domingo, 7 de janeiro de 2018

Tarifas de energia elétrica podem ter reajustes acima de 10% em 2018

Consumidor vai sentir no bolso o efeito da estiagem

Vertedouro da Usina de Itaipu
Vertedouro da Usina de ItaipuCaio Coronel/Divulgação Eletrobras

A falta de chuvas em 2017 vai pesar no bolso dos consumidores em 2018. Após um ano com um volume de afluências abaixo da média, que levou a um elevado consumo de energia a partir de usinas térmicas, mais caras, a tarifa de luz deve subir em um ritmo maior neste ano. E isso mesmo considerando que o atual período chuvoso, iniciado em novembro, tem se mostrado mais favorável.
As projeções variam, mas os reajustes das tarifas de energia devem superar os 10%, em média. Uma parcela significativa desse reajuste vem do aumento do custo da energia, pressionado pelo déficit hidrológico (GSF), estimam especialistas.
Pelos cálculos da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o déficit hidrológico médio de 2017 ficou em 79%, o que significa que as hidrelétricas geraram 21% menos do que o volume de energia que tinham direito de comercializar.
Para compensar a menor geração hídrica, foram acionadas termelétricas, que produzem uma energia mais cara, gerando custo adicional para o sistema. Esse custo deveria ser coberto pela receita proveniente das bandeiras tarifárias, mas tendo em vista o alto preço da energia de curto prazo registrado ao longo do ano, justamente pela geração térmica, o valor arrecadado não tem sido suficiente para fazer frente às necessidades.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) chegou a elevar o valor da cobrança adicional com o acionamento das bandeiras, a partir de novembro, e ainda liberou um recursos proveniente de um outro encargo, a Conta de Energia de Reserva (Coner), de maneira a reduzir o descompasso entre gastos e receitas. Ainda assim, a projeção é de déficit significativo. Pelas regras do setor, quando a receita com as bandeiras tarifárias não é suficiente para cobrir os custos, as distribuidoras arcam com compromisso e, no momento do reajuste, o saldo dessa conta entra no cálculo da tarifa, de forma a zerar os passivos.
Considerando os dados até novembro, a Aneel indicou um saldo negativo de R$ 4,8 bilhões para compensação futura, por meio das bandeiras tarifárias ou dos reajustes mensais. A estimativa da Associação de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) indica que o déficit das distribuidoras com o custo hidrológico deve somar cerca de R$ 4,3 bilhões em 2017. A leve redução deve ser possível tendo em vista que em dezembro vigorou a bandeira vermelha patamar 1, que adiciona R$ 3 a cada 100 KWh consumidos, gerando receita para a Conta Bandeiras, ao mesmo tempo em que o déficit hidrológico e os preços da energia de curto prazo foram menores que o de meses anteriores.
No entanto, para janeiro, a Aneel definiu que a bandeira tarifária é verde - sem custo extra para os consumidores -, reduzindo o montante arrecadado na conta bandeiras. Com isso, o passivo a ser repassado para as tarifas pode ser maior.
A consultoria Thymos Energia estima que as distribuidoras que têm reajuste no primeiro semestre - empresas como Cemig, Enel, Light e algumas concessionárias da CPFL, por exemplo - terão um reajuste entre 10% e 15%. "O que vai acontecer é que esse saldo não vai ficar zerado e esse acúmulo, bem acentuado por conta de GSF baixo com PLD alto, vai puxar a componente de CVA", explica o presidente da Thymos, João Carlos Mello, referindo-se à Conta de Compensação de Variação de Valores de Itens da Parcela A, um mecanismo que calcula as variações de valores de custos não gerenciáveis (Parcela A) ocorridas entre reajustes tarifários anuais das distribuidoras de energia. Na data do reajuste anual, se a CVA estiver negativa, há repasse desse montante para tarifa. Se a conta estiver positiva, o saldo é usado para abater o reajuste anual das tarifas.

