segunda-feira, 25 de junho de 2018

Transportadoras afirmam que tabela do frete não está em vigor


Empresas que estão descumprindo medida acordada com governo durante a greve dos caminhoneiros questionam legalmente a validade do tabelamento


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Transportadoras ignoram preço mínimo, mesmo sob risco de punição

Transportadoras ignoram preço mínimo, mesmo sob risco de punição

Divulgação / ANTT / CP

Começa a ganhar força no setor de transporte de cargas o entendimento de que a polêmica tabela que estabelece preços mínimos para o frete não está em vigor. Essa é uma das teses que serão usadas pelas transportadoras que estão descumprindo o tabelamento determinado pelo governo.
Como o jornal O Estado de S. Paulo mostrou na última sexta-feira (22), diante do impasse em torno da tabela que travou o transporte de mercadorias e matérias-primas em todo o País, algumas transportadoras passaram a ignorar o preço mínimo, mesmo correndo o risco de serem punidas.
A tabela do frete teve uma primeira versão publicada no dia 30 de maio, na forma de um anexo da Resolução 5820 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), como parte do acordo que encerrou a paralisação dos caminhoneiros. As empresas reagiram duramente contra ela e pressionaram o Planalto, que prometeu corrigir falhas e publicar uma segunda versão.
No dia 7 de junho, a resolução 5821 alterou o texto da 5820. Essa norma foi publicada numa edição extraordinária do Diário Oficial, tamanha sua urgência. Mas, em questão de horas, os caminhoneiros estavam no gabinete do ministro dos Transportes, Valter Casimiro, protestando.
No dia seguinte, uma nova resolução revogou a 5822, como prometido pelo ministro aos caminhoneiros. "Isso virou uma novela", comentou à época o líder dos autônomos Wallace Landim, o Chorão. Para o governo, o resultado de tudo isso é que está em vigor a primeira tabela, a da Resolução 5820. Esse é o entendimento da ANTT.
Mas, no mercado, circula o entendimento de que a tabela da Resolução 5820 foi revogada pela 5821 e não foi restabelecida pela 5822. "A tabela não pode ressuscitar assim", diz o advogado Frederico Favacho, da Favacho Advogados, que assessora a Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec). "Não existe esse efeito Walking Dead."
Ele explica que, quando uma primeira lei é revogada por uma segunda e essa segunda, por sua vez, é revogada por uma terceira a primeira lei não volta a existir automaticamente. A menos que a terceira lei diga explicitamente que a primeira volta a vigorar. Essa regra se aplica a leis. Para normas administrativas, como é o caso das resoluções da ANTT, é algo que se discute.
Essa tese é uma base a ser usada na defesa de empresas que não estão observando a tabela de frete. Muitas das que atuam na exportação de grãos, por exemplo, têm contratos de serviços de transporte assinados antes da paralisação, com preços inferiores aos da tabela, segundo informou o diretor executivo do Movimento Pró-Logística da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), Edeon Vaz Ferreira.
Favacho observou também que não há nenhuma multa por parte do governo para empresas que não cumprirem a tabela. O que há na Medida Provisória (MP) 832, que instituiu a política de preço mínimo para o frete rodoviário, é uma previsão que o caminhoneiro seja indenizado no equivalente ao dobro da diferença entre o preço de tabela e o efetivamente cobrado. Mas, para isso, ele precisará recorrer à Justiça.
A tese da inexistência de tabela é uma discussão que corre em paralelo às ações de inconstitucionalidade da MP 832 no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Luiz Fux. Na próxima quinta-feira, ele fará uma nova tentativa de conciliação entre caminhoneiros e empresas.
Caso não haja acordo, ele promete reavaliar sua decisão de suspender o andamento de todas as ações que discutem a constitucionalidade da MP. Algumas associações haviam conseguido liminares suspendendo os efeitos da tabela. Mas essas decisões foram sustadas por Fux. O jornal O Estado de S. Paulo questionou a Advocacia-Geral da União (AGU) sobre o assunto, mas não obteve resposta.

