sexta-feira, 27 de julho de 2018

STF suspende ação trabalhista de R$ 17 bilhões contra Petrobras


Em junho, TST decidiu que os funcionários da estatal têm direito ao pagamento de adicionais salariais que foram definidos em um acordo de 2007

STF suspende ação trabalhista contra Petrobras

STF suspende ação trabalhista contra Petrobras

Marcelo Fonseca/Folhapress
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar (decisão provisória) pedida pela Petrobras para suspender os efeitos de uma derrota judicial sofrida pela empresa no Tribunal Superior do Trabalho (TST), cujo impacto para os cofres da empresa pode chegar a R$ 17 bilhões.
Em 21 de junho, o plenário do TST decidiu, por 13 votos a 12, que os funcionários da Petrobras têm direito ao pagamento de adicionais salariais que foram definidos em um acordo coletivo assinado em 2007, beneficiando cerca de 50 mil empregados. A empresa estima que além da obrigação de pagar R$ 15 bilhões retroativos, a decisão acarreta um impacto de mais R$ 2 bilhões anuais em sua folha de pagamento.
Na ação, os trabalhadores pediram a manutenção do cálculo usado para adicionais sobre o salário, conforme o acordo coletivo. A decisão do TST afeta mais de 40 ações coletivas e outras 7 mil ações trabalhistas individuais em tramitação em todo o país.
Petrobras pediu ao STF que garantisse seu direito de recorrer antes que tivesse que fazer os pagamentos, alegando que o Código de Processo Civil (CPC) lhe garante tal prerrogativa e de modo a evitar “danos irreparáveis” à empresa. Isso porque, no julgamento de junho, o TST havia determinado o cumprimento imediato de sua decisão.

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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Envelhecimento da população coloca aposentadorias em risco


Para especialistas, o aumento da população idosa no Brasil diminui a capacidade de o sistema previdenciário pagar os benefícios 



Com mais idosos e menos jovens, bancar aposentadorias deverá ficar mais difícil

Com mais idosos e menos jovens, bancar aposentadorias deverá ficar mais difícil

Lalo de Almeida/Folhapress - 27.01.2009

Daqui a 13 anos, o número de pessoas acima de 60 anos deve superar pela primeira vez a quantidade de crianças e adolescentes (0 a 14 anos) no Brasil. O país continuará a assistir nas próximas décadas a um aumento da população idosa e a uma diminuição no número de jovens, o que exige políticas públicas a partir de hoje, segundo especialistas ouvidos pelo R7.
Além disso, dizem, é necessária uma reforma no sistema de Previdência, porque o Brasil perde a cada ano sua capacidade de pagar as aposentadorias.
O demógrafo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) Tadeu Oliveira explica que esse movimento populacional “está relacionado a alguns fatores, como a queda da fecundidade e o aumento da expectativa de vida”, uma tendência que vai permanecer nos próximos anos, diz.

Atualmente, o Brasil tem 12,4 milhões de pessoas acima de 70 anos, ou 5,9% do total da população. Em 2030, esse patamar será de 9% (20,4 milhões), o que significa mais pessoas na fila da aposentadoria.
“Isso só corrobora o fato de precisarmos fazer uma reforma na Previdência, porque teremos menos pessoas para contribuir e mais gente se aposentando. E quanto antes fizermos, melhor”, diz José Roberto Savoia, professor de finanças da USP (Universidade de São Paulo) e da FIA (Fundação Instituto de Administração).
Isso acontece porque a maior parte das aposentadorias brasileiras — incluindo os benefícios pagos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) — seguem o sistema de repartição: os trabalhadores da ativa contribuem com o sistema e bancam as aposentadorias dos inativos.
Por essa lógica, quando as gerações de hoje se aposentarem, suas aposentadorias dependerão das gerações futuras. Mas, como revela o IBGE, o número de idosos vai dobrar no Brasil em 24 anos, num ritmo muito maior de crescimento do que o da população em idade para trabalhar.
“A capacidade de pagar benefícios ficará menor”, diz o economista Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo.
— As transições demográficas sempre requerem planejamento, ou alguma geração vai pagar pelo desajuste da Previdência. Teremos que fazer este ajuste. Quanto mais demorar, mais difícil e sacrificante tende a ser o ajuste.
Ato contra a reforma da Previdência, que naufragou no Congresso em fevereiro