Diego Aspeé, consultor da Thymos, não descarta aumentos até superiores aos 15% e lembra que o alto custo com GSF já penalizou os consumidores das distribuidoras que têm reajuste no final do ano, como CPFL Piratininga, Celg e EDP SP, que anotaram aumentos entre 15% e 24%, influenciados também por outros fatores, como o início do pagamento de indenizações às transmissoras. Para estas e outras distribuidoras com aniversário de contrato no segundo semestre, ele considera que o ritmo de reajuste dependerá do volume de chuvas nos próximos meses e do preço spot de energia. "O viés é de alta, mas vai depender da janela de CVA. Pode haver uma compensação, se o primeiro semestre for favorável", diz.
A TR Soluções, empresa especializada na análise e cálculo de estruturas tarifárias, projeta um reajuste médio das tarifas de energia de 9%, considerando 40 distribuidoras do País que respondem por cerca de 97% do mercado brasileiro. Dentre as empresas com aumento nas contas de luz acima da média nacional, segundo a empresa, estão as distribuidoras do Rio de Janeiro - Light e Enel Rio (antiga Ampla), justamente as primeiras concessionárias de grande porte a passarem por processos tarifários neste ano, em 15 de março. O aumento estimado é da ordem dos 10%.
Mais otimistas, os analistas do Banco Santander estimam um aumento médio de 5,9% nas contas de luz, no cenário base, considerando o acionamento da bandeira vermelha patamar 1 ao longo de 2018, que levaria ao equacionamento do passivo na CVA. Para a equipe, em seu cenário mais otimista, a bandeira amarela seria acionada em meados de 2018, o que poderia contribuir para um reajuste de apenas 1,9% das tarifas, sempre levando em conta que não haveria passivos a serem cobertos nos reajustes anuais. Neste cenário, o banco prevê que os reajustes devem ser mais baixos nas distribuidoras com reajuste no primeiro semestre e mais elevados para as concessionárias que têm aniversário de contrato na segunda metade do ano.
Para a equipe de análise, o acionamento da bandeira verde em janeiro antecipa o movimento de menor pressão tarifária já esperado por conta da melhora da hidrologia, provocando um impacto positivo para o consumidor. Embora considerem que o cenário mais provável ainda é de bandeira amarela para 2018, os profissionais do banco passaram a trabalhar com a probabilidade de que a bandeira verde seguirá válida por mais alguns meses.
Encargos
Além do custo com o déficit hidrológico, os especialistas  citam os encargos setoriais como fator de pressão nas tarifas de energia. No final de dezembro, a Aneel anunciou um aumento de 22,88% na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), o que corresponde a um impacto médio nas tarifas de 2,14%, com diferenças no peso da cobrança por regiões. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o impacto será de 2,72%, e no Norte e Nordeste, de 0,77%, segundo cálculos da própria agência.
Mas a TR Soluções calcula que o impacto médio deve ser maior, de 3,7% nas tarifas, chegando a 4,5% para consumidores das regiões Sul e Sudeste-Centro Oeste. A consultoria explica que sua estimativa é superior à divulgada pela Aneel porque a análise considera também o componente financeiro do aumento no encargo, não apenas o econômico.
A TR lembra que haverá o impacto da retirada de componente financeiro negativo nas contas da CDE, referente a um desconto dado da ordem de R$ 10,00 por MWh, por conta de uma cobrança a maior, e que fica em vigor até o evento tarifário de cada concessionária em 2018.

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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Afif diz que Temer decidiu vetar Refis de microempresas, mas pretende apoiar derrubada do veto no Congresso

Por Valdo Cruz
 

O presidente do Sebrae, Afif Domingos, afirmou ao Blog nesta sexta-feira (5) – após se reunir com Michel Temer em São Paulo – que o presidente da República decidiu vetar integralmente o programa de refinanciamento de dívidas de micro e pequenas empresas (Refis), aprovado no final do ano passado pelo Congresso.
O veto, que foi assinado nesta sexta, será publicado na edição de segunda-feira (8) do "Diário Oficial da União".
Ainda de acordo com Afif, apesar de ter decidido acolher a recomendação dos ministérios para vetar o Refis, Temer avisou ao presidente do Sebrae que pretende apoiar a derrubada do próprio veto no Congresso Nacional.
Outra alternativa analisada pelo peemedebista é enviar ao parlamento um novo projeto para viabilizar o refinanciamento das dívidas de micro e pequenos empresários.
O objetivo de Temer é se eximir de qualquer responsabilidade pelo perdão das dívidas aos microempresários. O peemedebista foi alertado pela área técnica do governo de que, caso viesse a sancionar o texto, ficaria na mira da Lei de Responsabilidade Fiscal, o que, teoricamente, poderia motivar um processo ou até mesmo um pedido de impeachment.
O relator do projeto sobre o Refis para micro e pequenas empresas, deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), afirmou nesta sexta ao G1 que vai trabalhar para a derrubada do veto.
Leite ressaltou que o presidente tem respaldo constitucional para sancionar o Refis que, segundo ele, geraria alta, e não queda na arrecadação deste ano. O deputado tucano questionou a falta de "isonomia" do governo por ter aberto programa de refinanciamento para médias e grandes empresas, mas se negar a fazer o mesmo para as micro e pequenas.