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terça-feira, 19 de junho de 2018

Saques do PIS/Pasep batem recorde e passam de R$ 196 milhões


Cotistas sacaram R$ 162,6 milhões da Caixa Econômica Federal e R$ 33,6 milhões no primeiro dia de retirada para trabalhadores com mais de 57 anos

Fábio Rodrigues Pozzebom/ Arquivo Agência Brasil
As retiradas das cotas do PIS/Pasep bateram recorde no primeiro dia de saques para trabalhadores com mais de 57 anos. Segundo o Ministério do Planejamento, 144.409 cotistas sacaram R$ 196,2 milhões nesta segunda-feira (18).
Desse total, R$ 162,6 milhões foram sacados de 119,6 mil cotas na Caixa Econômica Federal, que administra o PIS (destinado a trabalhadores da iniciativa privada). No Banco do Brasil, responsável pelo Pasep (servidores públicos e trabalhadores de estatais), as retiradas somaram R$ 33,6 milhões em 24.809 cotas.
Entre 14 e 28 de setembro, a autorização será ampliada para todas as idades, diferentemente do que ocorria até então, quando o saque total só podia ser feito quando o trabalhador completasse 70 anos, se aposentasse, tivesse doença grave ou invalidez ou fosse herdeiro de titular da conta.
Pelas contas do governo, 28,7 milhões de pessoas serão beneficiadas. Em cifras, são R$ 34,3 bilhões disponíveis para saque no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. Isto porque 3,6 milhões de pessoas já resgataram R$ 5 bilhões em recursos dos dois programas.
Quem tem direito
Têm direito ao saque servidores públicos e pessoas que trabalharam com carteira assinada de 1971, quando o PIS/Pasep foi criado, até 1988. Quem contribuiu após 4 de outubro de 1988 não tem direito ao saque.
Isso ocorre porque a Constituição, promulgada naquele ano, passou a destinar as contribuições do PIS/Pasep das empresas para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que paga o seguro-desemprego e o abono salarial, e para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Para saber se tem direito ao benefício, o trabalhador pode acessar os sites www.caixa.gov.br/cotaspis e www.bb.com.br/pasep.

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PGR pede prorrogação de inquéritos sobre Aécio Neves no STF


Senador é acusado de receber vantagens ilícitas em dois inquéritos. Aécio Neves nega as acusações 

PGR pede prorrogação de inquéritos sobre Aécio Neves no STF

PGR pede prorrogação de inquéritos sobre Aécio Neves no STF

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 28.11.2017
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação por mais 60 dias de dois inquéritos envolvendo o senador Aécio Neves (PSDB-MG). As investigações são relatadas pelos ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.
Na primeira investigação, o nome do senador foi citado por ex-executivos da empreiteira Odebrecht, que teriam repassado vantagens indevidas em 2014 para campanha do senador à Presidência da República. No segundo inquérito, o parlamentar também é acusado de receber doações ilegais.
Em abril, Aécio prestou depoimento à Polícia Federal e disse que os próprios delatores afirmaram nos depoimentos que as contribuições financeiras feitas pela Odebrecht às campanhas do PSDB nunca estiveram vinculadas a qualquer contrapartida.

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sexta-feira, 15 de junho de 2018

PF divulga edital de concurso com salário de até R$ 22 mil


Salário de aprovados varia de R$ 11.983,26 a R$ 22.672,48. São 500 vagas para os cargos de delegado, perito criminal, agente, escrivão e papilocopista

  • Giuliana Saringer, do R7
     
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Taxa de inscrição varia de R$ 180 a R$ 250

Taxa de inscrição varia de R$ 180 a R$ 250

Alex de Jesus / O Tempo / Estadão Conteúdo / 23.9.2016
A Polícia Federal divulgou o edital para o concurso público que visa encontrar profissionais para ocuparem os cargos de delegado, perito criminal, agente, escrivão e papilocopista. São 500 vagas. 
A remuneração dos agentes, escrivãos e papilocopistas é de R$ 11.983,26 e a taxa de inscrição para estas vagas é de R$ 180. O cargo de delegado oferece um salário mais alto, de R$ 22.672,48, e a taxa de inscrição é de R$ 250. 
Todas as vagas exigem ensino superior completo. 
edital foi publicado nesta sexta-feira (15). As inscrições do concurso estão abertas a partir das 10h do dia 19 de junho e terminam às 18h do dia 2 de julho deste ano.  
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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Vítimas de perseguições, 110 juízes vivem sob proteção em todo o PaísVítimas de perseguições, 110 juízes vivem sob proteção em todo o País Alvos de ameaças que vão de agressões a planos de execução, magistrados têm rotinas alteradas e vivem sob forte esquema de segurança Fabíola Perez, do R7 14/06/2018 - 05h00 (Atualizado em 14/06/2018 - 07h51) A juíza Tatiana Maranesi em entrevista a Record News na época do ataque A juíza Tatiana Maranesi em entrevista a Record News na época do ataque Reprodução O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, de 50 anos, gostava de ir à praia no Rio de Janeiro para surfar. Mas há, pelo menos, 20 anos, evita frequentar lugares públicos em decorrências das ameaças de morte que recebe. Odilon de Oliveira, juiz federal que atua nas regiões de fronteira do Mato Grosso, se aposentou no ano passado, mas não pode dispensar as equipes de segurança pessoal que o acompanham 24 horas por dia.





