sábado, 19 de agosto de 2017

Cármen Lúcia manda tribunais informarem salários de juízes

Edição do dia 18/08/2017
18/08/2017 22h10 - Atualizado em 18/08/2017 22h10


Presidente do CNJ e do Supremo, ela quer detalhes das remunerações.
Objetivo da portaria do Conselho Nacional de Justiça é evitar supersalários.

A presidente do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, determinou que todos os tribunais do país passem a informar os salários pagos aos juízes de forma detalhada, discriminando inclusive valores extras, como auxílio e verbas especiais. O objetivo é evitar os supersalários.
O que o Conselho Nacional de Justiça quer é tornar mais transparente o Judiciário brasileiro, mostrar como é gasto o dinheiro público, principalmente os salários dos juízes. A portaria publicada nesta sexta-feira (18) foi motivada por casos escandalosos que só recentemente vieram à tona.
Em Pernambuco, os juízes ganharam o direito de receber, ao todo, R$ 7 milhões em auxílio-alimentação atrasados. O detalhe é que no período a ser pago ninguém estava trabalhando - eram férias. Além dos atrasados, eles terão o direito ao auxílio nas férias daqui para frente.
A Associação dos Magistrados de Pernambuco alegou que foi a “correção de uma injustiça”, pois eles “eram os únicos que não recebiam o auxílio alimentação nas férias”.
O Tribunal de Justiça pernambucano informou que o pagamento está condicionado à disponibilidade financeira e orçamentaria da instituição.
Em Mato Grosso, na comarca de Sinop, a 500 quilômetros de Cuiabá, o juiz Mirko Vincenzo Giannotte recebeu quase R$ 504 mil em vencimentos no início de agosto. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso alegou que o Conselho Nacional de Justiça havia autorizado o pagamento extra, referente ao período em que o juiz atuou em uma comarca de porte maior e recebeu salário menor.
“Eu recebi dez X ao invés de X no mês de julho porque, além do X normal, vamos assim dizer, os outros nove pontos advêm de descontos, ou melhor, de salários, subsídios não recebido ao longo de dez anos de carreira”, justificou o juiz Giannotte.
O CNJ negou que tivesse autorizado qualquer benefício extra, que coloque os vencimentos dos juízes acima do teto constitucional, que é o salário de ministro do Supremo: R$ 33,763.
Em Mato Grosso, pelo menos 84 juízes ganharam mais de R$ 100 mil no mês de agosto. Dezoito deles receberam mais de R$ 300 mil. O TJ mato-grossense explicou que os valores são resultado de acerto de contas atrasadas de 2004 e 2009 - valores acumulados que agora estão sendo pagos com juros e correção monetária.
Não é de hoje que Conselho Nacional de Justiça tenta segurar os exageros nas folhas de pagamentos dos tribunais. Desde 2009, o conselho investiga denúncias, cobra o cumprimento da regra do teto e anula aumentos excessivos. Mas nunca a ordem foi tão objetiva e clara.
A portaria assinada pela ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo e do conselho, determina que todos os tribunais do país passem a informar cada detalhe dos salários pagos aos juízes e desembargadores, discriminando inclusive valores extras, como auxílios e verbas especiais. Os TJs têm dez dias para enviar para o CNJ cópia das folhas de pagamento dos magistrados de janeiro até agora.
A portaria prevê a criação de um espaço dentro do site do CNJ onde qualquer cidadão poderá se informar sobre os salários dos magistrados. Atualmente, os tribunais já divulgam os salários nos sites, nos espaços de transparência, mas não indicam o que significa cada valor, o que prejudica o acompanhamento por parte da sociedade.
As associações de magistrados alegam que os pagamentos milionários muitas vezes são esporádicos ou decorrentes de benefícios e verbas indenizatórias que não entram no cálculo do teto, como diárias ou auxílio-creche. Também contam eventuais indenizações por atuação em outras funções, por exemplo. O próprio STF já decidiu que esse tipo de verba, chamada verba indenizatória, não entra no cálculo do teto.
No Supremo, na semana passada, os ministros votaram contra aumento dos próprios salários em 2018, entendendo que o momento é de sacrifício de todos. Mesmo assim, o ministro Luiz Roberto Barroso afirma que há abusos e lembra que a lei existe para ser cumprida, sobretudo por juízes.
“A remuneração de um juiz, como qualquer coisa em uma democracia, ela tem que ser transparente. Portanto, o juiz tem que receber como determina a Constituição, subsídios, um valor único, relevante, satisfatório, mas sem verbas ocultas, sem verbas inexplicáveis, sem verbas que os cidadãos comuns não só não recebem como não são capazes de entender como auxílio-paletó, auxílio-educação, indenização pelas coisas mais implausíveis”, disse Barroso.
O economista Gil Castelo Branco, da Associação Contas Abertas, avalia que a decisão do CNJ vai expor o contraste entre o teto e a remuneração recebida pelos juízes em todo o país.
“A sociedade já não suporta mais os valores exorbitantes que podem até ter um amparo legal, mas são absolutamente imorais. O salário está dentro do teto, mas os penduricalhos, as vantagens eventuais acabam fazendo com que tenha remunerações desse valor exorbitante. Então, o que é esperado agora é essa determinação do Conselho Nacional de Justiça, efetivamente essas vantagens sejam a que título for, sejam suprimidas”, afirmou Castelo Branco.