Estudo de impacto fiscal

Afif Domingos disse ainda que, durante a audiência, o presidente afirmou que vai conversar na segunda-feira com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para solicitar o cálculo do impacto fiscal deste programa, já que isso não foi feito na ocasião em que o projeto tramitou no Congresso. Os congressistas também não definiram as medidas compensatórias no Orçamento de 2018.
Isso é necessário porque, a cada renúncia de receita, o Orçamento precisa prever uma compensação. Sem essas previsões, o presidente estará desrespeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal se sancionar o texto.
Principal articulador da aprovação do Refis, Afif defendeu o projeto alegando que era preciso garantir isonomia às micro e pequenas empresas, já que as demais tiveram seu programa de refinanciamento aprovado no ano passado.
A equipe econômica é contra a concessão deste tipo de programa, porque acaba funcionando como um estímulo ao mau pagador. A empresa deixa de pagar seus impostos sempre na expectativa de que um novo Refis será aprovado, com descontos generosos em multas e juros.
Sucessivos programas foram aprovados desde os governos petistas. O Ministério da Fazenda aceitou a aprovação dos últimos Refis com o compromisso de que não seriam feitos outros a partir de agora.


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Ministra do Trabalho foi condenada a R$ 60 mil por violar lei trabalhista

Justiça reconheceu vínculo a motorista que tinha jornada de 15 horas


Roberto Jefferson (e), presidente do PTB, foi quem indicou Cristiane a Temer
Roberto Jefferson (e), presidente do PTB, foi quem indicou Cristiane a Temer ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO - 06.04.2016
Escolhida pelo presidente Michel Temer (PMDB) para o cargo de ministra do Trabalho, a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) foi condenada em 2017 a pagar multa de R$ 60.476 por não reconhecer o vínculo empregatício de um motorista que trabalhou para a parlamentar entre novembro de 2011 e janeiro de 2015.
O motorista entrou com a ação na Justiça de Trabalho em abril de 2015 solicitando o reconhecimento do vínculo na carteira de trabalho e o pagamento dos direitos trabalhistas correspondentes, como horas extras, férias, 13º salário e gratificações.
Em depoimento em abril de 2016 ao juiz Pedro Figueiredo Waib, da 44ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, o trabalhador Fernando Fernandes Dias declarou que entre 2012 e 2014 trabalhou exclusivamente na residência da deputada no Flamengo, bairro nobre da zona sul carioca, atendendo a demanda dos filhos e outros empregados domésticos.
Dias afirmou que trabalhava no dia a dia da residência, levando os filhos de Cristiane para escola, médicos e até “baladas”. Ele também transportava empregadas domésticas para fazer compras, além de realizar pagamentos de contas para a deputada. Sua jornada de trabalho começava às 6h30 e terminava por volta das 22h, segundo disse em juízo.
O pagamento era de cerca de R$ 4.000 mensais, sendo R$ 1.000 pagos geralmente em espécie e o restante em depósito em conta bancária.
Antes desse período, em 2011, Dias trabalhou no gabinete de Cristiane na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, alegando trabalhar “direto, com folga apenas aos domingos”.

A deputada não compareceu à audiência de conciliação, indicando sua advogada e uma representante que não tinha conhecimento do caso. Em razão disso, o juiz Waib aplicou em sua sentença os princípios da “revelia” e da “confissão ficta”, que representa a confissão do fato, admitindo a versão do trabalhador..
“Verificou-se — sem maiores dificuldades — flagrante desconhecimento dos fatos controvertidos tratados nesta ação trabalhista, razão pela qual reputo a representação da reclamada irregular, declaro sua revelia, e lhe aplico os efeitos da confissão ficta”, escreveu.