Alvos de ameaças que vão de agressões a planos de execução, magistrados têm rotinas alteradas e vivem sob forte esquema de segurança

  • Fabíola Perez, do R7
     
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A juíza Tatiana Maranesi  em entrevista a Record News na época do ataque

A juíza Tatiana Maranesi em entrevista a Record News na época do ataque

Reprodução
O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, de 50 anos, gostava de ir à praia no Rio de Janeiro para surfar. Mas há, pelo menos, 20 anos, evita frequentar lugares públicos em decorrências das ameaças de morte que recebe. Odilon de Oliveira, juiz federal que atua nas regiões de fronteira do Mato Grosso, se aposentou no ano passado, mas não pode dispensar as equipes de segurança pessoal que o acompanham 24 horas por dia.
Desde que foi vítima de um ataque no Fórum Regional do Butantã, em São Paulo, a juíza Tatiana Moreira Lima não consegue ver um homem sozinho na rua que desvia o caminho. A juíza do trabalho Tatiana Maranesi se viu obrigada a mudar a rotina nas audiências que promove em São Paulo após ser ameaçada e viver sob a proteção de escoltas.
Esses magistrados fazem parte de um grupo de juízes que vive sob proteção do Estado após ter sido vítima de violências físicas, perseguições psicológicas e planos de execução. De acordo com o último levantamento realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem 110 magistrados sob ameaça. Em 97% dos casos, segundo o estudo, o desempenho profissional dos juízes tem relação com a ameaça. A pesquisa detectou também que em 65% das situações a pessoa responsável pela potencial agressão é conhecida do juiz. O levantamento permite apontar que seis em cada mil magistrados sofreram algum tipo de perseguição.
"Me acostumei com o isolamento", diz Teixeira

