quinta-feira, 29 de junho de 2017

Aliados ameaçam travar CCJ para forçar escolha de relator governista


Senadores do PMDB querem Alceu Moreira para cuidar de denúncia contra Temer

Agência Estado

Rodrigo Pacheco é o presidente da CCJ do Senado
Rodrigo Pacheco é o presidente da CCJ do SenadoAgência Senado
Para pressionar o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), a escolher um nome alinhado com o governo para relatar a denúncia contra o presidente Michel Temer, governistas estão dispostos a paralisar os trabalhos no colegiado. Em conversa com Temer, os aliados sugeriram inviabilizar Pacheco na presidência da comissão se o escolhido não for, preferencialmente, Alceu Moreira (PMDB-RS).
Como Pacheco foi eleito para presidir a CCJ, ele é o único membro da comissão que não pode ser substituído pela liderança. Pacheco também não pode ser questionado pela escolha do relator. A inviabilização significa, na prática, impedir o funcionamento da maior comissão da Casa.
O argumento dos aliados é de que Alceu é mais confiável que Jones Martins (PMDB-RS), apadrinhado político do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Martins é suplente na CCJ e tem uma atuação mais discreta, enquanto Moreira é membro ativo da "tropa de choque" do governo e capaz de suportar a pressão da opinião pública.
Para pressionar Pacheco, peemedebistas lembram que ele foi indicado ao cargo pelo PMDB e, como ele tem pretensão de ser candidato ao governo de Minas, uma ação contra Temer pode prejudicar sua imagem — seu eleitor é anti-PT.
Pacheco minimizou a ação dos governistas para intimidá-lo. "Isso só me estimula", disse ao Estado/Broadcast. O peemedebista afirmou que a iniciativa só atrapalharia a comissão e não o atingiria. O deputado tem demonstrado um comportamento autônomo ao governo.
Atualmente, a base governista tem colocado obstáculos apenas às sessões marcadas para apreciar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que possibilita a eleição direta em situação de vacância da Presidência. Em tom de desabafo, Pacheco disse que a obstrução dos governistas "já está aborrecendo". "A PEC das Diretas permanecerá na pauta até que seja apreciada, admitida ou não", afirmou.

Obrigado a todos e, juntos faremos a mais ampla democracia digital. A você que a cada instante busca melhoras em seu convívio, e deseja levar seu conhecimento a outras pessoas use nosso Blog, aqui você faz a diferença.

Raquel Dodge, a "centralizadora" de "reputação respeitável" que substituirá Janot na PGR


