse mesmo problema já havia sido detectado em fiscalizações realizadas em 2011 e 2013.
Auditoria aponta em relatório veterinário incorporado à equipe do SIF

Auditoria aponta em relatório veterinário incorporado à equipe do SIF

Reprodução
As fiscalizações encontraram ainda um veterinário contratado pelo próprio frigorífico incorporado à equipe do SIF. O veterinário só foi demitido após o alerta dos europeus.
"A equipe de auditoria observou algumas diferenças entre os requisitos brasileiros e os da União Europeia em relação às inspeções ante mortem e post mortem e aos critérios microbiológicos aplicados à Salmonella em carne de frango", diz o documento.
A auditoria concluiu à época que "as autoridades competentes estão assinando certificados de exportação, apesar de serem incapazes de garantir as informações ali contidas". A exceção, diz o relatório, é o setor de bovinos.
Em respostas à auditoria, o Ministério da Agricultura informou à União Europeia, em setembro, que estava reorganizando a equipe e contratando 300 fiscais agropecuários, entre outras medidas administrativas, como a “verticalização” do SIF para blindar as inspeções de interferências políticas.
No fim de janeiro, uma equipe de inspetores retornou ao Brasil para avaliar a aplicação das exigências europeias. "Seu resultado será de primordial importância para definir o caminho a seguir", diz Paduraru, em entrevista concedida antes de a Comissão Europeia anunciar o bloqueio aos 20 frigoríficos brasileiros.
— O relatório da Comissão Europeia faz recomendações para enfrentar essas deficiências sistêmicas, ao invés de se concentrar no que foi encontrado no locais individualmente. A finalidade da auditoria é verificar se as ações tomadas pelas autoridadas brasileiras foram implementadas conforme anunciadas e se foram efetivas, de modo geral, em lidar com as deficiências identificadas. Estamos buscando melhorias em toda a cadeia de produção.
Auditoria europeia encontrou falhas no serviço federal de inspeção sanitária

Auditoria europeia encontrou falhas no serviço federal de inspeção sanitária

Nacho Doce/Reuters - 27.07.2017
Outro lado
Procurado pelo R7, o Ministério da Agricultura não comentou o resultado da auditoria europeia.
A seguir, leia a nota completa da ABPA:
"A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) lamenta a suspensão da habilitação de 20 plantas exportadoras de carne de frango pela União Europeia, conforme informações divulgadas pela autoridade sanitária do bloco econômico.
A associação considera infundada a decisão tomada pelos estados europeus, como uma medida protecionista que não se ampara em riscos sanitários ou de saúde pública.  A decisão tomada hoje pela Comunidade Europeia é desproporcional e inconsistente diante das regras estabelecidas pelo Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Exatamente por isto, a ABPA encomendou um estudo que embasará o painel que o Brasil poderá apresentar na OMC contra a União Europeia, conforme já anunciado em coletiva pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi.   No painel proposto, deverão ser questionados os critérios determinados para os embarques de produtos salgados (com apenas 1,2% de sal adicionado), que são obrigados a cumprir critérios de análises para mais de 2,6 mil tipos de Salmonella.  Para que se tenha uma ideia, ao produto estritamente in natura (sem sal adicionado) pesam apenas análises para dois tipos de Salmonella.
De qualquer forma, é importante destacar que após a ocorrência da Operação Carne Fraca, em 17 de março [de 2017], houve uma intensificação na fiscalização dos embarques, o que aumentou o número de notificações. Vale ressaltar, entretanto, que o total notificado equivale a menos de 2% do total exportado — anualmente, embarcamos quase 15 mil contêineres para a Comunidade Europeia. As notificações se referem em sua maioria absoluta (mais de 95%) à Salmonella spp, que não representa qualquer risco para o consumidor europeu, já que são produtos direcionados para o processamento (o que, necessariamente, prevê o cozimento e a eliminação da Salmonella). Tanto é que, anteriormente, as próprias autoridades europeias fiscalizavam esta questão de forma randômica. O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo — obviamente, se comparado com outros competidores, seus números serão superiores em qualquer situação, seja em volume embarcado e, consequentemente, em notificações. Mas só o Brasil tem 100% de suas cargas inspecionadas no embarque de produtos para o Bloco Europeu".

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Imposto de Renda: como declarar bens de parente que faleceu?


