sexta-feira, 9 de março de 2018

Apenas 52 refugiados venezuelanos estão prontos para deixar Roraima

Interiorização dos venezuelanos que estão na capital Boa Vista vai começar somente em abril, quando documentação e vacinação estiverem concluídas

Transferência de refugiados venezuelanos começará em abril

Transferência de refugiados venezuelanos começará em abril

Igohr Martins/Prefeitura de Boa Vista - 24.03.2018
Com 40 mil refugiados venezuelanos — sendo mais de 10 mil vivendo de forma precária em Boa Vista — Roraima tem apenas 52 refugiados prontos para serem transferidos para outros Estados pelo governo federal, que coordena a chamada interiorização de venezuelanos no país.
Esse processo — avaliado como “urgente” pelo governo municipal e pela gestão estadual — começaria esta semana com o envio de cerca de 500 refugiados para Manaus (AM) e São Paulo (SP), mas teve de ser adiado por falhas no planejamento da Casa Civil da Presidência da República e pelo surto de sarampo em Roraima.
Para serem transferidos para outros Estados, os venezuelanos precisam estar vacinados contra a febre amarela e o sarampo, entrar com pedido de refúgio junto à Polícia Federal (ou pedido de residência temporária), ter em mãos a carteira de trabalho e manifestar expressamente a vontade de deixar Roraima.
O que atrasou o início das viagens foi justamente a vacinação dos migrantes. Após o governo anunciar a interiorização, em 21 de fevereiro, a prefeitura de Boa Vista, em parceria com a Acnur (Agência da ONU para Refugiados) e autoridades estaduais, realizou no último dia 24 uma campanha de imunização e checagem de documentos junto aos venezuelanos. As equipes esperavam atender ao menos 500 migrantes, mas compareceram 280.
A aplicação da vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) não pode ser feita no mesmo dia da imunização contra a febre amarela, que por sua vez exige uma espera de dez dias para surtir efeito, o que acabou alterando os prazos da interiorização.
A Casa Civil foi informada pela prefeitura de Boa Vista que, nesta semana, apenas 52 venezuelanos estão totalmente prontos para viajar. Esse número deve chegar a 196 no início de abril, mas desde que os refugiados sejam imunizados contra a febre amarela no prazo correto.
A lista de nomes está sendo organizada pela Acnur Brasil, que irá repassar as informações para a Casa Civil. Segundo o ministério, a prioridade no momento é tirar de Roraima quem tem "um perfil com maior empregabilidade: homens jovens e sem filhos".
“Temos que fazer a interiorização. Uma cidade como a nossa não tem capacidade de receber o número de pessoas que a gente está recebendo”, diz a prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (MDB-RR), em entrevista ao R7. Ela reclama de falta de planejamento na operação — assim como relatou na semana passada ao R7 o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM).
— A Casa Civil se precipitou ao falar que vai tirar mais de 600 pessoas, porque quando vai tirar, não é da forma que eles pensam. (...) É aquela história, vão levar 600 pessoas, mas para onde? Quem são essas 600 pessoas? Vão sair de que jeito? Enquanto isso, as pessoas estão nas ruas, vai começar a temporada de chuvas e você não sabe o que fazer com elas.
Estimativas da Polícia Federal indicam que 800 venezuelanos cruzam diariamente a fronteira com o Brasil em Pacaraima, cidade a 200 km de Boa Vista, fugindo da crise econômica e de abastecimento no país vizinho, além da hiperinflação. A capital de Roraima tem hoje mais de 40 mil venezuelanos em casas alugadas, abrigos improvisados ou em praças da cidade. A prefeitura estima que a situação seja mais grave para cerca de 10 mil pessoas que estão nas ruas.
Surto de sarampo em Roraima
A interiorização também foi adiada em razão do surto de sarampo no Estado. Até o momento são oito casos confirmados (todos em crianças venezuelanas) e outros 29 em investigação. Uma menina de quatro anos morreu na semana passada, mas ainda são aguardados os resultados de exames para confirmar a causa da morte.
A prefeita de Boa Vista diz que não há espaço nos hospitais do município para isolar as crianças com a doença. A precária situação dos venezuelanos, que vivem em abrigos improvisados ou nas ruas e praças da cidade, aumenta o temor de que a doença se espalhe de forma mais rápida.
Para rever a situação, o Ministério da Saúde e o governo estadual anunciaram a maior campanha de vacinação da história de Roraima.
O plano é vacinar entre 10 de março e 10 de abril todas as pessoas do Estado que tenham entre seis meses e 49 anos de idade, sejam venezuelanos ou brasileiros, totalizando 400 mil pessoas. O final da campanha coincide justamente com o período que a Casa Civil planeja iniciar a transferência de venezuelanos, que será realizada por aeronaves da Força Aérea Brasileira.
“Daqui para frente Boa Vista não suporta mais, precisa de apoio”
Teresa Surita (MDB-RR), prefeita de Boa Vista
Interiorização X Acampamento humanitário
Além do sistema de saúde, a prefeita de Boa Vista também está preocupada com o sistema de educação do município, que, segundo ela, está “no limite”.
— Tem um limite. Não vou conseguir manter isso por muito tempo, até porque minha cidade recebe [recursos] para atender 350 mil pessoas. Então chega uma hora e você não tem leito, não tem remédios, não tem médicos o suficiente. Quando você tem mais de 10% da população como refugiado, que precisa de emprego, que está com fome, que não tem uma orientação do que fazer, então a gente passa a viver uma crise humanitária.
Para a prefeita, mais importante do que a interiorização, neste momento, é a construção de um grande alojamento na cidade para atender a população em piores condições. A gestão municipal já escolheu um terreno de 40 mil m² na cidade, pertencente ao governo federal, para essa finalidade, mas o projeto também está nas mãos da Casa Civil.
“De imediato precisamos de uma ação humanitária para criar um acampamento e tirar as pessoas das ruas”, diz Surita.
Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), o deputado estadual Carlos Bezerra Jr. (PSDB-SP) visitou Roraima nesta semana para acompanhar o planejamento da transferência de 300 venezuelanos para a capital paulista. O deputado visitou o ginásio do bairro Tancredo Neves, que concentra cerca de mil refugiados.
— Tudo é muito improvisado, com esgoto a céu aberto e condições bastante degradantes. (...) O fato é que claramente as ações improvisadas estão deixando pessoas em situação de vulnerabilidade, com agravante dos riscos de surto de doenças, como acontece com sarampo, além de interferência no funcionamento da cidade.
Bezerra Jr. defende a interiorização, mas também avalia que uma ação local em Roraima tem mais urgência neste momento. Ele afirma, contudo, que mesmo os refugiados interessados em deixar o Estado não possuem informações sobre os locais de destino.
— Tem que planejar a interiorização e precisa de ações emergenciais. Vivemos uma política de omissão do governo federal nos últimos cinco anos. Ou o governo não sabia sobre o fluxo de venezuelanos?
Procurada pelo R7, a Casa Civil informa que “as ações de interiorização e de abrigamentos correm em paralelo” e que “o governo federal aportará recursos para ajuda humanitária conforme a necessidade de cada Estado”.
A pasta informa que a transferência dos venezuelanos será custeada pela União e que “a recepção local de venezuelanos está sendo planejada junto às secretarias municipais”.