"Me acostumei com o isolamento", diz Teixeira

Arquivo pessoal
A primeira ameaça que chegou aos ouvidos de Alexandre Teixeira foi em 2005, quando assumiu como juiz titular da Vara Criminal do Fórum Regional de Bangu 1. A região em que atuava é conhecida por viver sob domínio de facções criminosas como Comando Vermelho, Amigo dos Amigos e Terceiro Comando Puro, além de grupos de milicianos.
Um dos dias mais tensos de sua trajetória foi quando, em 2013, o fórum foi invadido por 12 homens armados para resgatar dois presos. Segundo Alexandre, na ação morreram um garoto de oito anos e um segurança da escolta. Hoje, Alexandre preside o 3º Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes contra a vida como execuções e chacinas. “Tento não pensar mas ameaças. Criei esse mecanismo para conseguir julgar.”
“Apesar do estresse, me acostumei com o isolamento”
Alexandre Teixeira, juiz
Uma das últimas ameaças de que foi informado ocorreu no ano passado. “Os avisos chegam pelo setor de inteligência do Tribunal ou da Polícia Federal”, diz. “Nunca quis contabilizar, isso pode causar um desequilíbrio emocional.” Nas últimas duas décadas, Alexandre teve de abrir mão de atividades simples como frequentar praias, shoppings, praias, shows e restaurantes.
O magistrado conta com seis seguranças, além de um carro blindado para transportá-lo. “Apesar do estresse, me acostumei com o isolamento”, afirma. “As pessoas têm a ilusão de que é bom ter mais segurança, glamourizam isso, mas fico pensando ‘e se uma dessas pessoas ao meu redor morrem’. É terrível.” Ainda assim, o juiz não pensa em desistir. “Se me mudasse para outra área seria como se o crime tivesse ganho”, diz.
Ameaças no ambiente de trabalho
Além das situações de ameaças que surgem de suposto conhecidos dos magistrados, há ainda um segundo grupo de perseguições provenientes do próprio ambiente de trabalho. “Existem casos que não são notificados pelos setores de inteligência dos tribunais, são casos em que a periculosidade vem das audiências”, afirma Bruno César Lorencini, presidente da Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
“Uma decisão em audiência pode despertar a reação de um sujeito violento dentro do próprio fórum. É que o que mais estamos vendo.” Segundo ele, há um fator emocional em casos de direito da família, direito previdenciário que provocam atos violentos. “As audiências viram um ringue.”
Em março de 2016, a juíza Tatiane Moreira Lima foi vítima de um ataque no Fórum Regional do Butantã, em São Paulo. Um homem, indignado com a sentença que havia recebido por ter agredido a companheira invadiu seu gabinete e ameaçou queimá-la viva com um líquido inflamável. “Eu estava encharcada, com o cabelo encharcado com o líquido. Ele tinha garrafas pets com combustível e pregos”, lembra. “Achei que aquilo iria explodir a qualquer momento. Me chocou saber que a pessoa arquitetou um plano contra mim. Foi um divisor de águas em minha carreira. Não tinha me dado conta de que poderia estar vulnerável dentro do meu local de trabalho.”
Em 2007, Tatiane também viveu momentos de tensão quando precisou ser acompanhada pela escolta do Tribunal de Justiça por cerca de três meses, após ter julgado 15 réus do Primeiro Comando da Capital (PCC). “Os seguranças não usam cinto de segurança para estar sempre preparados, andam com as mãos nas armas e estão sempre olhando para os lados.” Dois anos depois do ataque, Tatiane deixou a vara de violência doméstica pata atuar como juíza de direito de crimes contra crianças, adolescentes, idoso, deficiente e tráfico de pessoas. “Algumas situações me faziam rememorar esse episódio. Não conseguia ver um homem sozinho na rua que já desviava, não podia ouvir pessoas gritando ou barulhos de portas batendo que ficava assustada. É uma situação muito opressora.”
Também em São Paulo, a juíza do Trabalho, Tatiana Maranesi, foi perseguida em seu ambiente de trabalho em 2012. Em uma audiência trabalhista em que atuava, o autor da ação teria pedido indenização por danos morais contra uma empresa. “Ele não tinha testemunhas. Marquei o julgamento e comecei a receber ligações de um homem que dizia querer marar ‘a juíza loira’. Ele dizia: vou matá-la se ela não me der ganho de causa.” Em pouco tempo, uma das secretárias de Tatiana descobriu que o autor da ameaça era também o autor da ação contra a empresa. A partir disso, a magistrada passou um mês escoltada em seus trajetos.
"Fiquei apreensiva e ia trabalhar desconfiada"
Tatiane Moreira Lima, juíza
Foram diversas ligações com a mesma ameaça. “Comecei a tomar cuidado para entrar e sair do fórum, fiquei apreensiva e ia trabalhar desconfiada”, diz. “Evitei frequentar alguns lugares, mas acredito que se tivesse filhos seria ainda pior.” Atualmente, Tatiana afirma que evita antecipar informações sobre as audiências. “A sentença sempre desagrada alguém, por isso passei a não adiantar decisões para não criar animosidade.”
Proteção 24 horas por dia
De acordo com a pesquisa do CNJ, 38 magistrados ameaçados têm escolta total. Em média, os que possuem o serviço contam com a proteção há dois anos e meio. A pesquisa apontou que 47,1% convivem com a escolta há menos de um ano e em 21% dos casos a escolta total está disponível há mais de cinco anos.
O juiz federal pernambucano Odilon de Oliveira não pode sequer revelar quantos profissionais fazem sua segurança pessoal. Com 5 anos, ele deixou a cidade de Exu no interior de Pernambuco para viver na mira dos mais poderosos traficantes do crime organizado no País. Odilon combateu por 31 anos o narcotráfico nas fronteiras Brasil, Paraguai e Bolívia. Ao longo da carreira, ele mandou prender Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, o paranaense Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca e foi ameaçado por Jorge Rafaat Toumani, apelidado de “Rei da Fronteira”.
Em 5 de outubro do ano passado, Odilon se aposentou, mas não pode dispensar o aparato de segurança pessoal. “Nada mudou nesses meses”, diz. Em 1998, foi descoberto o primeiro plano para assassiná-lo. Outros vieram na sequência. Com o histórico de ameaças, o juiz montou uma pasta preta com recortes, notificações e tudo o que chega até ele. “Em agosto de 2017, fiz um relatório de 350 laudas com base em documentos para municiar o CNJ nas investigações”, afirma. Apesar de viver sob proteção durante tantos anos, Odilon diz que é impossível não sentir os efeitos psicológicos. “Uma coisa é saber que um dia será possível recuperar a liberdade. Outra é não ter mais direito a ela.”
As equipes de segurança do juiz passam 24 horas em sua residência e se alternam a cada dia. “Eles têm um alojamento permanente em casa”, diz. “Ao longo dos anos, acabei perdendo muitos amigos por ter aberto mão da vida social. Meus filhos já cresceram. Hoje vivo só eu e minha esposa.”