Prazo para entrega do documento termina no dia 30 de abril deste ano. Quem não respeitar prazo pode ser multado

receita - imposto de renda 800

receita - imposto de renda 800

Tom Vieira Freitas /Fotoarena/Folhapress - 26.12.2017
Depois da morte de um contribuinte, é preciso declarar todos os bens deixados no Imposto de Renda. O internauta do R7 Cauê Trevisan quer saber como deve incluir os bens do pai, que faleceu em outubro de 2017. 
Segundo a presidente do CRCSP (Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo), Marcia Ruz Alcazar, explica como declarar o item de forma correta no Imposto de Renda. 
— Na tela de identificação do contribuinte, item ocupação principal, colocar código 81, do inventariante ou do interessado com poderes de inventariante, quando se tratar de inventário e partilha por escritura pública nos termos do que dispõe os arts. 610 e 611 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de Processo Civil (CPC).
O prazo para envio da declaração do Imposto de Renda termina no dia 30 de abril deste ano. Os contribuintes que não enviarem o documento dentro da data determinada pela Receita podem ser multados. 
O valor mínimo é de R$ 165,74 e o máximo pode chegar a até 20% do imposto devido.

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sexta-feira, 20 de abril de 2018

Fachin decide que Maluf pode cumprir pena em prisão domiciliar

 

Deputado federal está internado em São Paulo desde o dia 6 de abril; Maluf foi condenado por lavagem de dinheiro

STF decide por prisão domiciliar para Maluf

STF decide por prisão domiciliar para Maluf

Wagner Pires/Futura Press/Folhapress - 22.12.2017
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin concedeu, na sessão desta quinta-feira (19), um habeas corpus de ofício para que Paulo Maluf (PP-SP) cumpra a pena em prisão domiciliar. 
— Estou deferindo de ofício a prisão domiciliar e monocraticamente.
Com a decisão de Fachin, os ministros entenderam que o habeas corpus concedido anteriormente por Toffoli ficou prejudicado e, por isso, não foi votado.
Maluf foi preso em dezembro do ano passado, por ordem do ministro Edson Fachin, que considerou que a defesa dele estava usando recursos protelatórios para evitar o cumprimento da pena. A condenação por lavagem de dinheiro ocorreu em maio de 2017.
O deputado federal afastado cumpriu a prisão no Presídio da Papuda, em Brasília, por três meses. Porém, após ser internado em um hospital de Brasília, o ministro Dias Toffoli autorizou o político a cumprir prisão domiciliar em São Paulo, para onde ele foi levado no dia 30 de março.
Já cumprindo prisão domiciliar na capital paulista, o deputado federal passou mal e está internado desde o dia 6 de abril. Um relatório elaborado por uma junta médica indica um agravamento do câncer de próstata de Maluf, que tem 86 anos.
Embargos infringentes
Na primeira parte do julgamento, que começou na quarta-feira (18) e continuou nesta quinta (19), os ministros decidiram, por 6 votos a 5, que não cabe mais recursos da defesa do deputado contra a condenação a sete anos e nove meses de prisão por lavagem de dinheiro. 
De acordo com a investigação, Maluf movimentou US$ 15 milhões entre 1998 e 2006 em contas bancárias na ilha de Jersey. O dinheiro teria sido desviado enquanto o político era prefeito de São Paulo (1993-1996).

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quinta-feira, 19 de abril de 2018