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Bancos entregam dados em quebra de sigilo de Aécio Neves

STF determinou que as instituições financeiras entregassem movimentações entre janeiro de 2014 e maio de 2017

Bancos entregam dados em quebra de sigilo de Aécio

Bancos entregam dados em quebra de sigilo de Aécio

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 28.11.2017
Bancos entregaram informações ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello no âmbito da quebra de sigilo sobre o senador Aécio Neves (PSDB), sua irmã Andrea, seu primo Frederico Pacheco, e do assessor do senador Zezé Perrella (PMDB).
O STF determinou que as instituições financeiras entregassem dados bancários entre janeiro de 2014 e maio de 2017 referentes aos investigados.
Até agora, segundo consta nos autos do inquérito, o Banco do Brasil, o Santander, o BNP Paribas, o Banco do Nordeste, e a Caixa Econômica Federal se manifestaram nos autos após determinação de quebra de sigilo.
O ministro registrou, nesta quarta-feira (7), que os dados solicitados foram entregues pelo Santander e pelo BB. Ele pediu a juntada das petições dos bancos aos autos da ação cautelar e ainda encaminhou o material para vista da PGR (Procuradoria-Geral da República).
A quebra de sigilo, requerida pela procuradora-geral, Raquel Dodge, se estende a outros investigados na Operação Patmos, com suposta propina de R$ 2 milhões da JBS para o senador. São alvos da cautelar a irmã e o primo do tucano, Andrea Neves e Frederico Pacheco, o ex-assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG), Mendherson Souza, e as empresas Tapera e ENM Auditoria e Consultoria.
Defesa
À época, o advogado de Aécio, Alberto Zacharias Toron, afirmou que quebra de sigilo 'é absolutamente normal na fase de inquérito'. "É preciso destacar que o senador sempre se colocou à disposição da Justiça e dos investigadores", enfatizou Toron. "O senador sempre colocou à disposição seus sigilos bancário e fiscal."
Aécio tem negado irregularidades no repasse de R$ 2 milhões da JBS e afirma que os valores seriam referentes a um empréstimo de Joesley e que, inicialmente, teria pedido para que sua irmã, Andrea, oferecesse um imóvel da família por aquele valor de compra.
Eleições. Ao pedir a quebra de sigilo bancário e fiscal do tucano, Raquel mencionou que o presidente da J&F Investimentos S.A., Joesley Batista, e Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais, "descreveram relação espúria entre o grupo empresarial e o senador da República Aécio Neves da Cunha, reportando-se ao pagamento de propina, no valor de R$ 60 milhões, em 2014, realizada por meio da apresentação de notas fiscais frias a diversas empresas indicadas pelo parlamentar".
De acordo com Saud e Joesley, os valores serviam para a suposta compra de partidos que apoiariam o tucano nas eleições daquele ano.
Raquel ressaltou ainda "a utilização, pelo parlamentar, do mandato para atender a interesses do grupo, indicando, como exemplo, a liberação de créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS de pessoas jurídicas da J&F Investimento S.A".
A procuradora-geral ainda voltou a mencionar as supostas propinas de R$ 2 milhões da JBS, alvo da Operação Patmos ao embasar o pedido de quebra de sigilo.
Nota da defesa do senador Aécio Neves
"Sobre as acusações citadas, a defesa do senador Aécio Neves reitera que Joesley Batista mentiu em sua delação premiada com o objetivo de imputar falsos crimes ao senador Aécio Neves e, para isso, usou a oferta de venda de um apartamento da família do senador. Sabe-se agora que o delator estava inclusive sob orientação de um ex-procurador. O senador Aécio jamais recebeu propina ou ofereceu qualquer benefício ao grupo JBS. Os 60 milhões mencionados na matéria foram doações eleitorais, legais e declaradas ao TSE. Não há sequer lógica na acusação de que tais recursos serviriam para compra de legendas, uma vez que o poderoso grupo econômico mantinha relações próprias e diretas com diversos partidos políticos. Também falta lógica à acusação de que tais recursos seriam contrapartida a um benefício de ICMS de valor muito inferior, R$ 24 milhões. ICMS é um imposto estadual cuja cobrança não faz parte das atribuições de um senador. Pedimos acrescentar esses esclarecimentos à publicação."

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quarta-feira, 7 de março de 2018

Avião com meia tonelada de cocaína é interceptado no Mato Grosso





É a 2ª vez que o mesma avião é interceptado pela Força Aérea Brasileira.O bimotor tinha saído da Bolívia e foi forçado a pousar em uma fazenda











A Força Aérea Brasileira (FAB) interceptou uma aeronave que carregava 500 kg de cocaína. 