Dentro do Ministério Público, escolhida de Temer fazia oposição a Procurador

BBC BRASIL
 

Subprocuradora é considerada "centralizadora" e de carreira "respeitável" dentro no MPF
Subprocuradora é considerada "centralizadora" e de carreira "respeitável" dentro no MPFBBC BRASIL
A subprocuradora-geral Raquel Dodge será a primeira mulher a comandar a PGR (Procuradoria-geral da República) a partir de setembro, quando substituir o procurador Rodrigo Janot.
Dodge foi a segunda mais votada da Lista Tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República, entregue na tarde de quarta-feira (28) ao presidente Michel Temer. Horas depois, o Planalto anunciou sua indicação para o cargo.
Ela ainda será submetida a uma sabatina no Senado para ter sua indicação aprovada pelos senadores antes de ser oficializada.
A subprocuradora, que é mestre em Direito pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e entrou no Ministério Público Federal em 1987, estava atrás de Nicolao Dino, que era tido como o candidato mais próximo a Janot.
Ela é descrita como alguém de perfil "centralizador" e com reputação "respeitável" no MPF. Segundo procuradores ouvidos pela BBC Brasil, Dodge não é entendida como uma ameaça à Operação Lava Jato, mas dificilmente será "um novo Janot".
Nos debates entre os candidatos ao cargo, no entanto, Dodge defendeu a ampliação da operação e prometeu maior celeridade na condução dos processos.
O anúncio veio apenas dois dias depois de Janot apresentar denúncia contra Temer ao STF (Supremo Tribunal Federal) por corrupção passiva.
Tensão
Dentro do MPF, Dodge é tida como alguém que fazia oposição moderada a Rodrigo Janot. O maior enfrentamento público dos dois ocorreu em abril deste ano, no debate sobre uma proposta de Dodge que, para Janot, afetaria o andamento da Lava Jato.
A subprocuradora apresentara uma proposta ao Conselho Superior do Ministério Público para restringir o trânsito de procuradores no Ministério Público Federal.
Atualmente, procuradores de quaisquer unidades podem ser realocados para outras coordenadorias ou equipes exclusivas de determinadas investigações. A maioria dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato, por exemplo, foram cedidos por outros Estados.
Dodge argumentava, no entanto, que isso provoca desfalque em algumas procuradorias de Estados, que estão sobrecarregadas de trabalho, e sugeria limitar a 10% o número de procuradores que podem ser cedidos a outras unidades.
Na prática, isso significaria que alguns dos profissionais atualmente alocados em investigações teriam que retornar a seus Estados, caso suas procuradorias de origem estivesse desfalcadas. Segundo Dodge, as forças-tarefa da Lava Jato em Brasília, em Curitiba e no Rio não seriam afetadas pela mudança.
A maioria dos integrantes do conselho votou a favor da proposta, mas Janot se disse "perplexo" com a medida e interrompeu a decisão, pedindo vista.
O procurador disse que não fora consultado sobre um eventual impacto da medida sobre a força-tarefa da Lava Jato, ao que Dodge retrucou dizendo ter falado com ele e tentado marcar, sem sucesso, um horário para discutirem o assunto.
Após a tensão, o Conselho decidiu manter a aprovação da medida, mas com mudanças no texto original. Dessa forma, a regra só vale a partir de janeiro de 2018 e não afetará grupos de investigadores já formados. Em entrevista, Janot disse estar satisfeito com a "flexibilidade" dos membros do Conselho.
Dodge, no entanto, não foi a única candidata à procuradoria que manifestou apoio à proposta. O próprio Nicolao Dino, tido como candidato de Janot, chegou a dizer que as forças-tarefa não podiam implicar em "sacrifícios insuperáveis para as unidades que cedem essas forças de trabalho".
"Celeridade"
Em debates entre os candidatos à PGR, Dodge disse que pretende manter o que entende como os três pilares do sucesso da Lava Jato: "ninguém está acima da lei, é possível combater a corrupção com as leis que existem e é preciso ser célere".
Ela afirmou que o próximo ocupante do cargo deveria aumentar a agilidade da operação e garantir que "que a punição seja mais próxima do crime".
Após o embate com Janot sobre o trânsito de procuradores, a subprocuradora afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo que a Lava Jato "não deve retroceder um milímetro sequer" e se comprometeu a reforçar a operação e ampliar a equipe de procuradores.
Mesmo assim, sua indicação foi interpretada dentro do MPF como um "recado de Temer a Janot".
Em pronunciamento na terça-feira, o presidente acusou o procurador de buscar "revanche, destruição e vingança" ao pedir ao STF que seja processado por corrupção passiva e que a denúncia contra ele seria uma "criação ficcional".
Em nota, a PGR respondeu que Janot tem "atuação técnica, no estrito rigor da lei" e que a acusação se baseia em "fartos elementos de prova" contra o presidente.
Proteção a indígenas
Durante sua carreira no MPF, a subprocuradora fez parte da 6ª Câmara, responsável por populações indígenas e comunidades tradicionais, e diz que a "proteção especial" ao meio ambiente e aos povos indígenas deve ser defendida pelo MPF.
Dodge, que comandou a 2ª Câmara, responsável por questões criminais, até 2014, também afirma atuar "sob a diretriz de que o Direito Penal é instrumento de proteção de direitos humanos".

