terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Possíveis interferências dos cuidadores, coordenadores e professores no processo de alfabetização

pinião
Giselle Marcelina Oliveira de Souza
01/12/2015 14:49:00 - 23 exibições
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Possíveis interferências dos cuidadores, coordenadores e professores no processo de alfabetização

RESUMO:
Este trabalho tem por objetivo analisar as possíveis interferências da tríade: cuidadores, coordenadores e professores no processo de alfabetização, a fim de responder qual o motivo da não alfabetização de alguns dos alunos dos primeiros aos terceiros anos, da Escola Casinha Feliz, do Município de Rio Verde. Esta pesquisa contou com a participação de cinco professores, duas coordenadoras e oito cuidadores, todos residentes na mesma cidade, para a pesquisa qualitativa e de campo, com entrevistas semi-estruturadas. A presente monografia se justifica pelo fato de apresentar dados importantes para os assuntos sobre Alfabetização e Letramento, para futuras pesquisas e demais interessados. Na conclusão foi observada a necessidade de que preciso um trabalho árduo dos professores, coordenadores, cuidadores e Governo, para que a Educação, ao menos, mude o quadro do fracasso escolar.

INTRODUÇÃO
Esta Pesquisa surgiu a partir das dificuldades enfrentadas dentro da sala de aula, no processo de alfabetização, um processo em constante mudança e multifacetado.
Percebe-se uma diferença muito distante entre o aprendizado entre um aluno e outro, na obtenção do processo de alfabetização. Todos querem aprender, mas nesta corrida nem todos conseguem chegar em seus propósitos, isso acaba sendo frustrante para um professor alfabetizador, uma vez que seu objetivo é que todos consigam ser alfabetizados e letrados.
Uma questão que causa inquietação em muitos professores desta etapa da vida escolar dos alunos é descobrir as causas da deficiência na alfabetização, para que possam elaborar estratégias eficazes que contribuem para o enriquecimento do processo ensino aprendizagem.
Não há como falar sobre a alfabetização sem o letramento, com o desenvolvimento das tecnologias do mundo atual, exige-se profissionais não apenas alfabetizados, mas com um nível mais elevado de letramento, compreendendo as funções sociais da escrita, de acordo com cada contexto social.
Esta pesquisa discute algumas possíveis interferências dos cuidadores, coordenadores e professor à luz do processo cognitivo, ou seja, da construção do conhecimento segundo alguns autores, que se inicia no seio familiar e se estende no ambiente escolar, tratando-se do alicerce para o conhecimento.
A questão indagadora de toda pesquisa é: Quais as possíveis interferências dos cuidadores, da coordenação e do professor na alfabetização, sendo essa tríade responsável por todo processo sócio-educativo dentro e fora da escola.
O objetivo desta pesquisa é detectar possíveis interferências que contribuem para o sucesso ou insucesso do processo de alfabetização, muitos educandos chegam ao final do terceiro ano do Ensino Fundamental sem saber ler ou outros leem, mas não sabem interpretar textos, razão pela qual muitos desanimam cedo da vida escolar.
Este trabalho se justifica por levantar questionamentos de possível problemáticas oriundas dos cuidadores, professores, coordenadores e, também, do governo, os quais estão direta e indiretamente ligados à alfabetização dos alunos. Esse trabalho ainda é importante para futuras pesquisas e para demais interessados tanto da área da Educação quanto demais áreas.
A metodologia de cunho teórico e de campo está dividida em sujeitos rio-verdenses, contando com cinco (5) professores alfabetizadores do 1º ao 3º ano, de uma escola pública da cidade de Rio Verde-GO, 2 coordenadoras pedagógicas da mesma escola, e 8 cuidadores que vivem na área urbana no Município de Rio Verde - Goiás.
A primeira parte do trabalho discute a Construção do Conhecimento na Visão dos Autores, a partir das teorias vygotskianas e outros sobre a educação, nesse momento serão levantadas  discussões sobre como é o processo de cognição e de como a educação trata e discute essa cognição.
O segundo momento, amparado pelos autores Oliveira (1997), Guimarães (1993), Castorina (1998) e Sanches (2005) há a discute a cognição do aluno a partir da escrita, o qual considera que é preciso considerar o conhecimento que o aluno carrega, a partir de informações adquiridas com: pais, familiares, os sistemas simbólicos (outdoor, desenhos, brinquedos), música, arte etc. A partir desses conhecimentos o professor pode agregar informações para uma alfabetização mais eficiente, com desconsiderar a bagagem sócio-cultural que a criança traz.
O  terceiro momento, Leitura e Escrita, traça uma discussão, à luz de Lerner (2002), sobre a necessidade de se alfabetizar considerando a interação social do aluno e das informações adquiridas no contexto escola. Essa discussão aponta que a leitura e escrita não deveria ser ensinadas de forma fragmentada, como algo desassociado das práticas cotidianas do aluno. 
O quarto momento tem como pivô dos debates Soares (2002-2007-2010), com o tema Alfabetização e Letramento: conceitos. Nesse momento é  traçada a definição de ambos, sendo apontados os enfrentamentos no processo de alfabetização e, também, a origem e de como surgiu estudos sobre o conhecimento de mundo do indivíduo, intitulado Letramento.
O casamento entre Alfabetização e Letramentos são postos no quinto momento, em que Soares (2010) explica que esses não são ensinados de forma separada, apesar da grande falta de conhecimento sobre cada um e das várias interpretações dada tanto para a Alfabetização quanto para o Letramento.
A Visão da Família e da Escola na Formação do Educando foi o sexto momento da pesquisa, a qual teve como embasamento teórico a autora Chraim (2009). Nesse momento foi apontado que é na família que a criança inicia o processo de desenvolvimento motor, cognitivo e psicológico, além das interferências do mundo externo, esses são fatores peças-chave para o sucesso ou insucesso na alfabetização.
A metodologia utilizada foi a pesquisa qualitativa e de campo, através de entrevistas semi-estruturadas. Sua realização teve apoio significativo por ter como  instrumentos bases teóricas e os questionários aplicados, tendo em vista questionamento direcionados para o propósito da pesquisa, e, consequentemente, respondendo ao problema levantado nesse trabalho.

CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NA VISÃO DOS AUTORES
[...] o conhecimento é construído em interação não só com o objeto a ser conhecido, mas também com os outros seres humanos que atuam sobre esse objeto, tornar-se-ia francamente contraditório excluir dessa interação precisamente o professor, precisamente esse “outro” responsável pela concretização do aprendizado. (CASTORINA et al ,1998, p.117)
Para Vygotsky (1971, apud OLIVEIRA, 1997) a  ciência das relações entre o homem e a sociedade estão presentes nas áreas de Psicologia e Educação. As ciências humanas buscam uma interação, observando o ser humano como um indivíduo dentro de um contexto sócio-histórico, sujeitos às transformações.
Esses estudos defendem que a relação do homem com o mundo é uma relação mediada, com isso Vygotsky defende que as funções psicológicas superiores apresentam uma estrutura dicotômica e que seus elementos mediadores são: família, amigos, TV, rádio, redes sociais escola, professor, mídia impressa, redes entre outros.
Oliveira (1997) explica que a postulação marxista estuda o homem através de sua origem e que seu desenvolvimento surge de sua formação na sociedade e do contato com o trabalho e, ou seja, a relação do indivíduo deixa de ser direta, aquela que está apenas para o ele, e passa a ser mediada, a partir da interação com o social.
Os signos são elementos que funcionam como instrumentos psicológicos, elementos esses, externos ao indivíduo, os quais são as interpretações de como são representadas a realidade. Em resumo o signo é tudo que significa de acordo com  as relações estabelecidas pelo social, ex.: O som da tecla de um teclado passa a ser um processo de mediações por meio de instrumentos.
Para Vygotsky (1971, apud OLIVEIRA, 1997, p.23) os pensamentos centrais de como são essas representações têm relação com as funções psicológicas e
As funções psicológicas têm um suporte biológico, pois são produtos da atividade cerebral; o funcionamento psicológico fundamenta-se nas relações sociais entre indivíduo e o mundo exterior, as quais desenvolvem-se num processo histórico; a relação homem /mundo é uma relação mediada por sistemas simbólicos.
Nessa concepção o cérebro é o material do funcionamento biológico inacabado, sendo que ao longo do processo do desenvolvimento individual surgirão novas perspectivas no decorrer da evolução da espécie.
De forma direta, ou indireta as relações sociais que o indivíduo tem com seu meio, o qual faz parte, gera mudanças no funcionamento psicológico, que deve se visto de forma concreta e contextualizada, em um ambiente cultural, provocando formas variadas de comportamentos e pensamentos, dependendo das influências culturais externas.
De acordo com Vygotsky (1971, apud OLIVEIRA, 1997), a relação do homem com o mundo é interligada através da mediação, em que ele define como signo e instrumentos mediadores. “O instrumento é feito ou buscado especialmente para um objetivo, vem com a função para o qual foi criado, é um objeto social e mediador da relação entre indivíduo e o mundo.” (OLIVEIRA, 1997, p.29). Os instrumentos são elementos externos e os signos, é tudo aquilo que significa. Os signos estão ligados ao processo psicológico, ajudando o indivíduo em atividades que exigem muito da memória e esse processo psicológico melhora a capacidade de guardar informações.
Para o estudioso a construção dos processos psicológicos acontece por meios dos sistemas simbólicos, organizando os signos em diferentes estruturas, com o desenvolvimento do homem. Os signos passam a fazer representações que substituem objetos, assim quando, por exemplo, pensamos em um cavalo, não será o mesmo cavalo para todos os indivíduos,cada um fará uma representação em sua memória, relacionando o significado de acordo com sua experiência pessoal. A partir do estudo do signo, foi comprovado que o homem tem a facilidade de internalizar signos, estabelecendo uma ligação com os objetos de seu pensamento.
Para Vygotsky  ( 1971, apud OLIVEIRA, 1997), na relação do homem com o mundo, os principais mediadores são as representações mentais, o meio social e cultural, onde o indivíduo está inserido. Essa tríade vai indicar formas de ver o mundo real, gerando assim instrumentos psicológicos que fazem mediação entre o indivíduo e o mundo. A relação de interação que o indivíduo tem com o mundo externo é a matéria prima para o desenvolvimento psicológico do indivíduo, considerando o fator cultural algo inacabado, ou seja, o sujeito estará sempre reinterpretando de diferentes conceitos e significados.
A linguagem é algo importante para as discussões sobre o desenvolvimento do homem, serve como um veículo de comunicação que o homem criou, e que só se desenvolve mediante à sua necessidade, faz parte do sistema simbólico que expressam ideias, sentimentos, vontades e pensamento, sendo que cada indivíduo possui sua própria experiência.
O surgimento do pensamento verbal e da linguagem como sistema de signos é um momento crucial no desenvolvimento da espécie humana, momento em que o biológico transforma-se no sócio- histórico. (VYGOTSKY apud OLIVEIRA, 1997, p.45)
As discussões confirmam que o homem não é somente biológico, mas também faz parte de um contexto sócio-histórico, sujeito a transformações, desenvolvendo seu aprendizado de acordo com seu convívio sociocultural.
Com isso, percebe-se que, segundo Oliveira (1997), há dois tipos de desenvolvimento. O primeiro intitulado real é aquele desenvolvimento em que a criança é capaz de executar determinadas tarefas sem a ajuda de outra pessoa, ou seja, todo o conhecimento parte dela para a socialização com o mundo. Diferente do desenvolvimento potencial, esse se revela a partir da intervenção de outra pessoa com a criança, em outras palavras, o conhecimento parte do mundo externo para o interno da criança.
Como reforço ao que foi apresentado sobre desenvolvimento, Vygotsky (1971, apud OLIVEIRA, 1997) defende que o indivíduo não constrói sua base psicológica de forma isolada, pois suas estruturas se compõem através da relação com o outro.
Vygotsky em estudos sobre o a zona de desenvolvimento proximal, defende que essa está entre o real e o potencial, é o caminho daquilo que a criança já sabe até alcançar seu potencial, realizando intervenções aceitáveis por outra pessoa.