Ato contra a reforma da Previdência, que naufragou no Congresso em fevereiro

Rivaldo Gomes/Folhapress - 30.01.2018
Qual o modelo?
A revisão da idade mínima para se aposentar e do tempo de contribuição tem sido discutida nos últimos anos para tentar aliviar a Previdência Social brasileira.
Mudanças como essas, no entanto, são difíceis de serem aprovadas pelo Congresso e incapazes de acabar com o déficit do sistema previdenciário, avalia o consultor econômico Raul Velloso. Para ele, é preciso "reorganizar o sistema", o que significa acabar com o sistema de repartição.
— Esse sistema não consegue conviver com o envelhecimento da população, porque a despesa cresce muito e a receita não dispara. Aí fica um buraco. O sistema de repartição simples só convive bem quando a população é jovem. O começo da implantação desse regime tem uma folga [de recursos], mas do jeito que estamos o déficit é gigantesco.
Para Velloso, a preocupação maior hoje é com as aposentadorias dos servidores públicos, nas quais o déficit é maior, de cerca de R$ 86 bilhões por ano.
— A despesa na Previdência dos servidores deu uma disparada a partir de 2015, coincidindo com a crise econômica, configurando o que se chama de tempestade perfeita, que combina os efeitos da recessão com a disparada de um gasto importante. E a explicação disso é o envelhecimento da população. No INSS, os números refletem o mesmo fenômeno.
Como solução, Velloso sugere um sistema de fundos de pensão como o das grandes estatais, a exemplo do Previ, do Banco do Brasil, o maior do país.

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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Brasileiro acredita em inflação de 5,4% nos próximos 12 meses, diz FGV


Índice da Fundação Getúlio Vargas que mede a expectativa de inflação dos consumidores subiu 0,2 ponto percentual entre junho e julho

Consumidor enxerga aumento de preços à frente

Consumidor enxerga aumento de preços à frente

EBC
Os consumidores brasileiros acreditam que a inflação acumulará taxa de 5,4% nos próximos 12 meses. O resultado de julho da Expectativa de Inflação dos Consumidores, medida pela FGV (Fundação Getulio Vargas), é 0,2 ponto percentual acima do registrado em junho (5,2%).
Na comparação com julho de 2017, no entanto, houve um recuo de 1,5 ponto percentual, já que, naquele mês, foi registrada uma expectativa de inflação de 6,9% para os 12 meses seguintes.
De acordo com o economista Pedro Costa Ferreira, da FGV, a leve alta na expectativa de inflação dos consumidores “reflete o aumento de preços ocorridos devido à greve dos caminhoneiros e captada pelo Índice de Preços ao Consumidor de junho”.
A FGV espera, no entanto, que, como a greve dos caminhoneiros foi um evento isolado, já nos próximos meses, a expectativa de inflação do consumidor volte a cair e fique rondando os 5%.

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Segurados do INSS têm até 13 de agosto para agendar perícia médica

Em nova fase do pente-fino, INSS convocou mais de 178 mil beneficiários de auxílios-doença e aposentados por invalidez para passar por perícia



Mais de 420 mil benefícios já foram cortados

Mais de 420 mil benefícios já foram cortados

Antonio Cruz/Arquivo/Agência Brasil
Mais de 178 mil pessoas foram convocadas pelo INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) na última sexta-feira (20) para passar pelo pente-fino do governo federal nas aposentadorias por invalidez e nos auxílios-doença. O segurado tem até o dia 13 de agosto para fazer o agendamento da perícia médica pelo telefone 135.
A lista com os nomes das 178 mil pessoas que precisam passar pelo pente-fino foi publicada no Diário Oficial da União. Confira os nomes.
Desde agosto de 2016, o Programa de Revisão de Benefícios por Incapacidade está avaliando todas as aposentadorias por invalidez e auxílios-doença de quem não passa por perícia médica há pelo menos dois anos.
Até agora, 404 mil auxílios-doença foram avaliados, com 315 mil benefícios cancelados (78% do total). Também foram revisadas 359 mil aposentadorias por invalidez, com 108 mil cancelamentos (30%). Com mais de 420 mil benefícios cortados em quase dois anos, os casos estão sendo discutidos agora na Justiça.
No dia da perícia, o beneficiário deve apresentar documentação médica disponível, como atestados, laudos, receitas e exames. Quem não agendar a perícia até 13 de agosto terá o benefício cancelado. Do total de convocados, 168.523 são de aposentados por invalidez e 10.412 são beneficiários do auxílio-doença.
Segundo a publicação oficial, a convocação foi feita porque o INSS não conseguiu encontrar alguns dos beneficiários no endereço informado no cadastro do Sistema Único de Benefícios (SUB), ou porque, no próprio cadastro, não havia informações suficientes para o envio da correspondência.
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sexta-feira, 20 de julho de 2018