Alvos de ameaças que vão de agressões a planos de execução, magistrados têm rotinas alteradas e vivem sob forte esquema de segurança

  • Fabíola Perez, do R7
     
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A juíza Tatiana Maranesi  em entrevista a Record News na época do ataque

A juíza Tatiana Maranesi em entrevista a Record News na época do ataque

Reprodução
O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, de 50 anos, gostava de ir à praia no Rio de Janeiro para surfar. Mas há, pelo menos, 20 anos, evita frequentar lugares públicos em decorrências das ameaças de morte que recebe. Odilon de Oliveira, juiz federal que atua nas regiões de fronteira do Mato Grosso, se aposentou no ano passado, mas não pode dispensar as equipes de segurança pessoal que o acompanham 24 horas por dia.
Desde que foi vítima de um ataque no Fórum Regional do Butantã, em São Paulo, a juíza Tatiana Moreira Lima não consegue ver um homem sozinho na rua que desvia o caminho. A juíza do trabalho Tatiana Maranesi se viu obrigada a mudar a rotina nas audiências que promove em São Paulo após ser ameaçada e viver sob a proteção de escoltas.
Esses magistrados fazem parte de um grupo de juízes que vive sob proteção do Estado após ter sido vítima de violências físicas, perseguições psicológicas e planos de execução. De acordo com o último levantamento realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem 110 magistrados sob ameaça. Em 97% dos casos, segundo o estudo, o desempenho profissional dos juízes tem relação com a ameaça. A pesquisa detectou também que em 65% das situações a pessoa responsável pela potencial agressão é conhecida do juiz. O levantamento permite apontar que seis em cada mil magistrados sofreram algum tipo de perseguição.
"Me acostumei com o isolamento", diz Teixeira