 Mediante esta linha de pensamento o autor explica que a escola tem um papel importante na intervenção pedagógica, porque essa instituição faz parte da construção do ser psicológico, ou seja, a escola faz parte desse desenvolvimento uma vez que está em contato com colegas, com os professores, diretora e colaboradores.
A escola conhecendo o nível de desenvolvimento do aluno, como faixa etária e habilidades, é ponto um ponto de partida para novas conquistas psicológicas, promovendo situações imaginárias onde brincadeiras e brinquedos se tornam ferramenta no processo de desenvolvimento dos educandos. Com isso “[...] a escola tem o papel de fazer a criança avançar em sua compreensão do mundo a partir de seu desenvolvimento já consolidado e tendo como meta etapas posteriores, ainda não alcançadas.” ( VYGOTSKY,  apud OLIVEIRA, 1997,p. 62), 
A escola está diretamente ligada à cognição do aluno, assim como o professor. Para  Castorina  et  al (1998), o papel do professor é imprescindível  durante suas intervenções, respondendo por tamanha responsabilidade de ao menos tentar ensinar a parte teórica unida ao seu cotidiano , mas sempre delegando aos alunos parte da obrigação, questionando a situação, induzindo o aluno a pensar por ele mesmo dentro de uma problemática, envolvendo os educandos numa interação compartilhada entre eles , sendo que o professor é o coordenador dessa discussão mediando os conflitos levantados, como agente ativo da construção do conhecimento.
Mediante este pensamento, o professor deve conhecer o processo de desenvolvimento da criança aumentando as chances de uma aprendizagem mais significativa, avaliando todas as atividades e intervenções necessárias nas situações didáticas em sala de aula.
 (FREIRE, 1996, p.73) relata:
O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum desses  passa pelos alunos sem deixar sua marca.
Cabe ao professor decidir se marcas boas ou ruins ficarão na vida a partir de sua prática docente com aluno, considerando que dentro do espaço da sala de aula há uma troca de conhecimentos, o educando leva consigo um pouco de cada professor, mas sem dúvida o aluno, também, deixa fragmentos na vida desse profissional. O professor pode provocar inquietações que geram mudanças de idéias e até mesmo modelos de comportamento.
Segundo Rodrigues (1998, p.65), é preciso que o educador seja comprometido com o ato de educar, que tenha plena consciência de sua responsabilidade social, o trabalho do mesmo não pode ser comparado ao de um operador de máquina, “Do educador se exige uma constante ocupação com o ato educativo. Ele tem de ser. É uma questão de ser e não uma questão de situação “Rodrigues (1998, p. 67). O ato educativo ao longo do tempo vai se renovando juntamente com o compromisso político e a competência técnica. O educador comprometido com seu ofício demonstra atitudes de competência e responsabilidade social muito além do seu horário de trabalho, ou seja, ele vivência essa contribuição da construção do conhecimento, tornando parte do processo sócio histórico de cada educando.
A criança necessita de um ambiente cultural letrado e pessoas que favoreçam uma aprendizagem de qualidade, porque expressa tudo aquilo com que convivem na relação de desenvolvimento psicológico.
O brinquedo, como tecnologia, colabora para o desenvolvimento cognitivo, principalmente, a brincadeira de “faz de conta”. “No brinquedo a criança comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real e também aprende a separar objeto e significado.”(VYGOTSKY apud OLIVEIRA, 1997, p. 67). O lúdico cria uma situação imaginária onde o objeto pode passar a ter vários significados e com isso seu desenvolvimento é ampliado.

ALBABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: casamento perfeito
Alfabetizar faz parte do processo de conhecimento cognitivo, todavia sozinho não produz esses efeitos que levam o sujeito a utilizar desse conhecimento para seu convívio com o mundo em que vive. Com isso, surge a necessidade de unir a alfabetização ao Letramento, ou seja, o ideal é alfabetizar letrando, ensinar a ler e escrever no universo de suas funções sociais, conhecendo os diferentes gêneros textuais, apropriando-se da cultura escrita, de forma tal, que saiba ler, escrever e interpretar o mundo em sua volta.
Não é fácil diferenciar o alfabetizado do letrado. Até que ponto a pessoas pode ser considerada letrada alfabetizada ou letrada? Há pessoas que leem mensagens ou histórias em quadrinhos, e não conseguir ler um livro, que fazem determinadas leituras de alguns tipos e gêneros textuais, mas não de outros.  Assim acontece com a escrita, a pessoa escreve uma mensagem de celular ou um email, mas não consegue escrever uma redação sobre determinado assunto e assim por diante. Diante destas reflexões Soares (2010) conclui que existem vários níveis de letramento, ocorrendo de acordo com as necessidades de cada pessoa em sua prática social.
Soares (2010) narra uma reportagem do jornal de São Paulo, em 19 de Julho de 1996, quando candidaturas foram impugnadas após teste de alfabetização, o juiz fez com que os candidatos se submetessem a um teste de alfabetização, por serem portadores do diploma de primeiro grau, atual Ensino Fundamental, e demonstrarem grandes dificuldades em preencher a ficha de inscrição de candidaturas.
Esse teste exigia as habilidades de ler e interpretar um texto de um jornal infantil e fazer uma produção sobre o texto lido, não levando em conta os erros gramaticais. O objetivo era avaliar a capacidade de leitura, interpretação textual, uma vez que o juiz de Itapetininga, São Paulo preocupado porque muitos prefeitos e vereadores trabalham com leis e documentos, sendo de suma necessidade ler e interpretar, e que esses não conseguiam o que é no mínimo exigido, a leitura e interpretação para o cargo ocupado.
Todavia, dias depois, o mesmo jornal divulgou a aprovação pelo Tribunal Regional Eleitoral - TRE das candidaturas dos reprovados no teste, justificando que os candidatos tinham “rudimentos da alfabetização”, assim considerados como alfabetizados. Esse conceito de alfabetização, chamado de “rudimentos da alfabetização” pelo presidente do TRE é diferente do conceito de alfabetização do Juiz que tentou coibir a entrada dos candidatos. Para ele é preciso demonstrar certo nível de letramento, como: ler, interpretar, escrever no sentindo mais amplo, e não limitados apenas em determinados gêneros textuais e interpretação caótica.