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Deputados suspendem auxílio-alimentação de R$ 6 mil em RO


Além de revogar o projeto, parlamentares reduziram 20% da verba indenizatória. Sessão extraordinário teve presença de 15 deputados.

Por G1 RO
 

Em sessão extraordinário deputados estaduais revogam Projeto de Resolução que criava auxílio-alimentação de R$ 6 mil além de cortar 20% em verba indenizatória (Foto: Jheniffer Núbia /  G1)Em sessão extraordinário deputados estaduais revogam Projeto de Resolução que criava auxílio-alimentação de R$ 6 mil além de cortar 20% em verba indenizatória (Foto: Jheniffer Núbia /  G1)
Em sessão extraordinário deputados estaduais revogam Projeto de Resolução que criava auxílio-alimentação de R$ 6 mil além de cortar 20% em verba indenizatória (Foto: Jheniffer Núbia / G1)
Os deputados estaduais suspenderam, nesta sexta-feira (18), a resolução que permitia um auxílio-alimentação de R$ 6 mil. A revogação ocorreu na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), durante uma sessão extraordinária. Na ocasião eles também anunciaram a redução de 20% no valor da verba indenizatória.

Durante a sessão extraordinária, onde teve 15 deputados presentes, o presidente da ALE-RO, Maurão de Carvalho, informou a decisão dos deputados em revogar o Projeto de Resolução 377, que autorizava um auxílio-aimentação de R$ 6 mil.
“A Assembleia está em sintonia com a sociedade e ouvimos o clamor popular.Também assumimos o compromisso de não criarmos mais nenhuma despesa”, disse Maurão.
O presidente também destacou que, além de revogar o Projeto de Resolução, será cortado 20% na verba indenizatória dos deputados, um valor de R$ 6,4 mil.
“Em consenso, definimos o fim do auxílio, a redução da verba em 20% e a proibição de ressarcir despesas com alimentação na cota parlamentar”, disse.
Presidente da ALE-RO, Maurão de Carvalho, ressalta que atitude deveria ser copiada por outros poderes e também assembleias do país (Foto: Jheniffer Núbia / G1)Presidente da ALE-RO, Maurão de Carvalho, ressalta que atitude deveria ser copiada por outros poderes e também assembleias do país (Foto: Jheniffer Núbia / G1)
Presidente da ALE-RO, Maurão de Carvalho, ressalta que atitude deveria ser copiada por outros poderes e também assembleias do país (Foto: Jheniffer Núbia / G1)
Maurão ainda ressaltou que a decisão tomada pelos parlamentares da ALE-RO é um exemplo para os demais poderes e instituições que contam com auxílio-alimentação, além das Assembleias do país.
”O Legislativo de Rondônia sai na frente e reduz seus gastos. Tomara que outros sigam o nosso exemplo e também acabem com o auxílio alimentação ou reduzam os valores”, completou Maurão

O deputado Aércio da TV (PP) ressalta que o valor a ser economizado tem que voltar para a sociedade de alguma forma.
”Não apenas o Legislativo, mas todos os poderes e instituições precisam estar antenados com a sociedade. Atitude nobre reconhecer o erro, consertá-lo e ainda fazer mais. Que seja uma tendência em outros setores. O importante que o que for economizado, possa chegar à sociedade." pontuou.