"Me acostumei com o isolamento", diz Teixeira

Arquivo pessoal
A primeira ameaça que chegou aos ouvidos de Alexandre Teixeira foi em 2005, quando assumiu como juiz titular da Vara Criminal do Fórum Regional de Bangu 1. A região em que atuava é conhecida por viver sob domínio de facções criminosas como Comando Vermelho, Amigo dos Amigos e Terceiro Comando Puro, além de grupos de milicianos.
Um dos dias mais tensos de sua trajetória foi quando, em 2013, o fórum foi invadido por 12 homens armados para resgatar dois presos. Segundo Alexandre, na ação morreram um garoto de oito anos e um segurança da escolta. Hoje, Alexandre preside o 3º Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes contra a vida como execuções e chacinas. “Tento não pensar mas ameaças. Criei esse mecanismo para conseguir julgar.”
“Apesar do estresse, me acostumei com o isolamento”
Alexandre Teixeira, juiz
Uma das últimas ameaças de que foi informado ocorreu no ano passado. “Os avisos chegam pelo setor de inteligência do Tribunal ou da Polícia Federal”, diz. “Nunca quis contabilizar, isso pode causar um desequilíbrio emocional.” Nas últimas duas décadas, Alexandre teve de abrir mão de atividades simples como frequentar praias, shoppings, praias, shows e restaurantes.
O magistrado conta com seis seguranças, além de um carro blindado para transportá-lo. “Apesar do estresse, me acostumei com o isolamento”, afirma. “As pessoas têm a ilusão de que é bom ter mais segurança, glamourizam isso, mas fico pensando ‘e se uma dessas pessoas ao meu redor morrem’. É terrível.” Ainda assim, o juiz não pensa em desistir. “Se me mudasse para outra área seria como se o crime tivesse ganho”, diz.
Ameaças no ambiente de trabalho
Além das situações de ameaças que surgem de suposto conhecidos dos magistrados, há ainda um segundo grupo de perseguições provenientes do próprio ambiente de trabalho. “Existem casos que não são notificados pelos setores de inteligência dos tribunais, são casos em que a periculosidade vem das audiências”, afirma Bruno César Lorencini, presidente da Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
“Uma decisão em audiência pode despertar a reação de um sujeito violento dentro do próprio fórum. É que o que mais estamos vendo.” Segundo ele, há um fator emocional em casos de direito da família, direito previdenciário que provocam atos violentos. “As audiências viram um ringue.”
Em março de 2016, a juíza Tatiane Moreira Lima foi vítima de um ataque no Fórum Regional do Butantã, em São Paulo. Um homem, indignado com a sentença que havia recebido por ter agredido a companheira invadiu seu gabinete e ameaçou queimá-la viva com um líquido inflamável. “Eu estava encharcada, com o cabelo encharcado com o líquido. Ele tinha garrafas pets com combustível e pregos”, lembra. “Achei que aquilo iria explodir a qualquer momento. Me chocou saber que a pessoa arquitetou um plano contra mim. Foi um divisor de águas em minha carreira. Não tinha me dado conta de que poderia estar vulnerável dentro do meu local de trabalho.”
Em 2007, Tatiane também viveu momentos de tensão quando precisou ser acompanhada pela escolta do Tribunal de Justiça por cerca de três meses, após ter julgado 15 réus do Primeiro Comando da Capital (PCC). “Os seguranças não usam cinto de segurança para estar sempre preparados, andam com as mãos nas armas e estão sempre olhando para os lados.” Dois anos depois do ataque, Tatiane deixou a vara de violência doméstica pata atuar como juíza de direito de crimes contra crianças, adolescentes, idoso, deficiente e tráfico de pessoas. “Algumas situações me faziam rememorar esse episódio. Não conseguia ver um homem sozinho na rua que já desviava, não podia ouvir pessoas gritando ou barulhos de portas batendo que ficava assustada. É uma situação muito opressora.”
Também em São Paulo, a juíza do Trabalho, Tatiana Maranesi, foi perseguida em seu ambiente de trabalho em 2012. Em uma audiência trabalhista em que atuava, o autor da ação teria pedido indenização por danos morais contra uma empresa. “Ele não tinha testemunhas. Marquei o julgamento e comecei a receber ligações de um homem que dizia querer marar ‘a juíza loira’. Ele dizia: vou matá-la se ela não me der ganho de causa.” Em pouco tempo, uma das secretárias de Tatiana descobriu que o autor da ameaça era também o autor da ação contra a empresa. A partir disso, a magistrada passou um mês escoltada em seus trajetos.
"Fiquei apreensiva e ia trabalhar desconfiada"
Tatiane Moreira Lima, juíza
Foram diversas ligações com a mesma ameaça. “Comecei a tomar cuidado para entrar e sair do fórum, fiquei apreensiva e ia trabalhar desconfiada”, diz. “Evitei frequentar alguns lugares, mas acredito que se tivesse filhos seria ainda pior.” Atualmente, Tatiana afirma que evita antecipar informações sobre as audiências. “A sentença sempre desagrada alguém, por isso passei a não adiantar decisões para não criar animosidade.”
Proteção 24 horas por dia
De acordo com a pesquisa do CNJ, 38 magistrados ameaçados têm escolta total. Em média, os que possuem o serviço contam com a proteção há dois anos e meio. A pesquisa apontou que 47,1% convivem com a escolta há menos de um ano e em 21% dos casos a escolta total está disponível há mais de cinco anos.
O juiz federal pernambucano Odilon de Oliveira não pode sequer revelar quantos profissionais fazem sua segurança pessoal. Com 5 anos, ele deixou a cidade de Exu no interior de Pernambuco para viver na mira dos mais poderosos traficantes do crime organizado no País. Odilon combateu por 31 anos o narcotráfico nas fronteiras Brasil, Paraguai e Bolívia. Ao longo da carreira, ele mandou prender Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, o paranaense Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca e foi ameaçado por Jorge Rafaat Toumani, apelidado de “Rei da Fronteira”.
Em 5 de outubro do ano passado, Odilon se aposentou, mas não pode dispensar o aparato de segurança pessoal. “Nada mudou nesses meses”, diz. Em 1998, foi descoberto o primeiro plano para assassiná-lo. Outros vieram na sequência. Com o histórico de ameaças, o juiz montou uma pasta preta com recortes, notificações e tudo o que chega até ele. “Em agosto de 2017, fiz um relatório de 350 laudas com base em documentos para municiar o CNJ nas investigações”, afirma. Apesar de viver sob proteção durante tantos anos, Odilon diz que é impossível não sentir os efeitos psicológicos. “Uma coisa é saber que um dia será possível recuperar a liberdade. Outra é não ter mais direito a ela.”
As equipes de segurança do juiz passam 24 horas em sua residência e se alternam a cada dia. “Eles têm um alojamento permanente em casa”, diz. “Ao longo dos anos, acabei perdendo muitos amigos por ter aberto mão da vida social. Meus filhos já cresceram. Hoje vivo só eu e minha esposa.”
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