Um milhão de indígenas brasileiros buscam alternativas para sobreviver


O dia do Índio é comemorado em 19 de abril
O dia do Índio é comemorado em 19 de abrilDa Agência Brasil
Há, no Brasil, cerca de 1 milhão de indígenas de mais de 250 etnias distintas vivendo em 13,8% do território nacional.
Em meio às ameaças de violência, riscos de perda de direitos em decorrência da pressão dos latifundiários, mineradoras e usinas, alguns povos indígenas lutam por mais autonomia, tentando conquistar, com a comercialização de seus produtos e,  com o turismo, alternativas para diminuir a dependência dos recursos cada vez mais escassos da Funai (Fundação Nacional do Índio).
Segundo especialistas consultados pela Agência Brasil, estes são alguns dos principais desafios a serem lembrados neste 19 de abril — o Dia do Índio.
Para serem bem-sucedidos, nessa empreitada visando a venda de suas produções e a exploração dos recursos naturais das terras indígenas, os povos indígenas têm como desafio buscar maior representatividade no Congresso Nacional, uma vez que cabe ao Legislativo Federal criar políticas específicas que deem segurança jurídica para que eles consigam o desenvolvimento financeiro do qual sempre foram excluídos.
Sustentabilidade
Alguns povos indígenas que tiveram suas terras homologadas têm conseguido bons resultados por meio da comercialização de seus produtos. Levantamento apresentado à Agência Brasil pelo Instituto Socioambiental (ISA) aponta que, somente na safra 2017/2018, índios da etnia Kaiapó do Pará obtiveram cerca de R$ 1 milhão com a venda de 200 toneladas de castanha. Outros R$ 39 mil foram obtidos com a venda de sementes de cumaru, planta utilizada para a fabricação de medicamentos, aromas, bem como para indústria madeireira.
A castanha rendeu aos Xipaya e Kuruaya, no Pará, R$ 450 mil, dinheiro obtido com a venda de 90 toneladas do produto. Cerca de 6 mil peças de artesanato oriundo das Terras Indígenas do Alto e do Médio Rio Negro renderam R$ 250 mil aos índios da região. Já os indígenas da TI Yanomami (Roraima e Amazonas) tiveram uma receita de R$ 77 mil com a venda de 253 quilos de cogumelos.
Os exemplos de produções financeiramente bem-sucedidas abrangem também os Baniwa (AM), que venderam 2.183 potes de pimenta, que renderam R$ 46,3 mil. As 16 etnias que vivem no Parque do Xingu obtiveram R$ 28,5 mil com a venda de 459 quilos de mel.
R7
R7
Autonomia
O presidente da Funai, general Franklimberg Ribeiro Freitas, disse que cabe aos indígenas a escolha do modelo de desenvolvimento a ser adotado. “A Funai deve apoiá-los para atingir seus objetivos”, afirmou à Agência Brasil. “Em diversas regiões, os índios estão produzindo visando à comercialização de seus produtos ou mesmo serviços, como o turismo ecológico. Essas experiências mostram que a extração sustentável, a comercialização de produtos e o turismo podem ajudar a ampliar o desenvolvimento das Terras Indígenas”, disse o presidente do órgão indigenista.
Franklimberg destacou que entre as etnias que produzem e avançam na comercialização de produtos e serviços estão os Kaiapós do Pará.  “Eles produzem toneladas de castanha e agora reivindicam máquinas para beneficiar o produto”, ressaltou. “Há também o cultivo e a venda de camarão, pelos Potiguara da Paraíba, que está bastante avançada. Tem até a lavoura de soja dos Pareci, no Mato Grosso”.
O presidente da Funai acrescentou ainda que: “No caso do minério e dos recursos hídricos, é preciso ainda normatizar e regulamentar essas atividades, o que cabe ao Congresso Nacional fazer”.
Congresso Nacional
Para o antropólogo e professor da Universidade de Brasília Stephen Baines, os indígenas são preteridos na relação com os empresários e donos de terras. “Há uma desproporção absurda no Legislativo brasileiro a favor daqueles que querem o retrocesso dos direitos dos povos indígenas, previstos na Constituição de 1988 e na legislação internacional”, disse à Agência Brasil.
“Temos atualmente um Congresso Nacional extremamente conservador que representa – por meio de parlamentares ligados à bancada ruralista, ao agronegócio, às empresas de mineração e aos consórcios de mineração e de usinas hidrelétricas – a maior ameaça e o maior ataque aos direitos dos povos indígenas", afirmou o antropólogo.
Segundo Baines, é difícil para os índios planejar grandes voos do ponto de vista de recursos, sem que, antes, seja resolvida a questão da gestão territorial, o que inclui a segurança jurídica que só é possível a eles após terem suas terras demarcadas e homologadas.
“É fundamental que se tenha respeito pelos índios e pela sua forma de viver e produzir. Para tanto, é necessária a efetivação dos direitos previstos tanto na Constituição como pelas convenções internacionais”, disse Baines citando convenções da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e ONU (Organização das Nações Unidas) sobre os direitos dos povos indígenas.
Violência
Stephen Baines afirmou que a violência contra os índios ainda é intensa em várias comunidades, como nos estados do Pará, Mato Grosso e Roraima. “Há muitas ameaças contra os índios, feitas por latifundiários, empresas e pelos capangas, que matam lideranças locais que lutam pelos seus direitos. Quer saber onde os índios correm mais riscos? Basta olhar para as terras indígenas que estão próximas a latifúndios”, disse.