Após o pouso, os ocupantes da aeronave fugiram e não foram localizados


Após o pouso, os ocupantes da aeronave fugiram e não foram localizados

Divulgação/FAB


O bimotor tinha saído da Bolívia e foi forçado a pousar em uma estrada próxima à cidade de Tangará da Serra, em Mato Grosso, na segunda-feira, 5. A droga foi apreendida pela Polícia Federal, mas o piloto conseguiu fugir.
A aeronave, um aeronave um Piper PA34 Seneca de prefixo PR-EBF, estava sem plano de voo. O registro da aeronave junto a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) estava em situação regular.
Segundo a FAB, o bimotor é o mesmo que, há um ano, em 25 de março, foi interceptado pela Aeronáutica. Daquela vez, a PF estava longe do local e o piloto acabou preso pela Polícia Militar por estar com habilitação vencida. Na ocasião, porém, a polícia não encontrou drogas no avião. A suspeita é de que foi retirada antes da chegada dos agentes de segurança.
Desta vez, em uma operação conjunta que estava sendo realizada, o helicóptero da PF já estava em voo e chegou a tempo de impedir a retirada da droga, mas não a tempo de prendê-los.

Três aeronaves de defesa aérea A-29 Super Tucano da FAB e um avião radar E-99 foram usados para monitorar e interceptar o avião proveniente da Bolívia. O avião foi interceptado e os militares mandaram que eles mudassem a rota e pousassem em Cuiabá. Mas o piloto não obedeceu e jogou o bimotor perto da estrada. As aeronaves da FAB faziam parte da operação Ostium, que reforça a vigilância no espaço aéreo nas fronteiras.
Em 2017, o piloto do PR-EBF foi preso pela PM, após fazer pouso forçado na pista de uma empresa no setor industrial em Campos de Júlio, a 692 km de Cuiabá. Ele estava com a licença para voar irregular e tinha mandado de prisão em aberto por roubo. A polícia suspeitava ainda que o bimotor estava sendo usado para o tráfico porque foram achadas lonas de proteção de drogas.
Apesar de o piloto ter sido detido, o bimotor, posteriormente, foi liberado por estar em situação regular. Um GPS foi encontrado mostrando várias coordenadas de voos em locais onde há forte ação de traficantes.

Reprodução/FAB

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Anel viário de Barra do Garças já custou 40 milhões e ficará pronto até o final do ano; veja vídeo da obra

Serviço de drenagem na avenida Amazonas (Nova Barra) foi inserido na obra do anel viário pelo DNIT atendendo pedido do prefeito de Barra do Garças Roberto Farias

05/03/2018 às 23h55min - Atualizada em 07/03/2018 às 05h57min

Ronaldo Couto
Araguaia Notícia


A obra mais importante dos últimos 25 anos em Barra do Garças finalmente está saindo do papel e se tornando uma realidade o contorno viário ou simplesmente anel viário de Barra do Garças cujo empreendimento já recebeu R$ 40 milhões dos 65,1 milhões que estão previsto no programa Avançar dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal.

A atual fase da obra teve início no dia 1 de junho de 2017 e o término está previsto para 10 de julho de 2019 com o contrato 00 00195/2017 cuja execução compete à empreiteira  Sanches Tripoloni Ltda que está usando tecnologia internacional na construção das pontes.

Os números e a evolução da obra foram apresentados na noite de segunda-feira (5/3) durante audiência pública no anfiteatro da prefeitura de Barra do Garças com a participação do prefeito barra-garcense Roberto Farias;  os senadores Welington Fagundes e José Medeiros e o deputado estadual Baiano Filho e diversos prefeitos e vereadores da região.

O relatório sobre a obra foi apresentado pelo diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) Valter Casemiro juntamente com os superintendentes do DNIT de Mato Grosso e de Goiás. Casemiro aproveitou a audiência em Barra do Garças e confirmou que o pleito do prefeito Roberto Farias sobre a obra de drenagem na avenida Amazonas foi incluída dentro da obra do anel viário com investimento de R$ 2 milhões. “Essa avenida Amazonas passa pelo anel viário e precisamos dar encaminhamento correto para água que se acumula neste trecho e por isso vamos atender o pedido do prefeito Beto”, completou.