Waib reconheceu o vínculo de emprego entre 29 de novembro de 2011 e 10 de janeiro de 2015 “na função de motorista, com remuneração mensal de R$ 4.000”.

Em julho, Justiça atualizou valor da multa para R$ 60.476
Em julho, Justiça atualizou valor da multa para R$ 60.476 Reprodução
“Acolho que o autor trabalhava de segunda a sexta, das 6:30h às 22h, com uma hora de intervalo intrajornada. Assim, são devidas como extras as horas excedentes da 8ª diária e da 44ª semanal, de forma não cumulativa”, decidiu o juiz.
Cristiane foi condenada na primeira instância ao pagamento de aviso-prévio de 39 dias, gratificações natalinas de 2011, 2012, 2013 e 2014, férias, multa do FGTS, entre outras penalidades, totalizando R$ 100 mil.
A advogada da parlamentar entrou com recurso na segunda instância e teve parte das alegações atendidas pela 10ª Turma do Tribunal do Regional do Trabalho da 1ª Região, el julgamento realizado em fevereiro de 2017.
Com isso, foi tirado da conta o pagamento do FGTS com multa de 40% após demissão e as horas extras, já que as novas regras para o trabalho doméstico só começaram a valer em junho de 2015, após, portanto, o final do contrato de trabalho.
O relator Leonardo Dias Borges sugeriu que a multa caísse então para R$ 50 mil, no que foi atendido por unanimidade pelos membros da 10ª Turma do TRT-1.
Em julho de 2017, a juíza Anna Elisabeth Junqueira Ayres Manso Cabral determinou o valor final da sentença, calculado em R$ 60.476,89. Segundo os documentos públicos divulgados pelo TRT-1, até novembro passado a parlamentar ainda não havia comprovado o pagamento dos débitos.
O R7 tentou contato com a deputada, sua assessoria e o diretório nacional do PTB em Brasília, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem

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Nova PEC tenta livrar Temer de crime de responsabilidade

Assunto foi discutido em reunião na residência de Maia


PEC tenta livrar Temer de crime de responsabilidade

PEC tenta livrar Temer de crime de responsabilidade Adriano Machado/REUTERS - 21.12.2017
A área econômica começou a discutir com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, uma proposta de flexibilização da regra de ouro.

Prevista na Constituição, essa regra impede a emissão de dívida para o pagamento de despesas de custeio. É um dos três instrumentos de controle da política fiscal junto com a meta fiscal e o teto de gastos.
O assunto foi discutido em reunião na residência de Maia com os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, a mudança na regra de ouro é um debate que ainda está no começo com apoio da área econômica.

O deputado Pedro Paulo (PMDB-RJ) está estruturando um texto de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) com ajuda de técnicos da Câmara.

Uma fonte do governo informou que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, apoia a medida porque o risco de descumprimento da regra de ouro em 2019 é real.

Para 2018, a avaliação é que a situação está mais sob controle com o pagamento antecipado pelo BNDES de R$ 130 bilhões de empréstimos feitos pelo Tesouro Nacional.

Na reunião, foram discutidos projetos que precisam ser aprovados em 2018. A reforma da Previdência abre a lista, seguida por outros temas já conhecidos, como a reoneração da folha, aumento da contribuição dos servidores, adiamento do reajuste salarial dos servidores e privatização da Eletrobras.

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Famílias sem-terra mantêm ocupação em fazenda que ex-governador de MT entregou à Justiça para deixar a prisão

Imóvel avaliado em R$ 33 milhões foi invadido há quase duas semanas. Manifestantes cobram a criação de um assentamento no local. 

Por G1 MT


Cerca de 300 famílias ligadas à Ação Unificada Nacional (ANU) ocupam há quase duas semanas uma fazenda que pertencia ao ex-governador Silval Barbosa (PMDB). 

O imóvel avaliado em R$ 33 milhões está localizado no município de Peixoto de Azevedo, a 692 km de Cuiabá.