Baines citou como exemplo o ocorrido na Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR), onde fazendeiros que vieram de outras regiões se instalaram. “Eles invadiram as áreas indígenas para desenvolver produção industrial de arroz. Para expulsar os índios da região, usavam capangas. Até indígenas foram pagos por eles para intimidar as lideranças”, afirmou.  “Atualmente, muitos daqueles invasores são atualmente influentes políticos locais e federais e, com a ajuda da mídia, passam a falsa ideia de que há muita miséria entre os indígenas. Os indígenas negam isso, mas não conseguem espaço na mídia para desmentir a história falsa.”
À Agência Brasil, o integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária e líder do PSDB na Câmara, deputado Nilson Leitão (MT), disse que "nenhum projeto" aprovado pelo Congresso Nacional traz prejuízos aos interesses dos indígenas. "Pode ir contra o interesse de intermediários, interventores ou organizações sociais, que dizem trabalhar para o índio. Nenhum deputado que eu conheço, que defenda o setor produtivo, trabalha contra o índio", disse.
Nilson Leitão afirmou que o "verdadeiro parceiro do índio são os produtores". "[Indígenas e produtores] são vizinhos, moram na mesma localidade, têm as mesmas peculiaridades e colaboram um com o outro. Não existe conflito entre eles a não ser aqueles provocados por organizações sociais", disse.
Marco temporal
O antropólogo alertou sobre "marco temporal", medida que divide opiniões, busca produzir a área das terras indígenas, colocando como referência para as demarcações as terras que estavam ocupadas na época em que a Constituição foi promulgada [1988], ou seja, quando os "indígenas foram removidos e expulsos de suas terras em todo o Brasil”.
Neste cenário, as manifestações indígenas ganharam mais força, como o caso do Acampamento Terra Livre, organizado pela Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil). Formado em 2004, é a maior mobilização de povos indígenas do país. Em 2017, mais de 3 mil indígenas de 200 povos participaram da manifestação em Brasília.
No próximo dia 23, haverá a 15ª edição da mobilização, em Brasília, em defesa da manutenção e efetivação dos diretos dos povos indígenas.
R7
Mais demandas
Os diversos grupos indígenas apelam por mais mecanismos de segurança jurídica para o desenvolvimento e comercialização de seus produtos. “A segurança jurídica não pode ficar restrita a grandes grupos econômicos. Além de ter seus direitos respeitados e a liberdade para explorar as terras como acharem melhor, os indígenas precisam também de incentivos para produzir, respeitando seus próprios modos de produção”, argumentou Stephen Baines
Segundo o antropólogo, o conhecimento tradicional sobre a relação com o ambiente faz parte dos produtos indígenas e, ao mesmo tempo, valoriza a questão ambiental. “Não há dúvida de que o fato de serem feitos por indígenas dá ao produto um diferencial, por serem ecologicamente seguros. Inclusive há lojas na Europa muitas lojas que vendem produtos industrializados como sendo indígenas. Alguns até usam uma pequena quantidade de óleo de castanha kaiapó para associar a imagem do produto à ideia de produção sustentável em suas campanhas de marketing”.
Em menor escala, a forma de produção indígena é bastante diferente da exploração industrial, que, segundo ele, é desastrosa e provoca impactos ambientais irreversíveis. “Quando eles optam pela mineração, eles o fazem por meio de uma maneira própria de garimpagem em pequena escala. Extraem somente o necessário, pensando nas gerações futuras. Não querem empresas porque sabem que elas tiram tudo de uma vez, não deixando nada para o futuro”.
Para Baines, é importante a adoção de cotas indígenas no ensino superior, como fez de forma pioneira a Universidade de Brasília (UnB). Em 2017, havia 67 alunos indígenas de 15 povos. Destes, 42 faziam graduação e 25 pós-graduação.
Política
O assessor parlamentar da Funai Sebastião Terena disse que as lideranças indígenas têm trabalhado também para ampliar a representatividade de índios na política brasileira nas eleições de 2018, em especial no Congresso Nacional. As dificuldades, no entanto, não são poucas. Na história do Parlamento brasileiro, o único indígena eleito foi Mário Juruna, em 1982, para a Câmara dos Deputados.
Pelos dados de Terena, há apenas 117 vereadores indígenas cumprindo mandato em 25 unidades federativas, além de quatro prefeitos e um vice-prefeito. “Apesar da falta de recursos e de infraestrutura, pela primeira vez teremos pré-candidatos indígenas em pelo menos 10 estados e no Distrito Federal”, disse Terena à Agência Brasil. A definição dessas candidaturas deve ocorrer em julho.
O antropólogo Stephen Baines lamenta que “apenas uma pequena minoria de parlamentares luta pelos direitos indígenas”. “Em parte, isso se explica porque muito do dinheiro do agronegócio e das empresas e consórcios acaba sendo usado em campanhas eleitorais das bancadas contrárias aos povos indígenas. E muito provavelmente parte do financiamento vantajoso que é direcionado ao agronegócio acaba servindo também para financiar as campanhas dessa bancada que faz de tudo para inviabilizar candidaturas indígenas”, acrescentou.
Na avaliação de Baines, a data de hoje — Dia do Índio — é importante não só para o protagonismo indígena, mas também para chamar a atenção das pessoas interessadas na defesa dos direitos indígenas.