Obrigado a todos e, juntos faremos a mais ampla democracia digital. A você que a cada instante busca melhoras em seu convívio, e deseja levar seu conhecimento a outras pessoas use nosso Blog, aqui você faz a diferença.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Wesley Batista, da JBS, chega ao Brasil

Ele estava nos Estados Unidos e desembarcou em São Paulo por volta das 6h. O empresário não quis dizer o motivo da viagem.



Wesley Batista desembarca no Brasil (Foto: Reprodução/TV Globo)
O empresário Wesley Batista, irmão de Joesley Batista, autor da delação que gerou abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer, chegou ao Brasil na manhã desta quarta-feira (28).
Ele estava em Nova York, nos Estados Unidos, e não quis dar declarações sobre sua viagem. Wesley desembarcou no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, por volta das 6h.
De acordo com a assessoria da JBS, o empresário trabalha e vive no Brasil e se ausentou apenas por alguns dias para resolver questões de trabalho. Ainda segundo a assessoria, esta foi a primeira viagem de Wesley ao exterior desde o vazamento da delação do irmão, Joesley.
O Supremo Tribunal Federal (STF) retomará nesta quarta o julgamento sobre a validade das delações de executivos da JBS fechados no âmbito da Operação Lava Jato.
Na semana passada, sete ministros votaram para manter a homologação da delação pelo relator, Edson Fachin, nos termos acordados entre a Procuradoria Geral da República e executivos da empresa.
                                                                          Wesley Batista desembarca no Brasil (Foto: Reprodução/TV Globo
Obrigado a todos e, juntos faremos a mais ampla democracia digital. A você que a cada instante busca melhoras em seu convívio, e deseja levar seu conhecimento a outras pessoas use nosso Blog, aqui você faz a diferença.

terça-feira, 27 de junho de 2017

'Não vou aceitar interferência do governo', diz presidente da CCJ da Câmara



Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) conduzirá, na comissão, a análise da denúncia do Ministério Público Federal contra o presidente Michel Temer; ao G1, Pacheco criticou a troca de integrantes do colegiado.

O deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça (Foto: Billy Boss / Câmara dos Deputados)O deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça (Foto: Billy Boss / Câmara dos Deputados)
O deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça (Foto: Billy Boss / Câmara dos Deputados)
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), afirmou nesta terça-feira (27) que não vai aceitar "interferência" do governo na tramitação da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o presidente Michel Temer.
Ao G1, Pacheco fez críticas à troca de integrantes da comissão, como já começou a acontecer, e disse que escolherá um relator com "relativa independência" para o caso.
A denúncia contra Temer, enviada nesta segunda (26) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal, precisa do aval da Câmara para seguir para o STF. Primeiro, a CCJ formulará um parecer recomendando a continuidade ou o arquivamento do processo. Em seguida, a denúncia será votada pelo plenário.
"Não vou aceitar interferência do governo nesse assunto, nem para a escolha do relator, nem para a condução dos trabalhos."
"Minha condução será feita com isenção, independência e serei escravo do regimento da Câmara e dos princípios do direito", acrescentou.
Questionado sobre o fato de ser do mesmo partido de Temer, Pacheco diz que isso não é "nenhum constrangimento".

'Relativa independência'

Como presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco será o responsável por indicar um relator, que irá elaborar o parecer sobre a denúncia, recomendando a aceitação ou rejeição. Segundo Pacheco, a escolha será feita assim que a denúncia chegar à comissão. Não há prazo estabelecido.
"Assim que chegar a denúncia, nós vamos designar um relator com perfil técnico, conhecimento jurídico, com relativa independência, além de assiduidade na comissão. É bom que seja um advogado".

Troca de integrantes

Na avaliação de Pacheco, a troca de integrantes da comissão provoca "distorção" nos trabalhos. Nesta segunda, pouco antes de Janot oferecer a denúncia, o Solidariedade retirou da vaga de titular da CCJ o deputado Major Olimpio (SP), crítico de Temer. Ele foi substituído por Áureo (RJ), líder do partido.