Beto lembrou que o pleito do anel viário começou com Wilmar Peres no década de 90 e se tornou realidade graças ao empenho do senador Welington Fagundes. “Senador o senhor é o pai e a mãe desta obra indiscutivelmente já foi criticado e muito elogiado pelo seu empenho e agora estamos vivendo esse momento extraordinário para nossa região”, completou Beto.

No relatório apresentado pelo DNIT foi lembrado a primeira tentativa de convenio para se fazer o anel viário foi em 2003 mas fracassou em 2005. Houve outra tentativa em 2011 com a Sinfra todavia parou na burocracia para conseguir as licenças ambientais em 2017. A partir de junho de 2017, a obra do anel viário passou a ser de responsabilidade do DNIT sendo inserida no PAC e no programa Avançar.

A ponte do rio Garças está praticamente pronta e será entregue oficialmente em maio com 168 metros de comprimento e a ponte sobre o rio Araguaia de 240 metros ficará pronta em julho. Acompanhe um vídeo produzido pelo DNIT que mostra a evolução da obra do anel viário de Barra do Garças.


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terça-feira, 6 de março de 2018

Lula perde habeas corpus no STJ por 5 votos a 0 e pode ser preso

Condenado em janeiro pelo TRF4, ex-presidente corre risco de ir para a prisão após o julgamento de seus recursos na segunda instância

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Julgamento no STJ avaliou pedido de habeas corpus solicitado pela defesa de Lula