O TRE preocupou somente com o ato da alfabetização e não em verificar se esses candidatos sabiam fazer uso da leitura e escrita, já o juiz queria verificar o nível de letramento dos mesmos. Para muitos o letramento ainda é pouco conhecido.
De acordo com Soares (2010) se conceituava alfabetizado até a década de 40 se a pessoa soubesse assinar o nome, sendo suficiente para votar ou assinar contratos, supria as exigências contextuais da época. Conforme a sociedade se desenvolvia, a partir dos anos 40, a pessoa tinha que saber ler e escrever um bilhete simples, uma exigência que aponta para os usos sociais da escrita, revelando a necessidade do indivíduo não ser apenas alfabetizado, mas também letrado.
Nos Estados Unidos, França e Inglaterra, toda população conclui o Ensino Fundamental com duração de 10 a 11 anos, o índice de analfabetos aproxima se de zero, então a preocupação maior é com os níveis de letramento para que o indivíduo não tenha dificuldade em resolver situações do seu dia a dia, em relação a leitura e escrita.
No Brasil o diagnóstico enquanto critérios para avaliar o nível de letramento ainda é precário, não há precisão nas pesquisas, a fim de definir quem e como são os alfabetizados. Esse diagnóstico, como aponta SOARES (2010) baseia-se no princípio de que o aluno aos 4 anos de escolaridade  está pronto para  incorporar as funções sociais da leitura e escrita.
Contudo, a autora defende que há a necessidade de criar condições para que o letramento aconteça, fazendo com que toda população brasileira seja escolarizada, tornando  os materiais impressos acessíveis, possibilitando a compra de livros, jornais e revistas com menores preços, tendo opções de livrarias e bibliotecas públicas, garantindo um ambiente letrado.
O letramento é um processo complexo, pois abrange duas dimensões: a dimensão individual que compreende a capacidade do ler e escrever, muitas vezes encontramos  pessoas que leem muito bem, mas demonstram muita dificuldade na escrita, isso está relacionado com a capacidade cognitiva de captar significados, interligando conhecimentos prévios com as informações textuais, provando que o indivíduo é capaz de ler escrever, entendendo qualquer tipo de escrita, independente do gênero textual.
 A dimensão social é como o indivíduo usa as habilidades de leitura escrita, dependendo das necessidades do contexto social, o qual, o mesmo está inserido. O letramento pode causar profundas mudanças dentro de uma sociedade, produzindo crescimento econômico, social, cultural e político, gerando princípios de cidadania.
Mediante as reflexões da autora não há como formular um conceito universal de letramento, que valem para todas as pessoas e lugares, pois estudos históricos comprovam que ao longo dos amos, surgem diferentes formas de usar o letramento, variando com seus valores, crenças de acordo com cada contexto histórico social.
SCRIBNER, apud SOARES, ( 2010, p.79)
Em certo momento, a habilidade de escrever o próprio nome era a comprovação de letramento; hoje, em algumas partes do mundo, a habilidade de memorizar um texto  sagrado é a principal demanda de letramento. O letramento não tem uma essência estática nem universal.
Assim, sociologicamente dentro de uma mesma sociedade existem diferentes atividades referentes ao letramento, pessoas que vivem em contextos completamentes diferentes com fatores determinantes como: etnia, zona rural ou urbana, sexo, idade, demonstrará um comportamento letrado específico para cada contexto. A subjetividade também influenciará grupos de pessoas que propõe as práticas de letramento, ou seja, suas ideologias, seus objetivos, suas crenças, aparecerão até mesmo de forma inconsciente, levando em consideração o momento de necessidade de cada sociedade.
A avaliação e medição de letramento ainda buscam alguns critérios para diferenciar pessoas letradas ou iletradas, ou até mesmo verificar os níveis de letramento. Essa avaliação e medição de letramento é, também, de responsabilidade da escola, em promover o letramento, podendo fazer diferentes avaliações contínuas dentro do processo de aquisição de habilidades que envolvem os usos sociais da leitura e escrita, mas há uma contra partida, existe um sistema escolar que fragmenta o conhecimento em bimestres e séries, até mesmo sua sequência, estipulando prazos para que todos tenham aprendido, assim explorando muito pouco a multiplicidade da significação do letramento, fruto de uma escolarização burocrática por meio de testes e provas.
Muitas vezes um letramento que não corresponde às práticas sociais necessárias fora do contexto escolar é, apenas  suficiente para cumprir a meta escolar, sem levar em conta todo o processo sócio-cognitivo que o aluno carrega como uma ferramenta para uma comunicação eficiente.
A avaliação e medição do letramento é um universo complexo e multifacetado, pois compreende muitos significados, tornando impossível uma única definição, sendo indicador do nível de desenvolvimento de uma sociedade.

OUTROS OLHARES SOBRE O TEMA
De acordo com Silva (2009) as relações sociais de  fora da escola interferem no processo de alfabetização, a escola não pode caminhar sem considerar todo um contexto de vivência social de cada educando, surgindo a questão do letramento, apontando para as práticas sociais,  mudando seu estado ou  condição:
Letramento é, pois, o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita. (SILVA apud SOARES, 2003, p.18)
Não é possível prever o início e o fim para o processo do letramento, pois não é algo mecânico, e sim uma interiorização correta das funções sociais, ou seja, é o ato que se estabelece nas relações cotidianas que unidas ao conhecimento sistêmico da escola o aluno poderá desenvolver suas habilidades cognitivas com mais efetividade.
Observa-se que ainda algumas escolas e professores utilizam livros didáticos distantes da realidade social dos alunos, em outras palavras utilizam materiais que não são do mundo em que vivem, com isso cria uma barreira entre o aprendizado dentro da sala e aula e sua aplicabilidade em sua prática. Também, o professor é vitimizado uma vez que nem sempre pode escolher o livro didático, assim alunos e professores ficam a mercê de um ensino que não correspondem com a realidade, gerando várias dúvidas para ambos.
A alfabetização sofre muitas interferências da vida fora da escola, a qual os alunos fazem parte, mas a alfabetização com o letramento também pode influenciar a vida social do educando, contribuindo ou não para o fator cultural, por isso a educação é a base da posição social.