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domingo, 13 de agosto de 2017

Convocados têm até dia 21 para agendar perícia de revisão do auxílio-doença




Mais de 55.000 pessoas tem direito a benefício e não foram localizadas

Os beneficiários do auxílio-doença convocados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 1º de agosto têm até o dia 21 deste mês para agendar a perícia de revisão do benefício. Foram chamados 55.152 pessoas que não foram localizados pelo INSS por alguma inconsistência no endereço.
A lista dos convocados está disponível no site do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e no Diário Oficial da União (DOU). Para o beneficiário conferir se o nome consta na lista do DOU, no campo de busca do site ele deve digitar o nome, selecionando apenas a seção 3 e a data de 1º de agosto.
Caso tenha sido convocada, a pessoa deverá entrar em contato exclusivamente com a central de atendimento, ligando para o número 135. Não é preciso ir até uma agência do INSS para fazer a marcação da perícia. Pelo 135, também é possível atualizar o endereço.
Na ocasião da perícia, deverá ser apresentada toda a documentação médica que justifique o recebimento do benefício, como atestados, laudos, receitas e exames. O segurado que estiver internado ou enfermo e não puder comparecer, deverá requerer a perícia domiciliar ou hospitalar. A solicitação deve ser feita em uma agência do INSS por um representante, com documento médico indicando a condição de impossibilidade.
Se o beneficiário não entrar em contato ou não comparecer na data agendada, o auxílio-doença será bloqueado. A partir do bloqueio, ele tem 60 dias para marcar a perícia. Com o agendamento dentro do prazo, o benefício é liberado até a realização da perícia. Se passados 60 dias sem que o beneficiário se manifeste, o benefício é cancelado.
Segundo o MDS, o objetivo do pente-fino adotado pelo governo federal é garantir que os recursos públicos cheguem a quem realmente precisa. Ao todo, 530.191 benefícios de auxílio-doença serão revisados.
Até 14 de julho, foram realizadas 199.981 perícias. Como resultado, 159.964 pessoas tiveram o benefício cancelado por não precisarem mais recebê-lo. A ausência de convocados na perícia levou ao cancelamento de outros 20.304 benefícios. Além disso, 31.863 benefícios foram convertidos em aposentadoria por invalidez, 1.802 em auxílio-acidente, 1.058 em aposentadoria por invalidez com acréscimo de 25% no valor do benefício e 5.294 pessoas foram encaminhadas para reabilitação profissional.
A economia anual estimada até agora é de R$ 2,6 bilhões.
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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Governo vai reduzir salário inicial do funcionalismo federal


AJUSTE NO SETOR PÚBLICO

POR MÍRIAM LEITÃO

Além de adiar o reajuste dos servidores para 2019, o pacote que o governo prepara com medidas duras para o funcionalismo mudará a progressão salarial das carreiras. O salário inicial terá redução considerável, com os rendimentos aumentando gradativamente durante o período trabalhado.
Atualmente, em algumas carreiras a remuneração começa já bem elevada, e atinge o teto em pouco tempo. Isso vai mudar. Essa é uma das mudanças estruturais para o funcionalismo que o governo vai divulgar em breve. 
Leia mais no GLOBO
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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