Os manifestantes cobram a criação de um assentamento no local.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) disse que a Secretaria da Casa Civil e a Procuradoria Geral do Estado foram notificadas sobre a invasão da área, que aconteceu no dia 26 de dezembro.
 A área que pertence ao ex-governador foi entregue à Justiça depois de ser realizado um acordo para que ele deixasse a prisão.
Um dos representantes do movimento Ação Unificada Nacional (ANU), Wendel Girotto, informou que na próxima semana uma reunião deverá ser realizada com o Incra para discutir a possibilidade da criação de um assentamento.
"Nossa coordenação irá se reunir com o Incra para tratarmos sobre a ocupação da região", disse.

A fazenda possui cerca de 4,1 mil hectares. A área foi alienada junto com outros bens do ex-governador. As famílias alegam que a área se encontra desocupada e que pode ser usada pelos trabalhadores sem-terra, por se tratar de um terra produtiva.

No local, os manifestantes construíram barracos cobertos com lonas. Não há previsão para a desocupação da área.

  

Em troca da liberdade



O ex-governador deixou a prisão em regime fechado em junho do ano passado depois dequase dois anos preso. Ele teve a prisão domiciliar decretada mediante entrega de R$ 46 milhões em bens. Entre eles estão duas fazendas, avaliadas em R$ 33 milhões e R$ 10 milhões, e um avião de R$ 900 mil.

A aeronave já começou a ser usada pelo governo no transporte de presos e autoridades.

O ex-governador foi preso durante a operação Sodoma, que investiga a existência de uma suposta organização criminosa que cobrava propina de empresários para manter contratos vigentes com o estado, durante a gestão dele. 

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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Marun é levado à Comissão de Ética por reforma da Previdência

Presidente do Fonacate protocolou representação nesta terça-feira (2)

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Marun será levado à Comissão de Ética
Marun será levado à Comissão de ÉticaFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 29.12.2016
O presidente do Fonacate (Fórum Nacional Permanente das Carreiras Típicas de Estado), Rudinei Marques, esteve nesta tarde no Palácio do Planalto para protocolar uma representação na Comissão de Ética Pública da Presidência da República contra o secretário de Governo, Carlos Marun, pela suposta tentativa do ministro de coagir governadores e parlamentares, com a possível retenção de recursos da Caixa, a apoiar a reforma da Previdência.
Na avaliação da associação, que reúne categorias como auditores fiscais e analistas do Banco Central, o comportamento do ministro é inaceitável. "Ficamos estarrecidos com as palavras do ministro Marun, que sem nenhuma cerimônia falou em usar recursos de financiamento da CEF para aliciar deputados para votarem a favor da reforma da Previdência. Isso é inconcebível", disse Marques.
Na semana passada, Marun divulgou nota, numa espécie de "tréplica" aos governadores que reagiram à sua recente declaração de que o governo pressiona gestores estaduais e municipais a trabalharem a favor da aprovação da Reforma da Previdência, em troca da liberação de recursos em financiamentos de bancos públicos, como a Caixa. "A reação daqueles que querem continuar omitindo a participação do governo federal nas ações resultantes de financiamentos obtidos junto aos bancos públicos só se justifica pela intenção de buscar resultados eleitorais exclusivamente para si", escreveu o ministro. "Estes defendem a equivocada tese de que quem recebe financiamentos pratica ações de governo e que quem os concede, não".
Depois das declarações de Marun, sete dos nove governadores do Nordeste enviaram carta aberta ao presidente Michel Temer protestando contra a fala do ministro. No documento, os governadores prometem acionar política e judicialmente os agentes públicos envolvidos, caso a "ameaça" de Marun se confirme.
Para o representante da Fonacate, não há dúvidas que o comportamento do ministro fere a lei e os princípios da Administração Pública. "Ele deixou claro e reiterou. Ele agora que se explique à Comissão", disse o presidente da entidade.
A Comissão ainda vai avaliar o caso, mas costuma aplicar como sanções medidas como advertência e até sugestão de uma eventual exoneração. "O que esperamos é primeiro que não se efetive o que o governo se propôs a fazer. Depois acreditamos que a comissão pode aconselhar o presidente a tomar alguma medida", afirmou Marques.
Histórico
A Fonacate foi uma das entidades que entrou no ano passado com uma representação contra o secretário da Previdência, Marcelo Caetano, para que ele se afastasse do conselho de administração da Brasilprev, empresa de previdência ligada ao BB Seguridade. O pedido foi acatado pelo colegiado, que entendeu a solução como "preventiva" já que não foi constatado transgressões éticas por parte do secretário pela Comissão