O Estado juntamente com escola tem o dever de oferecer oportunidades a todos os educandos de forma homogênea para que se diminua as desigualdades sociais, acabando com a discriminação, fator este, que reduz o nível de desenvolvimento de aprendizagem, interferindo na autonomia intelectual.
O ato de pensar por si mesmo deve ser instigado continuamente, levando o educando a fazer uma releitura do mundo, ou seja, esse ato é muito mais que ler e escrever, é ser ativo em todas as situações, é ter um olhar crítico da realidade, analisando todo contexto envolvido.
O sujeito é alfabetizado não só se reconhece como um ser em construção,  mas também se reconhece enquanto criador  de sua própria história. Por isso, a história de vida desse educando é tão importante de ser investigada, a partir de si mesmo e de outras pessoas com quem estabelece relações.(SILVA,2009, p.21)
Vários problemas surgem dentro de uma sociedade, porque grande parte dos indivíduos foram  condicionados a apenas reproduzir o que foi lido e não se veem como autores de suas próprias histórias, não demonstrando nenhuma autonomia intelectual.
Nos anos 70 a alfabetização “foi encarada como uma variável central que distinguia indivíduos e sociedades como avançadas, modernas e desenvolvidas”, mais precisamente na América do Norte e Europa Ocidental (SILVA, 2009, p.62), assim nessa década o pensamento sobre a união do conhecimento entre escola e vivência do aluno fora dos portões da escola davam vestígios de preocupação com a alfabetização.
 Nos anos 80 “a alfabetização passou a ser vista como uma problemática, merecedora de crescente reflexão” (SILVA, 2009, p. 62), com a crescente preocupação sobre o assunto houve uma análise mais aprofundada que chegou aos domínios internacionais e visto como um problema social, tendo como orientação as Organizações das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO e com isso reforçou a necessidade de aprofundar os estudos sobre o fracasso da alfabetização.
O analfabetismo se tornou um problema social, pois afetava a economia, segurança, democracia, gerando consequências desastrosas, no fim no século XX.
Estes impactos foram mensurados a partir de estudos de historiadores e cientistas sociais de toda a Europa e a América do Norte, que mapearam os índices de alfabetização diretamente relacionados com o progresso individual e coletivo. (SILVA, 2009, p.63)
Estes estudos revelam a importância do real papel da alfabetização dentro da sociedade, favorecendo ou não o desenvolvimento sóciocultural.
Para a autora é inútil supervalorizar a alfabetização, sem estar inserida em um contexto sóciocultural, a leitura e escrita precisam ser significativas, através de uma releitura do contexto, o qual o educando está inserido num processo de construção individual e coletivo, onde cada um é coautor de sua própria história.
Portanto, o mundo letrado nasceu do mundo iletrado e não das elites, a quem a tecnologia não exercia atrativos. Contudo, com o passar do tempo foi acontecendo uma separação artificial entre o fazer e o pensar, sendo privilegiadas atividades intelectuais, como a política, o estudo, a filosofia e a poesia, atividades em que se ocupavam os cidadãos de primeira classe. (SILVA, 2009, p.65- 66)
Assim, o mundo iletrado com as cobranças de uma sociedade em constante mutação precisou se adequar e buscar na alfabetização um processo em construção, que através da atividade do pensar passa a construir respostas diferentes daquelas existentes, ao invés de um modelo pronto e acabado, que antes era apenas reproduzido, forçando a todos a pensarem da mesma forma.
Contudo, deve-se ter muito cuidado, nem sempre uma sociedade alfabetizada garante de forma satisfatória as funções sociais da leitura e escrita, porque a alfabetização precisa estar aliada ao letramento, fazendo com que o ler e o escrever estejam inseridos nas práticas sociais, estabelecendo, então, o papel da escola, não somente alfabetizando, mas mostrando caminhos para formação de leitores, um desafio que rompe com práticas sócio-históricas.
O analfabeto possui certo nível de letramento, devido sua relação cotidiana com a leitura e escrita, trazendo consigo uma cultura popular, deixando explícito que “A falta de escolarização não pode ser encarada como ausência de cultura.”(Silva, 2009,p.84), para se conquistar a cidadania plena se faz necessário aprender os mecanismos de leitura e escrita.
O ponto de partida para realizar a leitura do mundo está na bagagem cultural de cada indivíduo, respeitando suas individualidades, fazendo uma leitura do próprio espaço existencial de construção do conhecimento que não acontece somente na escola, mas também com pais, colegas e outros, independente do lugar.
É preciso estabelecer vínculos entre os conteúdos e a vida social do educando, levando-o não só a uma reflexão e compreensão do mundo, possibilitando uma capacidade de modifica-ló, resgatando sua identidade, provando que a “alfabetização e o letramento, bem como toda educação, têm um papel fundamental neste caminho, de busca de consciência e de (re)construção da história.”(Silva, 2009, p.89). Deve -se levar em conta os conhecimentos prévios que os educandos trazem de seu cotidiano.
De acordo com Silva (2009) é preciso estar atento ao ambiente alfabetizador, este favorecendo a aprendizagem, garantindo a apropriação da palavra, ampliando as leituras de mundo da criança, expressando o significado da escrita, onde cada criança começa a construir sua própria leitura  de mundo, pode-se dizer que o professor deve ser um facilitador da aprendizagem, interligando os conteúdos com a realidade vivenciada, considerando a história de vida de cada um.
Dessa forma, se a leitura e a escrita não estiverem a serviço do mundo, nada adianta sua existência. A alfabetização não caminha sozinha, mas coexiste com a sociedade, como instrumento desta para que o indivíduo se locomova e atue consciente de seu papel no mundo. (SILVA, 2004, p.104)
Assim, a alfabetização oferece uma reflexão de todo contexto, redescobrindo novas formas de ser e pensar, revelando que todos somos seres em construção do conhecimento capaz de interferir e modificar a sociedade, o qual faz parte.
O professor precisa instigar a cognitividade do aluno, desafiando-o através de sua leitura, provocando discussões e debates construtivos, colocando um fim a Pedagogia do silêncio, onde se dá a voz somente ao professor, “intervir no mundo é, portanto, o maior objetivo da alfabetização consciente.” (SILVA,2009,p.113), a partir disso se faz necessário mostrar ao aluno a capacidade e poder de intervenção dentro de sua realidade.