Julgamento no STJ avaliou pedido de habeas corpus solicitado pela defesa de Lula

Pedro Ladeira/Folhapress - 06.03.2018
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou um pedido de liberdade antecipado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que corre o risco de ser preso após o TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) julgar os recursos apresentados por sua defesa. A decisão desta terça-feira (6) sobre o habeas corpus para Lula foi tomada por unanimidade, por 5 votos a 0.
Condenado a 12 anos e 1 mês de prisão pelo TRF4, o ex-presidente é acusado de favorecer a empreiteira OAS em contratos com a Petrobras. Em troca, de acordo com a Justiça Federal no Paraná e com o TRF4 (corte de 2ª instância), Lula teria recebido um apartamento tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo.
Com a decisão de hoje, o petista ainda corre o risco de ser preso antes de seu processo chegar ao fim, o chamado “trânsito em julgado”. O pedido de habeas corpus tramita na Justiça de forma separada do processo que trata do tríplex.
A pena de Lula poderá ser executada quando o TRF4 concluir o julgamento dos recursos que a defesa do ex-presidente apresentou há 15 dias. Não há prazos para isso acontecer. A prisão seguiria o atual entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal), que, em outubro de 2016, autorizou a prisão de condenados após segunda instância. Como a decisão foi tomada por maioria apertada (6 a 5), o caso pode retornar ao STF para novo julgamento.
Líder das pesquisas de intenção de voto para presidente, Lula pode ficar fora das eleições presidenciais deste ano com a condenação no TRF4. A decisão final cabe ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Ao proclamar o resultado, o presidente da 5ª Turma do STJ, ministro Reynaldo Soares da Fonseca, disse que a Turma reconhecia em parte o pedido dos advogados do ex-presidente, mas que, por unanimidade, não concedia o habeas corpus solicitado pela defesa.
Após o julgamento, um dos advogados de Lula, Sepúlveda Pertence, que é ex-presidente do STF, afirmou que irá levar o pedido de habeas corpus ao Supremo para garantir que Lula só cumpra a pena caso sua condenação no caso tríplex esgote todos os recursos na Justiça brasileira — o caso ainda pode tramitar por STJ e STF.
Ele também declarou esperar que o Supremo julgue duas ações de inconstitucionalidade que devem decidir definitivamente se condenados em segunda instância devem cumprir pena de imediato ou somente após o trânsito em julgado.
Em nota divulgada ao término do julgamento, o PT defendeu que ninguém pode ser privado de liberdade antes de esgotados todos os recursos cabíveis na Justiça e acusou a primeira e segunda instâncias de terem realizado um julgamento político sobre o ex-presidente.
Veja a seguir como foi o julgamento.
O julgamento: defesa X acusação
Sepúlveda Pertence, advogado do ex-presidente, foi o primeiro a se manifestar. Ele questionou os argumentos utilizados pelo TRF4, que pede o cumprimento imediato da condenação do petista. Ele defendeu que há um entendimento sólido no próprio STJ no sentido da necessidade de se encerrar todos os recursos possíveis para se começar a executar uma pena de prisão.
Numa defesa bastante técnica em 15 minutos, o advogado afirmou que o atual entendimento do STF sobre a prisão em 2ª instância não teria efeito vinculante e cobrou que uma execução da pena contra o ex-presidente só ocorra após o julgamento de duas ações diretas de constitucionalidade que tratam do tema.
— Não trato do paciente e de suas qualificações. O que se pretende é a reafirmação do princípio constitucional básico da presunção de inocência, que serve e protege qualquer cidadão, tenha havido ou não exercido a Presidência da República ou qualquer órgão.