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Começa a valer lei que endurece punição para motorista embriagado


Pena entre 5 e 8 anos impede que motoristas paguem fiança imediata por homicídio culposo ou de lesão corporal sob o efeito de álcool ou drogas

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Punição será mais dura para motorista embriagado

Punição será mais dura para motorista embriagado

Diogo Zanatta/PressDigital/Folhapress - 15.5.2012
Começam a valer nesta quinta-feira (19) as punições mais rigorosas aos motoristas embriagados ou sob o efeito de drogas que forem condenados por acidentes de trânsito.
De acordo com a nova determinação, que passa a valer 120 dias após a publicação oficial do texto, os motoristas responsabilizados por homicídio sem a intenção de matar (culposo) ou lesão corporal grave e gravíssima deverão cumprir reclusão de 5 a 8 anos e suspensão ou proibição de dirigir.
Até então, a pena máxima aos motoristas considerados culpados em casos do tipo estava fixada entre 2 e 4 anos. O prazo permitia que condenados por acidentes de trânsito com mortes sequer fossem para a cadeia.
A advogada Anna Julia Menezes, do departamento de Direito Penal do Braga Nascimento e Zilio Advogados, explica que o aumento da pena impede que o delegado estabeleça o pagamento de uma fiança dentro da delegacia para os casos envolvendo embriaguez.
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“Agora não tem mais essa prerrogativa [do pagamento imediato da fiança]. O delegado tem que lavrar o auto de prisão em flagrante e comunicar o juiz, que decidirá ou não arbitrar a fiança para o acusado”, afirma Menezes.
O Código Brasileiro de Trânsito estabelece que a capacidade alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa é considerada em casos de concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar ou sinais que indiquem a alteração da capacidade psicomotora.
Segundo Menezes, as seguidas evoluções da lei a respeito da embriaguez ao volante sempre “tornou mais gravosa” a punição aos motoristas na tentativa de repreender a prática.
Ao comentar o trecho da lei que estabelece a “suspensão ou proibição do direito de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor”, a advogada diz que decisão é tomada “até mesmo nos crimes sem vítima”. “O juiz estabelece por qual período a pessoa fica sem dirigir ou se proíbe em caráter ad eternum que a pessoa não dirija”, reforça Menezes.

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terça-feira, 17 de abril de 2018

Segunda Turma do STF rejeita denúncia contra deputados José Otávio Germano e Luiz Fernando Faria

Parlamentares foram acusados de corrupção por suposto pagamento de propina ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. 

Para ministros, não havia provas suficientes contra eles.

Por Fernanda Calgaro, G1, Brasília
 

Por falta de provas, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou nesta terça-feira (17) denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra os deputados federais Luiz Fernando Faria (PP-MG) e José Otávio Germano (PP-RS) por corrupção passiva no âmbito da Operação Lava Jato.
No mês passado, ao lado de outros dois políticos do PP, os parlamentares viraram réus em um processo por suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Na denúncia rejeitada nesta terça, Faria e Germano foram acusados de pagar propina de R$ 200 mil ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para retribuir a inclusão da Fidens Engenharia no rol de empresas aptas a participar de grandes contratos da estatal.
Em sua delação premiada, Paulo Roberto Costa disse que nem chegou a pedir o dinheiro, que teria sido entregue pelos parlamentares em um hotel de luxo no Rio de Janeiro como um "agrado" após a empresa ter sido contratada pela Petrobras.
No entanto, os ministros avaliaram que a denúncia se baseou apenas no depoimento do ex-dirigente da Petrobras e não apresentou provas dos ilícitos que teriam sido praticados.
“Vê-se que todo o enredo delituoso tem como fundamento o relato do Paulo Roberto Costa”, disse o relator do caso, ministro Edson Fachin.
Em seu voto, Fachin destacou que o Ministério Público não apontou nem quando o dinheiro teria sido entregue, mas apenas apresentou quatro datas aproximadas em que poderia ter ocorrido a entrega do dinheiro.
Ainda sobre o suposto recebimento de propina, afirmou: "A acusação não apresenta em nenhum momento credibilidade suficiente para inaugurar a ação penal contra os acusados".
Ele observou que a acusação de que os deputados teriam feito o pagamento em dinheiro em um hotel destoa do método usado por outros acusados de participação no esquema de corrupção na Petrobras.
“O caso difere substancialmente da prática narrada por agentes públicos comparada a outros atos”, afirmou.
Os demais ministros da Segunda Turma, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Celso de Mello, tiveram o mesmo entendimento do relator e votaram pela rejeição da denúncia.


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