A educação não muda os fatos de uma sociedade, mas sim é o caminho que os indivíduos precisam percorrer para se chegar a uma transformação de consciência. É sabido que o indivíduo pode melhorar sua história no mundo a partir da educação.
Segundo Leal (2004), o letramento é visto como uma prática que pode ocorrer em diversas situações e espaços, em circunstâncias reais, levando em consideração todo o processo cognitivo acumulado durante a vida do educando e não apenas em um conhecimento limitado dentro da sala de aula.
Muitas vezes o contexto escolar marginaliza a criança pelo fator social e econômico, rotulando por serem filhos de pais analfabetos, criando uma barreira que impede o desenvolvimento da aprendizagem.
Em um mundo de exclusão é um grande desafio chegar à leitura da palavra, o letramento é um processo de humanização, pois deixa de lado a concepção da leitura mecânica, para a construção de uma leitura com funções sociais, estabelecendo relações com mundo em diferentes esferas sociais, usufruindo de seus direitos vitais de cidadãos, construindo e reconstruindo novas relações consigo mesmo.
Este contexto força novos modelos de ensinagem totalmente diferentes dos atuais, esses são conteúdos fragmentados, surgindo outros conceitos de interdisciplinaridade, abrindo caminhos para as relações de um conhecimento social.
Leal (2004) define em cinco (5) dimensões a totalidade do letramento: 1. Dimensão cultural - O sujeito compreende a diversidade de tal forma que a condição humana é o que iguala a todos . O fator cultural traz significação dos conteúdos escolares, tratando do fator econômico, político e social. 2. Dimensão discursiva: Através da linguagem ocorre a crítica, argumentação, petição e outros, provocando efeitos em determinada circunstância. 3. Dimensão cognitiva: O fator cognitivo interfere nas formas de compreender o conhecimento, o ato de ler e escrever, ultrapassando o fator linguístico, produzindo sentido através do cognitivo. 4. Dimensão ética: Trata-se de um sujeito social com a capacidade de melhorar suas ações dentro da sociedade, um ser ético, capaz de pensar e agir para o benefício de outros. 5. Dimensão estética: É entender que todos são seres inacabados que precisa do outro para se completar. É um leitor que encontra o produtor (o outro).
Para a autora, não adianta compreender o código escrito e não saber fazer uso dos mesmos, para alcançar os objetivos com o letramento o sistema escolar precisa entender que as práticas vivenciadas por professores e educandos não se esgotam em simples orientações pedagógicas dentro da escola, ou seja, o professor precisa ter liberdade para tentar levar o conhecimento de forma mais significativa possível para o educando, ou seja, tratar o ensino como uma forma de reconhecer nele o mundo em que o educando vive.
A autora ressalta a relevância da mídia escrita e o letramento, trabalhando com jornais e revistas, contribuindo para um novo olhar dos fatos e do mundo, além de garantir o acesso à cultura, despertando um censo crítico através dos conhecimentos prévios.
Para a mídia impressa, como as revistas, pela praticidade para carregá-las é o material mais chamativo pela qualidade do papel, que se torna atrativa para aqueles que não possuem o hábito da leitura, outro meio de comunicação é a internet, um novo caminho de acesso da leitura e escrita.

A Visão da Família e da Escola na Formação do Educando
Segundo Chraim (2009) a família é o ponto de partida para a construção da história no Universo, começando a desenvolver não só a coordenação motora, mas também fatores psicológicos. Com o passar do tempo, a criança percebe que seu espaço é apenas uma parte do Universo.
Por meio dos cinco (5) sentidos, a criança demonstra uma interação com o ambiente em sua volta, estabelecendo meios para se comunicar, descobrindo diferentes formas de pensar durante seu desenvolvimento, sofrendo vários tipos de interferências do mundo externo como: convivência, carências, habilidades, emoções, cultura, família, sexualidade e outros.
Para a autora o homem é um ser repleto de emoções que mesmo convivendo em um meio tecnológico, sempre expressará suas sentimentos.
De acordo com Chraim a sociedade é composta por diferentes estruturas familiares “Algumas crianças vivem com os pais biológicos, outras com apenas um deles...Outras ainda, com avós, ou pais adotivos, pais do coração, e muitas ainda são adotados pela mãe rua.” (Chraim 2009, p. 25)
Não é a composição de uma família que define o sucesso na educação de uma criança, mas sim a relação familiar, os laços afetivos, os valores que são transmitidos e como essa família lida com as dificuldades, ou seja, é no seio dessa família que se constrói a identidade dessa criança, através das informações recebidas.
É muito significativo a escola mostrar ao educando que ela tem autonomia para conquistar seu espaço, construindo sua personalidade, aprendendo a lidar com alguns conflitos, medos, internalizando que a vida é uma constante construção e reconstrução para alcançar o bem-estar.
Chraim defende que dentro da família a criança precisa se sentir amada e protegida, tendo os pais como referência, por isso os cuidadores devem acompanhar os filhos em todas as suas atividades no decorrer do seu desenvolvimento, como uma escolta dos pais.
A criança se expressa de várias formas como: choro, birra, medo. O cuidador entenderá se ele investir tempo para a criança haverá uma troca de experiências positivas. Ele deverá ouvir a criança para não provocar carências causadas por sensação de desamparo, marcando a criança por toda trajetória de sua vida, com isso resultará  em adultos que não sabem escutar outras pessoas, gerando consequências desastrosas.
 Para Chraim (2009) o ato de ensinar e aprender envolve emoções internas e influências externas, se houver empatia nesta relação a aprendizagem não ocorre de forma satisfatória. O professor precisa conhecer o histórico social, as habilidades de cada educando para possibilitar condições de uma real aprendizagem, criando vínculos que facilitam, a internalização do conhecimento.
Ao se respeitarem as condições individuais que dão base para uma boa educação, estão se evitando a exclusão e os estigmas que diferenciam as pessoas que aprendem das que não aprendem no mesmo tempo e na mesma forma que se pretende ensinar. (CHRAIM, 2009, p.35)
Durante todas as etapas do Ensino Infantil, Fundamental e Médio é necessário que se respeite as individualidades que com grande importância fazem parte da construção do conhecimento.