Prévia da inflação oficial acelera em julho, diz IBGE


Resultado divulgado nesta sexta aponta que inflação oficial acumula taxas de 3% no ano e de 4,53% em 12 meses

Prévia da inflação foi divulgada pelo IBGE

Prévia da inflação foi divulgada pelo IBGE

Marcello Casal jr/Agência Brasil
A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo — 15) ficou em 0,64% em julho. A taxa é inferior à registrada na prévia de junho (1,11%), mas superior ao IPCA-15 de julho de 2017, quando foi observada uma deflação (queda de preços) de 0,18%.
Com a prévia de julho, a inflação oficial acumula taxas de 3% no ano e de 4,53% em 12 meses. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (20) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O aumento médio de 6,77% no custo da energia elétrica no país foi o principal responsável por puxar a prévia da inflação.
Entre a segunda quinzena de junho e a primeira quinzena de julho (período de apuração da pesquisa), houve reajustes da tarifas nas concessionárias de São Paulo, Curitiba, Brasília, Porto Alegre e Belo Horizonte.
Segundo o IBGE, o custo com habitação, que subiu 1,99%, foi puxado também por aumentos de preço do gás de botijão (1,36%), gás encanado (1,24%) e tarifa de esgoto (1,27%).
Outros grupos de despesa que influenciaram a prévia de julho da inflação oficial foram os alimentos, com taxa de 0,61%, e os transportes, com alta de preços de 0,79%.
O aumento de preços dos alimentos foi puxado por produtos como leite longa vida (18,3%), frango inteiro (6,69%), frango em pedaços (4,11%), arroz (3,15%), pão francês (2,58%) e carne (1,1%). Por outro lado, alimentos que tinham sentido uma alta de preços na prévia de junho devido à greve dos caminhoneiros, desta vez tiveram deflação: batata-inglesa (24,8%), tomate (23,57%), cebola (21,37%), hortaliças (7,63%) e frutas (5,24%).
A inflação dos transportes foi influenciada bastante pelo aumento da passagem aérea (45,05%). Os combustíveis, que haviam tido alta de 5,94% em junho, tiveram deflação de 0,57%, por causa da queda de preços do óleo diesel (6,29%), etanol (0,78%) e gasolina (0,37%).

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quinta-feira, 19 de julho de 2018

Salário mínimo de R$ 998 para 2019 não deve repor perda deste ano


Avaliação é de economistas ouvidos pelo R7. Governo garantiu compensar perda real em 2019, mas aceleração da inflação ameaça o compromisso COMPARTILHAR  TWEETAR

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Salário mínimo terá reajuste de R$ 44 em 2019