MP muda fundo para dar verba à ciência


São Paulo - Responsável pela administração do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) - que é a principal fonte de recursos para a pesquisa tecnológica do Brasil, tanto no setor público como no privado -, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) propôs uma mudança na lei que regula o fundo, na tentativa de amenizar os graves impactos da crise sobre os investimentos públicos em pesquisa.
De acordo com o economista Marcos Cintra, presidente da Finep, o FNDCT está atualmente com metade de seus recursos contingenciados. A Finep fica praticamente paralisada: tem recursos para pagar os projetos de inovação já assinados no passado, mas não consegue investir em projetos novos este ano.
Segundo Cintra, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), à qual a Finep é vinculada, enviou à Casa Civil, na terça-feira, uma proposta de medida provisória para mudar o perfil do FNDCT, que deixaria de ser um fundo contábil para se tornar um fundo financeiro. Cintra afirma que a mudança será suficiente para contornar o problema de recursos para a inovação mesmo que os contingenciamentos continuem.
Os recursos do FNDC são utilizados pela Finep para financiar a inovação em duas modalidades: empréstimos para empresas que querem pesquisar, ou financiamento a fundo perdido para projetos inovadores de universidades ou institutos de pesquisa. "O setor de inovação no Brasil é financiado quase que exclusivamente pelo FNDCT, que é alimentado por vários fundos setoriais. Mas o fundo está cada vez mais contingenciado por causa do ajuste fiscal, resultando em um prejuízo tremendo para a ciência e tecnologia", disse Cintra à reportagem.
Segundo ele, como hoje o FNDCT é um fundo contábil, os valores que são contingenciados (para serem usados no pagamento da dívida pública ou para superávit fiscal), mesmo depois de liberados voltam ao Tesouro Nacional e deixam de ser empregados em ciência e tecnologia - objetivo para o qual foram arrecadados. Com a medida provisória, ele se tornaria um fundo financeiro e, com isso, os recursos permaneceriam no FNDCT, rendendo juros, até sua eventual liberação.
"No passado, os recursos destinados à Finep chegavam a R$ 4 bilhões por ano. Este ano, o orçamento é de R$ 1,2 bilhão e podemos executar apenas R$ 600 milhões para investimento a fundo perdido. Por isso a Finep não fez nenhuma ação nova este ano", disse Cintra. Segundo ele, o impacto dos cortes de recursos é uma tragédia para a ciência inovadora no Brasil. "Estamos assistindo a um verdadeiro desmonte de nossa estrutura de ciência e tecnologia, com equipes e laboratórios inteiros se desfazendo", afirmou.
Segundo Cintra, se o FNDCT tivesse sido transformado em fundo financeiro há dez anos, mesmo com todos os contingenciamentos feitos nesse período o fundo teria um saldo acumulado de R$ 45 bilhões, em vez dos R$ 9 bilhões atualmente em caixa. No modelo atual, os recursos contingenciados voltam para o Tesouro e não retornam para o setor científico.
"Hoje o fundo tem saldo de R$ 9 bilhões não utilizados, mas esse dinheiro não vai compor a base orçamentária de 2018", diz ele. "Essa base será composta por R$ 4 bilhões a serem arrecadados ao longo do ano. Como o fundo é contábil, o que sobra não vai para a ciência. Isso cria uma imensa instabilidade para a comunidade científica."
De acordo com Cintra, com o perfil financeiro, o FNDCT começaria 2018 já com R$ 9 bilhões em caixa. "Se continuar aplicando o saldo, até 2030 o fundo teria R$ 50 bilhões, tornando-se a linha de investimento a fundo perdido totalmente autossustentável. Esses recursos necessariamente seriam investidos em pesquisa", declarou.
Investimentos
O FNDCT é composto por 16 fundos setoriais ligados a áreas como petróleo, energia, saúde e biotecnologia e nos últimos anos representou cerca de 30% do orçamento do Ministério. Em 2016, por exemplo, a agência investiu R$ 40 milhões no Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), para que o País tenha autonomia em radiofármacos, R$ 12,3 milhões na Rede de Pesquisa e Desenvolvimento em Gás Não Convencional da USP, R$ 6,3 milhões na infraestrutura de teste de propulsores de satélites do Inpe e R$ 5,5 milhões para que o CNPq desenvolvesse redes ópticas de futura geração. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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