Quando um professor assume uma sala de aula automaticamente assume a responsabilidade de ensinar os alunos, mas não é tão simples assim, neste universo cada  professor e aluno trazem consigo uma bagagem sociocultural, isso se transforma em  um espaço rico em diferentes conhecimentos.
O sistema de ensino tem o papel de proporcionar programas de ensino que possibilitam a aquisição dos conhecimentos e a interação com a vida escolar, esses métodos precisam estar voltados de forma positiva para o aluno, pois entende-se que há uma troca de conhecimentos.
Na  fase infantil a criança é totalmente dependente dos adultos,” codifica o mundo somente por meio dos sentimentos, e muitos deles confusos, pois não sabe ler nem escrever.” (CHRAIM,2009, p.37) ainda não sabem lidar com a realidade do seu meio social, pois se encontra no início de construções de informações, que vão ganhando mais consciência do mundo à medida de seu crescimento, por isso é de extrema importância o trabalho da família e da escola.
A base familiar representa um porto que precisa ser seguro, capaz de transformar essa criança em um Ser Humano, cada vez mais confiante e encorajado, podendo contar com os adultos à sua volta. Nesse período, é fundamental a constante presença física de um adulto para que possa mediar as ações infantis, caso haja necessidade. (CHRAIM,2009, p.40)
Os pais são o ponto de referência para o desenvolvimento da criança, pois é a base segura e a segurança faz parte da construção da própria identidade e personalidade definindo diferentes formas de agir e reagir em determinadas circunstâncias.
Na fase da alfabetização, já com um pouco mais de amadurecimento a criança começa a ampliar sua visão de mundo, por meio da leitura e escrita, possibilitando uma maior capacidade de compreensão, gerando uma  independência devido uma maior participação no mundo dos adultos, nesta fase os valores, o estímulo à leitura e escrita dados pelos pais são de extrema importância para os filhos.
Através de exemplos que iniciam dentro da família, em pequenas atividades, como respeito à família e demais pessoas, o zelo pelo patrimônio público e outros, faz a criança compreender a responsabilidade pessoal
A vida escolar vai reforçar o sentido de cidadania, momento de comparação com a vida de outras crianças, aprendendo a conviver em grupo há maiores chances de um desenvolvimento mais significativo.
A  família e a escola precisa amparar a criança para que o mundo das drogas e criminalidade não a ampare. A criança precisa sentir prazer em ir para a escola e sentir esse mesmo prazer no seio da família, esses ambientes devem ser o porto seguro delas. O papel da família é assumir o compromisso com a formação da identidade e personalidade, trabalhada através de valores e exemplos.  A escola responde pela transmissão de conhecimentos, formando cidadãos críticos pensantes capazes de pensar por si mesmo.
A escola precisa entender que a educação é questão social e primordial.Os pais precisam construir alianças positivas com os professores. O Estado precisa fazer valer os direitos constitucionais do cidadão. Todos os três, ESCOLA, PAIS, e ESTADO, precisam entender que escola é uma prestadora de serviço, e que o ensino sistemático não é depósito de criança. Os pais precisam estar satisfeitos com a qualidade do ensino. O estado deve zelar pela qualidade da educação. O estudante deve se sentir amparado.O professor precisa ser competente e consciente de suas responsabilidades, sentindo prazer no que faz.(CHRAIM,2009, pp.59-60)
As crianças do século XXI estão inseridas em um ambiente virtual repleto de informações na velocidade do mundo tecnológico. É um desafio para o professor que veio de um modelo de educação contraditório ao atual, ser criativo significa romper barreiras.
De acordo com TIBA (2009), a convivência social começa antes mesmo de estar concluída a educação familiar, logo cedo a criança já se encontra em uma sala de aula, o ambiente familiar é invadido pela escola, televisão, internet e outras tecnologias.
Percebe-se uma ampla dificuldade com relação aos limites entre escola e família, porque muitos cuidadores tem transmitido a responsabilidade da educação dos filhos para escola, sendo que “Não há como uma substituir a outra, pois ambas são complementares” (TIBA, 2007, p.187), o principal papel da escola é preparar os alunos para se tornarem cidadãos plenos, entendendo e se vendo como autor de sua própria história, capazes de interferirem e modificarem o meio em que vivem.
Dentro da escola algumas facilidades e dificuldades dos alunos podem ser detectadas, muitas vezes a família não consegue observar, revelando a importância de uma boa relação entre família e escola, uma forma de prevenir e até mesmo resolver alguns conflitos escolares.
Quando a escola, o pai e a mãe usam a mesma linguagem e têm valores semelhantes, os dois principais contextos da criança, a família e a escola, demonstram uma segurança e coerência extremamente favorável ao seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo a escola assume para a criança um lugar de aliada, como mais uma interessada em seu bem- estar. (TIBA,2007, p.190)
Embora Tiba limite-se em pai e mãe, são todos os tipos de cuidadores os quais deveriam manter contato com a escola para que juntos busquem novas possibilidades de suprir as necessidades das crianças, melhorando o rendimento da aprendizagem escolar.
A escola necessita aprender a lidar com diferentes relacionamentos familiares. “Os papéis não são mais determinados somente pela questão do gênero, do feminino e masculino, “Ser sangue do mesmo sangue” [...] (TIBA,2007, p. 220). A família diferenciou-se quanto ao tamanho, responsabilidades e outros, talvez não por escolha, mas pelas exigências da nova sociedade, onde o tempo, renda e, até mesmo escolhas pessoais são importantes, sendo esses fatores relevantes para a qualidade da cognição do sujeito.

CONCLUSÃO
Através da pesquisa percebemos que o tema alfabetização vai muito além do simples ler e escrever um bilhete e que é a base referente ao saber em suas diferentes dimensões. Um processo complexo e multifacetado que sofre várias interferências, não podendo assim culpar  algo ou alguém, porque acontece em vários ambientes com diferentes pessoas.
Este trabalho apontou que cuidadores, coordenador, professor e, também, governo são interferências ora conjuntiva, ora disjuntiva, ressaltando a responsabilidade de cada um dentro do processo, e que cada um pode fazer mais e melhora, a fim de  mostrar que a criança é um ser repleto de emoções, que precisa da participação eficaz de todos para alcançar  aprendizagem significativa.