Salário mínimo terá reajuste de R$ 44 em 2019

Marcos Santos/USP Images
Os brasileiros que recebem com base no salário mínimo amargaram uma perda real de 0,25% na remuneração de 2018. A situação repercutiu negativamente e o governo se comprometeu em compensar o prejuízo para o ano que vem, o que pode não acontecer.
Aprovado pelo Congresso no valor de R$ 998, o mínimo para 2019 será 4,6% (R$ 44) superior ao atual, fixado em R$ 954. Só não era esperado pelo Planalto ao fechar a proposta de Orçamento a alta recente da inflação.
As expectativas atuais dos economistas consultados pelo BC (Banco Central) apontam que o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) deve terminar o com uma alta de 4,48%. Caso a previsão seja confirmada, o salário mínimo de 2019 terá um ganho real de 0,1%, mas ficará longe de recuperar a perda deste ano.
No acumulado dos anos de 2017 e 2018, o reajuste do ganho básico será de 6,5% e, se todas as expectativas forem confirmadas, o INPC dos dois anos ficará 6,64%. Como consequência, a perda real acumulada pelos trabalhadores no período será de 0,1%.
Pela lei 13.152, assinada em 2015, o salário mínimo pago aos profissionais brasileiros é calculado com base na expectativa para o INPC do ano e a taxa de crescimento real do PIB (Produto Interno Bruto) — a soma de todos os bens e serviços produzidos no país — de dois anos antes. A regra vale somente até o ano que vem, quando o novo presidente decidirá se mantém ou altera a fórmula.
Diante da situação, o coordenador de relações sindicais do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, José Silvestre, afirma que, se a regra for “seguida ao pé da letra”, não serão recuperadas as perdas dá remuneração mínima registradas nos últimos anos.
“A rigor, se o governo aplicar o INPC e a variação do PIB de dois anos antes, vai cumprir a regra, mas as perdas de 2017 e 2018 continuam. [...] Para repor os prejuízos, o salário mínimo deveria ser de, pelo menos, R$ 1.000”, analisa Silvestre.
O economista e conselheiro do Cofecon (Conselho Federal de Economia) Fernando de Aquino diz que o valor fechado do INPC de 2018 vai entrar no reajuste do salário mínimo. “Se agora a expectativa é 4,5% e o resultado oficial for 5,5%, o governo vai usar os 5,5%”, garante.
Procurado para comentar a possibilidade de rever o valor do salário mínimo para 2019, o Ministério do Planejamento não respondeu aos questionamentos do R7 até a publicação desta reportagem.
Inicialmente, governo propôs mínimo de R$ 1.002

Inicialmente, governo propôs mínimo de R$ 1.002

Getty Images
Mínimo de R$ 1.000
Um salário mínimo de R$ 1.000, conforme o projetado por Silvestre, representaria uma valorização de 6,72% sobre a remuneração básica de 2017. Além da reposição da inflação do período, o coordenador de relações sindicais do Dieese afirma que a alta representaria um incremento bilionário na economia nacional.
“Se você tem 48 milhões de pessoas que têm os rendimentos associados ao salário mínimo, com um acréscimo de R$ 46 no valor do mínimo iria resultar em uma injeção de, aproximadamente, 28,7 milhões em um ano na economia”, calcula Silvestre.
Aquino, por sua vez, afirma que o Brasil atravessa um momento de recuperar o crescimento da economia “para voltar depois a valorizar os salários”. “É muito bom valorizar o trabalhador, valorizar os salários, mas eu acho que está na hora de esperar que a economia cresça mais para continuar a valorizar, porque isso pode estrangular a economia. Com salários muito altos, os empresários terão lucros muito baixos e não vão querer investir e continuar operando. Tem esse efeito colateral”, analisa.
Vale lembrar que o governo chegou a propor um salário mínimo de R$ 1.002 (+5%) para 2019, mas recuou ao avaliar justamente que a estimativa do INPC para 2018 havia recuado de 3,8% para 3,3%.
De acordo com o Dieese, o salário mínimo dos trabalhadores brasileiros deveria figurar na casa dos R$ 3.804,06, valor quase 300% superior aos R$ 998 aprovados para 2018. Silvestre, no entanto, recorda que a diferença “já foi muito maior”. “Já tivemos momentos em que o salário mínimo ideal projetado foi nove vezes maior do que o valor oficial”, diz.
Inflação
A previsão para a alta do salário mínimo de 2019 foi tomada antes da greve dos caminhoneiros, quando a expectativa era de uma inflação calculada pelo INPC na faixa dos 3,4%. Foi após as paralisações que as projeções para o índice de preço utilizado no reajuste da remuneração saltaram para 4,4%.
Aquino avalia que a alta dos preços registrada ao final do ano deve ficar realmente próximo às projeções atuais, exatamente ao centro da meta estabelecida pelo governo. “Deve fechar o ano em 4,5% mesmo, que é o valor que o Banco Centra e o governo propõe”, afirma ele.
Mercado aposta em INPC perto de 4,5% para 2018

Mercado aposta em INPC perto de 4,5% para 2018

Getty Images
A professora de economia Juliana Inhasz, da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), classifica a alta dos preços ocasionada pela paralisação como algo “pontual”.
“A gente ainda dever por mais um mês o impacto da greve mais evidente nos indicadores, porque se sabe que algumas produções não se regularizaram. Esse evento logo vai se dissipar e a alta da inflação tende a permanecer por outros fatores”, afirma Juliana, que diz não acreditar que o índice de preços deve chegar a 4,5% ao final de 2018.
De acordo com Juliana, o avanço do índice em um percentual superior ao do ano passado será puxado pelo custo das despesas de transporte, contas de luz e bens de consumo influenciados pelo preço dos produtos importados.