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Os aposentados do Brasil pagam a conta da corrupção


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Temer admitiu que pode cortar pensões
Temer admitiu que pode cortar pensõesAlan Santos/PR - 27.12.2017
O presidente Michel Temer tem defendido com veemência a aprovação da Reforma da Previdência. Em entrevista exclusiva à coluna, chegou a afirmar que, caso isso não ocorra, será necessário cortar pensões e vencimentos de servidores.
Mas o que Temer não diz é que os aposentados vão acabar pagando o pato pelo roubo dos políticos aos cofres públicos.
Um levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo revela que o buraco da corrupção no País é muito maior que o da Previdência (veja mais no quadro abaixo).
Só para efeito de comparação: enquanto o ministro Henrique Meirelles projeta uma economia de R$ 48 bilhões anuais com a reforma, a Fiesp apurou que as práticas corruptas drenam dos cofres públicos assombrosos 2,3% do PIB brasileiro. Assim, considerando os R$ 6,266 trilhões responsáveis por toda a riqueza que produzimos, em 2016, teríamos R$ 144,1 bilhões destinados à bandidagem.
Dito de uma maneira mais direta: o dinheiro tungado pelos corruptos é, exatamente, o triplo do que Temer e Meirelles pretendem economizar com a reforma da Previdência.
Isso mesmo.
O triplo.
Na bandalheira com a coisa pública, as cifras nunca são acanhadas.
Vejamos o caso do Rio de Janeiro. Lá, o delegado da Polícia Federal, Alexandre Ramagem, que integra o grupo da Operação Lava Jato, estipula que o esquema montado por Sérgio Cabral, deputados estaduais e grandes empresários fez com que o Estado deixasse de arrecadar inacreditáveis R$ 183 bilhões nos últimos cinco anos.
Mais uma vez, a economia com a reforma da Previdência perde de lavada para a corrupção.
Aliás, no Brasil, Previdência e corrupção sempre andaram de mãos dadas. O caso mais célebre foi o da ex-advogada Jorgina de Freitas. Na década de 80, em conluio com servidores, promotores e juízes, ela surrupiou R$ 2 bilhões, do INSS, em valor atualizado.
Jorgina acabou condenada e presa, mas quantas outras Jorginas gozam a vida por aí, enquanto milhões de trabalhadores perdem o sono?
Só os que costumam almoçar com a Fada do Dente podem imaginar que a corrupção na própria Previdência é coisa do passado.
Parece óbvio que a angústia provocada pela eventual reforma da Previdência seria desnecessária caso o combate à corrupção fosse uma política de governo.
Calcula-se que, em 2017, o déficit nas contas da Previdência poderá ultrapassar os R$ 200 bilhões, um aumento substancioso em relação aos R$ 149 bilhões de 2016, que já era bem mais parrudo do que os R$ 85,81 de bilhões de 2015.
Ministro da Previdência Social com Lula e depois com Dilma, Carlos Gabas reconhece o desastre dos números, mas diz que a proposta da reforma está equivocada, e que antes dela é preciso fazer a tributária. "Não se pode sacrificar o peão e deixar quem ganha um milhão por mês sem pagar nada", destaca.
Para Gabas, falta "transparência" ao Governo, que não teria coragem de tocar em privilégios incrustados no serviço público, como o pagamento de R$ 4,37 mil para os juízes a título de auxílio-moradia, e deixar que "97% do Ministério Público ganhe acima do teto".
A numeralha exposta pelo Governo assombra qualquer contador de esquina, mas será que a reforma da Previdência é, de fato, a única alternativa para acabar com esse rombo crescente?
Acredito que não.
Sejamos francos, o dinheiro roubado pelos larápios de colarinho branco é muito maior do que aquele que o Governo pretende tirar a fórceps do bolso da peãozada, como disse Gabas.
A corrupção é a grande doença social. Desde tempos imemoriais, ela impede o nosso crescimento e nos condena a permanecer eternamente deitados em berço esplêndido.
Portanto, é na caça aos corruptos e não aos aposentados que o Governo deve se concentrar.


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