Logo após foi a vez de o Ministério Público Federal, que representa a acusação, falar por 15 minutos. O subprocurador-geral da República Francisco de Assis Vieira Sanseverino rebateu os argumentos da defesa de Lula e disse que o precedente do STF utilizado na atual decisão já está incorporado à jurisprudência, tanto do TRF4 quanto do próprio STJ.
— Não há nenhum elemento de diferenciação deste caso, ora em apresentação, em relação ao trazido no âmbito do STF [sobre o cumprimento da pena após 2ª instância]. Estamos diante de uma situação em que os réus foram condenados em segundo grau. A matéria de fato e os fundamentos de direito foram examinados pelo TRF4, que entendeu cabível, desde que esgotada a sua jurisdição, a possibilidade da execução provisória.
Ministro relator nega habeas corpus a Lula
O primeiro ministro da 5ª Turma do STJ a votar foi o relator da ação, Felix Fischer. Ele destacou que o vice-presidente do STJ, ministro Humberto Martins, já havia negado o habeas corpus em fevereiro, por meio de decisão liminar (provisória), e declarou que não há constrangimento nem violação do princípio da inocência caso o petista seja preso.
— A execução provisória de acórdão penal condenatório não compromete o princípio constitucional da presunção de inocência.
A Constituição Federal, em seu artigo 5º (que afirma que “todos são iguais perante a lei”) diz, no inciso 57, que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
Segundo a votar, o ministro Jorge Mussi acompanhou o relator e também negou o habeas corpus antecipado. Mussi afirmou que a decisão não compromete a presunção de inocência determinada na Constituição Federal.
— O peso da presunção de inocência após a condenação em segundo grau fica mais leve, menos relevante, em contraste com o interesse estatal de que os condenados cumpram a pena.
Mussi afirmou que o STJ se preocupa com o respeito à Constituição no cumprimento provisório de penas.
— O STJ, o nosso tribunal, tem proclamado a legalidade e a constitucionalidade do cumprimento provisório da pena.
Quinta Turma do STJ forma maioria e nega habeas corpus
O terceiro dos cinco ministros a votar foi o presidente da 5ª Turma, ministro Reynaldo Soares da Fonseca. O magistrado afirmou que não cabe ao STJ aplicar entendimento diferente do que já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal.
Fonseca destacou que, se não foram aplicadas outras medidas cautelares contra Lula ao longo do processo, não haveria razão agora para prisão. O ministro, porém, citou precedentes e acrescentou que esses requisitos são necessários somente para a prisão preventiva, não sendo aplicados em casos de prisão após condenação.
— Não se trata de segregação cautelar, mas de efeito automático da condenação. [...] Diante da guinada jurisprudencial do Supremo, não se discutem mais nessa fase os pressupostos da prisão cautelar.
O ministro Ribeiro Dantas, quarto a votar, disse que não cabe ao STJ qualificar uma decisão do STF como ilegal — em referência à decisão sobre prisão após segunda instância. Ele também enfatizou que ainda não ocorreu o julgamento dos embargos de declaração pelo TRF4 e, por isso, não há como impedir preventivamente a prisão de Lula.
— Como impedir a execução antecipada de uma pena que não se sabe se será intermediada?
Último a votar, o ministro Joel Ilan Paciornik também seguiu o relator Felix Fischer, encerrando o julgamento em 5 a 0. Paciornik afirma que o ex-presidente Lula ainda não foi preso e, portanto, o habeas corpus não se justifica no momento. — É consabido que ainda pendem julgamentos dos embargos declaratórios pedidos pela defesa. O ministro complementa que, caso Lula seja preso, poderá entrar na justiça para recorrer da decisão.                                                                                                                                                                    — Entendo que neste caso isso poderá ser feito em recurso especial, não em habeas corpus.
(Com informações das agências Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ministro do STF determina quebra do sigilo bancário de Temer