Arte/R7

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quinta-feira, 12 de julho de 2018

Em oito anos, mais de 34 mil leitos do SUS foram fechados, diz CFM


Segundo Conselho Federal de Medicina, cinco estados apresentaram aumento no número: Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Roraima e Amapá

Número de leitos exclusivos para o SUS diminuiu em quase todo o país

Número de leitos exclusivos para o SUS diminuiu em quase todo o país

Theo Heimann/Getty Images
Nos últimos oito anos, mais de 34,2 mil leitos de internação da rede pública foram desativados. Em maio de 2010, o Brasil tinha 336 mil leitos para uso exclusivo do Sistema Único de Saúde (SUS), número que caiu para 301 mil em 2018, o que representa uma média de 12 leitos fechados por dia ao longo do período analisado.
Somente nos últimos dois anos, mais de 8 mil unidades foram desativadas. O levantamento foi feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) a partir de dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde do Ministério da Saúde.
As especialidades com a maior quantidade de leitos fechados, em nível nacional, são psiquiatria, pediatria cirúrgica, obstetrícia e cirurgia geral.
Para o presidente do CFM, Carlos Vital, o fechamento de leitos aponta para má gestão das verbas do SUS. "A redução de leitos significa a diminuição de acesso a 150 milhões de brasileiros que recorrem ao SUS para atenção a saúde. Sem leitos de internação não há como o profissional médico prestar os seus cuidados ao paciente. Não podemos aceitar que pessoas deixem de ser atendidas por causa de leitos simples de internação", afirmou.
O CFM pretende encaminhar o levantamento para parlamentares, Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União.
Regiões
Os dados mostram queda dos leitos em 22 estados e 18 capitais. A Região Sudeste apresentou a maior redução de leitos, com o fechamento de quase 21,5 mil em oito anos - o representa uma queda de 16% em relação ao número de leitos existentes na região em 2010. Só no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, 9.569 leitos foram desativados desde 2010. Na sequência, aparecem São Paulo (-7.325 leitos) e Minas Gerais (-4.244).
Nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, a diminuição foi de cerca de 10% dos leitos no período apurado, com saldo negativo de 2.419 e 8.469, respectivamente. O Sul foi a região com a menor redução, tanto em números absolutos – menos 2.090 unidades -, quanto em proporção (-4%). Já no Norte, houve crescimento de 1%, com 184 leitos a mais.
Apenas cinco estados apresentaram números positivos: Rondônia (629), Mato Grosso (473), Tocantins (231), Roraima (199) e Amapá (103).
Capitais
Entre as capitais, Rio de Janeiro teve a maior perda de leitos na rede pública (-4.095), seguida por Fortaleza (-904) e Curitiba (-849). Nove delas – Belém, Boa Vista, Cuiabá, Macapá, Palmas, Porto Velho, Recife, Salvador e São Luís – conseguiram elevar o indicador.
Outra constatação é que enquanto a rede pública teve 10% dos leitos fechados desde 2010 (34,2 mil), as redes suplementar e privada aumentaram em 9% (12 mil) o número de leitos em oito anos. Conforme o levantamento, os leitos privados cresceram em 21 estados até maio de 2018. Apenas Rio de Janeiro e Maranhão sofreram decréscimos: 1.172 e 459 leitos.
De acordo com o relatório de Estatísticas de Saúde Mundiais da OMS de 2014 – o último dado disponível –, o Brasil tinha 23 leitos hospitalares (públicos e privados) para cada grupo de dez mil habitantes. A taxa era equivalente à média das Américas, mas inferior à média mundial (27) ou às taxas apuradas, por exemplo, no Reino Unido (29), na (47), Espanha (31) e França (64).
A Agência Brasil procurou o Ministério da Saúde e aguarda posicionamento.

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