A força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal) em Curitiba (PR), responsável pelas investigações e acusações no âmbito da Operação Lava Jato, afirmou nesta terça-feira (2) que a possível soltura do ex-ministro José Dirceu representa uma "ameaça a sociedade".
O coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, explicou que a prisão de José Dirceu hoje "é estritamente necessária e será mantida porque a liberdade de Jose Dirceu seria uma ameaça a sociedade [...] em razão da influência que ele tem no sistema político-partidário".
Dallagnol aproveitou, em entrevista coletiva nesta terça-feira na capital paranaense para comparar o caso de Dirceu com os do pecuarista José Carlos Bumlai e do ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu, libertados na semana passada após decisão do Supremo.
— Na semana passada, foram soltos o Genu e Bumlai, mas são situações diferentes. [...] José Dirceu já está condenado a mais de 32 anos, sem contar a perspectiva de nova condenação com essa nova denúncia. [...] Temos contra José Dirceu várias peculiaridades que agravam a situação. Nos casos de Genu e Bumlai, havia atenuantes.
Mais cedo, o MPF denunciou Dirceu na Lava Jato por causa do recebimento de propina antes, durante e após o julgamento do mensalão, pelo qual foi condenado e cumpriu pena.
Dirceu é acusado de praticar 33 crimes de lavagem de mais de R$ 2,4 milhões, praticados entre abril de 2011 e outubro de 2014.
Dallagnol enumerou, entre as características dos crimes praticados por Dirceu que agravam a situação dele, o "nível hierárquico na organização criminosa, [...] e o risco em relação à recuperação de ativos, porque boa parte ainda não foi recuperada e, em tese, passaram por suas mãos".
Eduardo Cunha x José Dirceu
Dallagnol fez um paralelo entre a situação de Dirceu com a do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo Dallagnol, Dirceu "tinha ampla influência no cenário político-partidário, uma vez que esse esquema identificado na Lava Jato está espalhado por diferentes Estados da federação e por diferentes governos".
— [A situação de Dirceu] pode ser comparada à situação de Eduardo Cunha, que perdeu o mandato parlamentar, mas manteve a prática de crimes, o que foi reconhecido pelo Supremo Trtibunal Federal. Assim como Cunha pode continuar praticando crimes, Dirceu também pode.
O procurador federal disse ainda que houve "decisões recentes do STF em que se entendeu pela manutenção da prisão".
— Isso nos faz crer na manutenção da prisão, no sentido do voto do ministro Fachin.
Fazem parte da Segunda Turma do Supremo os ministros Edson Fachin, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli. Em fevereiro, Gilmar disse que o STF tinha "encontro marcado com as alongadas prisões de Curitiba", em referência às decisões de Moro.
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