Presidência da República confirmou a decisão de Luís Roberto Barroso e afirmou que o presidente Michel Temer vai colaborar com a Justiça

Temer diz que vai levantar seus extratos bancários

Temer diz que vai levantar seus extratos bancários

Ueslei Marcelino/REUTERS - 27.02.2018
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, determinou a quebra de sigilo bancário do presidente Michel Temer (MDB) no processo queinvestiga supostas irregularidades na MP (Medida Provisória) dos Portos.
A informação foi confirmada pela Presidência da República por meio de uma nota divulgada na noite desta segunda-feira (5). Nela, o presidente Michel Temer afirma que vai colaborar com a Justiça para atender a determinação de Barroso.
É a primeira vez que um presidente no exercício do mandato tem o segredo de seus dados bancários quebrado. O período a que se refere o pedido de envio de dados vai de 1º de janeiro de 2013 a 30 de junho de 2017.
"O presidente Michel Temer solicitará ao Banco Central os extratos de suas contas bancárias referentes ao período mencionado hoje no despacho do iminente ministro Luís Roberto Barroso. E dará à imprensa total acesso a esses documentos. O presidente não tem nenhuma preocupação com as informações constantes  suas contas bancárias", diz a nota.
A Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República chegaram a travar um embate em relação ao afastamento do sigilo de Temer, que acabou sendo decidido pelo ministro do Supremo, que já havia aceitado na semana passada o pedido da PF para prorrogar por mais 60 dias as investigações em curso contra Temer.
Em despacho, Barroso acatou pedido feito pela PF (Polícia Federal), que teve parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República), de dar mais dois meses para o cumprimento de diligências no inquérito. O BC (Banco Central) explicou que em "situações de quebra de sigilo ou de bloqueio/desbloqueio/transferência de valores, o BC atua, por meio da ferramenta BacenJud, como mero auxiliar do Poder Judiciário no encaminhamento das ordens às instituições do Sistema Financeiro". A instituição explica ainda que não faz "qualquer juízo de valor sobre a decisão judicial, até por não ser o BC parte no processo judicial".

Investigação

A investigação do inquérito apura se Temer beneficiou a empresa Rodrimar, que atua no Porto de Santos, na edição do decreto dos Portos, assinado em maio de 2017 e mira os possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e corrupção passiva.
Na ação, além do presidente Michel Temer, são investigados no mesmo inquérito o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures e os empresários Antônio Celso Grecco e Ricardo Mesquita, donos da Rodrimar, empresa que atua no Porto de Santos.
Em janeiro, ao responder por escrito aos questionamentos dos delegados responsáveis pelo caso, a defesa do presidente Temer declarou que ele nunca foi procurado por empresários do setor portuário para tratar da edição do decreto.
Sobre o ex-deputado Rocha Loures, um dos investigados no inquérito, Temer disse que nunca o autorizou a fazer tratativas em seu nome. "Peço vênia para realçar a impertinência de tal questão, por colocar em dúvida a minha honorabilidade e dignidade pessoal", escreveu.

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