Percebe-se que é necessário mais apoio a criança, dando todo suporte material e emocional para sua formação de caráter e cognição, porque ela sai desse para a sociedade. Mesmo que tenha mudado a composição familiar ( pai e mãe)  não significa que a criança precisa ficar abandonada psicologicamente e fisicamente dentro do lar, sem ajuda das tarefas de casa, sem participação das atividades na escola,  mas sim mostrar que ela é amada e respeitada acima de tudo, apesar de toda a dificuldade que enfrentam os cuidadores.
Viu-se que a escola não caminha sozinha, necessita, também, do apoio dos coordenadores e professores para alcançar seus objetivos, a fim de que todos consigam ser alfabetizados e letrados, que saibam  pensar por si mesmos, resolvendo as problemáticas dia a dia como uma verdadeira  equipe.
Foi percebido que os professores precisam estar mais abertos ao novo, ouvir, ver e obter um novo olhar de forma consciente sobre sua prática pedagógica, com isso haverá uma  interferência de forma eficiente e motivadora na vida dos educandos.
Houve uma surpresa no momento em que foi perguntado sobre o papel do governo na Educação, porque a maioria acredita que, ainda, há uma ingerência do Governo e que muito poderia ser feito para que Educação fosse algo em que a criança pudesse, de fato, ser Alfabetizada e Letrada com dignidade, todavia o que deveria ser de responsabilidade do Governo cai nas mãos daqueles que pagam os tributos em dia e, ainda assim, toda a cobrança e culpa do fracasso escolar caí sobre essa tríade: cuidadores, coordenadores e professores, que são na verdade vitimizados por um sistema em que acreditam que a miséria intelectual continuará sustentando a corrupção brasileira.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BELLO, José Luiz de Paiva. A teoria básica de Jean Piaget. Vitória, 1995.
BOGDAN, Robert . e BIKLEN, Sari Knopp. Investigação qualitativa em Educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Porto Alegre. Artmed, 1994.
CHRAIM, Albertina de Mattos. Família e Escola: a arte de aprender para ensinar. Rio de Janeiro: Wak, 2009.
CASTORINA, E. D. O. et al. Piaget Vygotsky. Novas Contribuições para o debate. São Paulo: Ática, 1998.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.
GUIMARÃES, Adair Purcena.  Avaliação da aprendizagem: um estudo das concepções e práticas dos professores de Língua Portuguesa.(BECKER, apud Guimarães, 1993, P. 15).
OLIVEIRA, Marta Kohl. Vygotsky: Aprendizado e Desenvolvimento Um processo sócio-histórico.São Paulo, Scipione,1997.
RIOS,F. Compreender e Ensinar: Por uma docência de melhor qualidade. São Paulo: Cortez, 2001.
RODRIGUES, Neidson. Da mistificação da escola à escola necessária.8 ed.São Paulo: Cortez, 1998.
SANCHES, Cláudio Castro. Desconstruir construindo um caminho para uma nova escola:recuperação da escola- Pensar o pensado. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.
SILVA,Jaqueline Luzia da. Letramento: uma prática em busca da (re) leitura do mundo. Rio de Janeiro: Wak, 2009
SOARES, Magda. Letramento um tema em três gêneros. 4. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.
______.Alfabetização e Letramento.5. ed. São Paulo: Contexto, 2007.
TIBA, Içami. Quem ama educa: formando cidadãos éticos.23 ed.São Paulo: Integrante, 2007.
TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva.Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisaqualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 2009.
MELLO, Maria Cristina de; RIBEIRO, Amélia Escotto do Amaral. LETRAMENTO. Significados e tendências. In. Sujeito Letrado, Sujeito Total: implicações para o letramento escolar. Rio de Janeiro: walk, 2004.


Signo. Para Ferdinand Saussure (1969) o signo linguístico é, pois, uma entidade psíquica de duas faces, que pode ser representada pelo conceito e imagem acústica. p.80.



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Pesquisa aponta crescimento de 40% no desmatamento em Mato Grosso

Meio Ambiente
G1 MT
01/12/2015 15:51:00 - 8 exibições
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Pesquisa aponta crescimento de 40% no desmatamento em Mato Grosso

Arquivo
Mato Grosso teve 40% de aumento no desmatamento da Amazônia entre agosto de 2014 e julho de 2015. Os dados fazem parte do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados na última semana pelo Ministério do Meio Ambiente. O estudo indica que Mato Grosso é o segundo estado com maior área de floresta derrubada, perdendo apenas para o Pará. O estado destruiu 1.508km² de floresta amazônica nesse período.
Em geral, em todo o país, os dados aponta alta de 16% de desmatamento no bioma em 2015, se comparado ao ano de 2014. A área desmatada foi de 5.831 Km2, contra 5.012 Km2 no período anterior. No caso de Mato Grosso, o Prodes aponta que o desmatamento está ‘distribuído’ principalmente nas cidades localizadas na área Médio-Norte e Norte.
O Pará é o estado com maior área de floresta derrubada (1.881 km²), mas manteve o mesmo índice do ano anterior. Em seguida aparece Mato Grosso, onde foram destruídos 1.508km² de floresta amazônica e onde a alta do desmatamento foi de 40%. O maior percentual de aumento foi no estado do Amazonas, com 54%, totalizando 769 km², seguido do estado de Rondônia, com 51% de aumento e 963 km² de desmatamento.
Os aumentos levaram o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a notificar os três principais estados para apresentarem, em 60 dias, os dados do desmatamento autorizado. Confrontando com os dados do Inpe, as autorizações permitirão com que o órgão possa impor as sanções previstas às áreas desmatadas ilegalmente.
Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, autorizações provisórias de funcionamento para propriedades rurais e desembargos de áreas em Mato Grosso foram fatores que estimularam o corte da floresta.
Dados da fiscalização do Ibama demonstram um acréscimo de 31% no esforço de fiscalização do órgão. Mesmo assim, áreas não consolidadas estão sendo convertidas com desembargos administrativos e judiciais em Mato Grosso. Ao longo da BR-163, que liga Cuiabá a Santarém, a liberação de áreas embargadas é preocupante, segundo avaliou a ministra.

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