Investigado pela
Operação Lava Jato e alvo de representação no Conselho de Ética, o presidente da
Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não é o primeiro deputado no comando da Casa a ser objeto de denúncias de corrupção ou se envolver em polêmicas enquanto ocupava o cargo.
O ex-deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que presidiu a Câmara de 2002 a 2003, chegou a ser condenado no julgamento do mensalão do PT sob a acusação de ter recebido propina. O sucessor do petista, Severino Cavalcanti (PP-PE), renunciou após a revelação de que recebia um “mensalinho” do dono de um dos restaurantes da Câmara.
Confira abaixo alguns episódios polêmicos envolvendo presidentes da Câmara desde a promulgação da atual Constituição, em 1988.
O deputado Eduardo Cunha Gustavo Lima / Câmara
dos Deputados)
Eduardo CunhaPouco tempo depois de assumir a presidência da Câmara, Cunha foi incluído na
lista de investigados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por suspeita de ter recebido propina do esquema. A
situação dele se agravou em julho, quando veio à tona o depoimento de um dos delatores da operação acusando-o de ter recebido
propina de US$ 5 milhões.
O ex-deputado e atual ministro Henrique Eduardo
Alves (Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos
Deputados)
Henrique Eduardo AlvesDurante o período em que esteve à frente da Câmara, de 2013 a 2014, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN),
deu carona de Natal ao Rio de Janeiro em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para a noiva, Laurita Arruda, hoje sua mulher, e parentes.
Oficialmente, Alves foi ao Rio para um encontro com o prefeito Eduardo Paes (PMDB). No entanto, o grupo o acompanhou para assistir à final da Copa das Confederações, no Maracanã, entre Brasil e Espanha.
O ex-deputado Severino Cavalcanti (Foto:
Reprodução / TV Globo)
Severino Cavalcanti
Severino Cavalcanti (PP-PE) se elegeu presidente da Câmara em fevereiro de 2005 ao derrotar o candidato oficial do governo, mas ficou no cargo pouco mais de sete meses.
Ele acabou renunciando após a denúncia de que cobrava propina de R$ 10 mil por mês do dono de um dos restaurantes da Câmara, escândalo que ficou conhecido como “mensalinho”.
Ele
resolveu deixar o comando da Casa e renunciou ao mandato parlamentar para evitar um processo por quebra de decoro, que poderia levar à cassação e à perda de direitos políticos.
João Paulo Cunha na presidência da Câmara (Foto:
Reprodução/TV Globo)
João Paulo CunhaO ex-deputado João Paulo Cunha (PT-SP) foi condenado no
julgamento do mensalão do PT a 6 anos e 4 meses por peculato (desvio de dinheiro público) e corrupção passiva no esquema de compra de apoio político de parlamentares durante o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2004.
Ele também chegou a ser condenado por lavagem de dinheiro, mas
acabou absolvidona fase de recursos.
No período, o petista presidia a Casa e foi acusado de ter favorecido uma empresa do publicitário Marcos Valério, um dos pivôs do escândalo, em contratos com a Câmara, em troca de propina.
O deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), em
entrevista em 2010 (Foto: Fabio Rodrigues
Pozzebom/ABr)
Ibsen Pinheiro
O ex-deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) comandou a Câmara de 1991 a 1993 e notabilizou-se pela condução do processo de impeachment do presidente da República Fernando Collor, em 1992.
Ele acabou cassado em 1994 após ser acusado de receber dinheiro do escândalo dos Anões do Orçamento, no qual um grupo de políticos desviava recursos de emendas parlamentes para entidades sociais fantasmas.
Em decorrência da cassação, ficou inelegível por oito anos. Voltou à política ao se eleger deputado federal em 2006. Atualmente,
é deputado estadual no Rio Grande do Sul pelo PMDB.
O ex-deputado Paes de Andrade (Foto: Natinho
Rodrigues/Agência Diário)
Paes de Andrade
Deputado federal de 1963 a 1999, Antônio Paes de Andrade (PMDB-CE) exerceu o cargo de presidente da Câmara de 1989 a 1991. Nesse intervalo, assumiu interinamente a Presidência da República mais de dez vezes.
Em uma dessas ocasiões, em 25 de fevereiro de 1989, convidou uma comitiva de ministros, parentes, aliados e amigos para voar em um avião presidencial da Força Aérea Brasileira (FAB) de Brasília até a sua cidade natal, Mombaça, no interior do Ceará, onde queria voltar como presidente da República.